<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847</id><updated>2011-07-08T12:30:01.179-07:00</updated><category term='A Cidade onde Vivem os Mortos'/><category term='A Beleza de Tereza'/><category term='Homens não Choram'/><category term='Museu do Terror'/><category term='Noite sem Lua'/><category term='Fobia Dictióptera'/><category term='O Falso Mensageiro'/><category term='A Viagem'/><category term='A Rua das Três Meninas'/><category term='No Caminho das Amoras'/><category term='Apunhalada pelas Costas'/><category term='Nascido no dia do Senhor'/><category term='Por Trás de seu Amado'/><category term='Guerras'/><category term='Ele'/><category term='Sem Remissão'/><category term='Nicole - A Sobrenatural'/><category term='Capela de Hóros'/><category term='A Busca de Etheghual'/><category term='O Caçador de Rãs'/><category term='Seu Deus'/><category term='Escrava'/><category term='Inspiração'/><category term='Penitência'/><category term='Prêmios'/><category term='Pesadelo com Cobras'/><category term='O Escolhido'/><category term='3-D'/><category term='O Guarda-Chuva'/><category term='A Luz no Casarão'/><category term='A Princesa de Leningrado'/><category term='Eterna Noite'/><category term='Coleção'/><category term='Inocência Deturpada'/><category term='O Anjo Vingador'/><category term='O Médico e a Paciente'/><category term='O Equilíbrio da Escuridão'/><category term='Carta de Advertência'/><category term='Do Outro Lado do Arco-Íris'/><category term='Sheol'/><category term='Ao Pôr-do-Sol'/><title type='text'>Concurso Escritores de Terror</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-3486499579737239661</id><published>2009-07-13T21:16:00.001-07:00</published><updated>2009-07-13T21:23:41.967-07:00</updated><title type='text'>Comentários dos contos e resultado do Prêmio Técnico</title><content type='html'>Bem, depois de muito enrolar, vou fazer breves comentários sobre alguns dos contos, e também revelar o ganhador do Prêmio Técnico. Vai ser assim mesmo, sem pompa e circunstância, já que deixei passar muito tempo antes de falar. Não pude comentar todos os contos, outras histórias legais ficaram sem comentários, mas aos poucos vou colocando os apontamentos das histórias restantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, perdoem a linguagem coloquial e descuidada dos meus comentários, mas estou sem nenhum tempo de caprichar na escrita. Vai desse jeito mesmo, senão iria demorar ainda mais, rsrsrs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços a todos, e obrigado pela participação no concurso Escritores de Terror, seja escrevendo, comentando, votando ou doando prêmios! A maioria dos escritores buscou evitar ao máximo o uso de clichês, o que é muito louvável e demonstra criatividade. Não vou me aprofundar em críticas e sugestões gramaticais, pois a maioria dos comentários já foi muito eficiente nesse aspecto. Só peço aos escritores que saibam filtrar as sugestões úteis daquelas que não precisam ser necessariamente utilizadas, pois muitas opiniões são bastante subjetivas, enquanto um ou outro conselho é furado mesmo (inclusive os meus, rsrs). Mas enfim, fica a critério de cada escritor como separar o joio do trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, vamos aos comentários!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Museu do Terror&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma história sutil e escrita de maneira quase poética, no melhor estilo Ray Bradbury. Museu do Terror é, acima de tudo, uma bela homenagem ao gênero terror (e certamente, quem conhecia as obras mencionadas aproveitou muito mais o conto). É uma pena que os leitores tenham sentido falta de “mais terror”, mas o objetivo do conto não era esse. Conforme foi bem observado, o objetivo era fazer um confronto entre o terror fictício (a fantasia, que diverte, que é brincadeira apenas) e o terror da realidade (a bomba atômica, uma arma de destruição em massa muito mais terrível do que qualquer monstro fictício). Felizmente, o autor Duda Falcão resolveu continuar o seu conto numa série de histórias, que sugiro a todos que acompanhem com atenção. Parabéns pela criatividade e execução impecável, Duda. Seu conto é fantástico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Homens não Choram&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro conto de qualidade ímpar. Este foi um dos contos mais eficientes na abordagem psicológica de seu personagem central, muito bem aprofundado no pouco espaço que foi concedido. Infelizmente, o autor teve o azar de criar um monstro muito parecido com a criatura de outro conto concorrente, o que tirou um pouco do impacto da criatura. Mesmo assim, isso não tira o brilho da história, uma das mais bem escritas do concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;O Caminho para o Inferno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conto com fortes descrições de torturas e outros sortilégios, O Caminho para o Inferno é uma história tensa e angustiante. O ponto fraco são alguns diálogos, muito contemporâneos para a ambientação escolhida, mas a narrativa compensa esses pequenos defeitos. Pena que o enredo foi muito confuso para a maioria dos leitores, o que certamente prejudicou o conto na hora das votações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Penitência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rápido e rasteiro, Penitência é um conto com boa atmosfera e ritmo exato, não precisa ser maior nem menor do que isso. Aparentemente, algumas pessoas queriam que a história fosse maior, o que não deixa de ser um elogio ao autor. Ah, mas sou suspeito para falar do enredo desse conto, afinal já abordei o mesmo tema (ou quase) no meu conto O Confessionário! Rsrsrs. Felizmente, as histórias são muito diferentes em seus desenvolvimentos, e Penitência é muito bom. Ah, não esqueçam de conferir o livro do autor, Histórias que nos Sangram, já a venda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;O Falso Mensageiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto bem feito e original, com uma reviravolta interessante em seu desfecho. Pena que alguns detalhes meio confusos e problemas de ritmo comprometeram o resultado final. Espero que a autora reescreva o conto, pois ele merece ser melhor trabalhado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;3-D&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito... Foda. O conto do Caio transmite uma energia implacável, quase furiosa. A história em si me pareceu muito original e interessante, e a execução não fez feio. Embora algumas pessoas não tenham gostado do estilo rebuscado da narrativa, eu achei ótima; gosto da maneira que o Caio escreve, gosto do jeito pouco usual que ele utiliza algumas palavras, muitas vezes extrapolando o sentido delas e “obrigando-as” a fazerem sentido em seu universo. Caso fosse menos talentoso, o resultado poderia ser catastrófico, porém, o Caião segura as rédeas desse cavalo selvagem chamado “3-D” com mão firme, sem deixá-lo sair do controle. A ironia transparece durante todo o evento, com ótimas “falas” e passagens tão intensas e cinematográficas que é até possível ver aquele maldito “tubarão” passando por debaixo das cadeiras do cinema. O final, aparentemente abrupto, me parece uma homenagem àqueles antigos filmes de monstros, onde o desfecho era simplesmente a morte do monstro, e acabou. Não é preciso mostrar epílogo, não é preciso dizer o que aconteceu com os personagens, o fim daquele pesadelo já é o bastante. Parabéns, Caio. Teu conto foi um dos melhores e, certamente, foi o mais intenso do concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Seu Deus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom conto do gênero “seitas cruéis”, Seu Deus acabou não recebendo muitos comentários, o que é injusto. A história é bem feita, e o recurso de terminá-la utilizando a mesma frase do início é algo elegante, pois o conto se completa como um círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;A Cidade Onde Vivem os Mortos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto de Flávia Tavares começa de uma maneira bastante parecida com Crepúsculo, o que levou alguém a taxar toda a história, injustamente, de “teen”. Nada contra “contos teen” ou destinados a qualquer faixa etária (contanto que sejam contos bons), no entanto, logo a história de Flávia toma um rumo diferente, e o estilo próprio da autora transparece com frescor e delicadeza. O final é bacana, de uma morbidez inesperada e bem-vinda.O conto é muito bom, embora tenha sido prejudicado pelo título, que entrega algo que deveria ser surpresa. Flávia, muda o nome dessa história, ok? Rsrsrs. E parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;A Luz no Casarão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto de Ângela Oiticica faz mais o estilo “realismo fantástico” do que terror propriamente dito, o que não é uma crítica, mas certamente é algo que o prejudicou frente as histórias mais sinistras. O diálogo quase natural entre os vivos e mortos fortalece o tom de fábula sinistra, algo que a aparição de uma nova entidade final não é o suficiente para alterar. Mas enfim, a narrativa é ótima, e Ângela tem um estilo quase “Neil Gaimaniano” de escrever, sempre com extrema facilidade para transmitir climas oníricos e surreais. Enfim, A Luz no Casarão é uma história que merece ser relida, agora com outros olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Coleção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elton Menezes nunca entrega menos que excelência. Simples assim. O cara é, na minha opinião, o mestre do “horror real”, aquele terror que não precisa de monstros, fantasmas e outras entidades sobrenaturais para assustar; seus monstros são humanos, são pessoas que podem estar bem aí, do seu lado, tramando uma maneira não muito agradável de dar cabo de sua existência (e talvez por isso, suas histórias sejam tão tensas). O fabuloso conto Coleção ficou um pouco prejudicado pela escolha de um recurso estilístico diferenciado (e que, confesso, não entendi de início, rsrs), que aparentemente deixou muitas pessoas com dor de cabeça; mesmo assim, palmas para a coragem e ousadia do autor, que mesmo sabendo que isso o prejudicaria, foi lá e fez a diferença. Ah, e obrigado pela homenagem, amigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Do Outro Lado do Arco-Íris&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diálogos convincentes, ambientação interessante, um suspense de prender na cadeira. Esses são os pontos fortes de mais uma excelente história que iluminou nosso concurso. Sim, a revelação do “monstro” em si pode ter parecido decepcionante, ou até mesmo cômica para alguns leitores, mas eu não compartilho dessa opinião: achei a escolha interessante, e se até mesmo gremlins, macacos e outras criaturas menores podem ser usadas em histórias de horror, pq não um “Leprechaum”? Acho que essa foi a história mais eficiente no fator “suspense”, e o final também é ótimo. Parabéns Leandro, sua história merecia estar dentro daquele baú (espero que nenhum anão de dentes afiados tenha vindo buscá-la depois que vc a enviou, rs).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Inspiração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O final desse conto é um dos melhores que vi no concurso: assustador, arrepiante, no sentido clássico da palavra. Infelizmente, o desenvolvimento não fez jus ao desfecho: a motivação do personagem não parece coerente (algum de vocês faria o que ele fez?), o conto é curto demais e, pra ser franco, acho que devemos ser mais sutis quando emitimos nossas opiniões em nossas histórias. O Yuri certamente não gosta de Stephen King, porém seu comentário no meio da história desperta um certo mal-estar naqueles que são fãs do famoso escritor. Caso essa fosse a intenção do Yuri, então tudo bem, porém, caso esse sentimento tenha sido despertado por acidente, é melhor tomar cuidado, meu velho! Enfim, outra coisa que posso dizer a respeito do final é que existem “N” maneiras de chegar àquele desfecho, basta construir uma história onde alguém fica sentado em cima de um túmulo, com aquele epitáfio, e com um gravador na mão. Minha sugestão? Faça outra história e use o mesmo final, que é bom demais pra ser desperdiçado assim!!! Rsrsrsrs. Mas apesar dos pesares, foi um dos três contos que me causou calafrios, e só por isso, a história já merece meus sinceros parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Sem Remissão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espetacular. Não há outra palavra para definir este conto, brasileiríssimo até a medula, mas sem qualquer “brasileirismo” pra atrapalhar. O autor Thomé de Oliveira demonstra um domínio invejável da narrativa, prendendo o leitor desde o começo de sua intrigante história, cujo sentido fica a critério de cada leitor. Aquilo é uma memória? Um sonho? Um devaneio? Um vórtice de loucura moribunda? Não importa. O importante é que no final, tivemos uma história realmente assustadora, contendo instantes de calafrios (o caixão que se arrasta, o diabo correndo!) e instantes preciosos, aquelas frases e tiradas tão boas que deixam qualquer conto acima da média (“Tão certo quanto é certo que criar políticos não quer dizer muita coisa. Talvez mais pecados, sei lá.”). Não tenho muito o que falar... Apenas digo que foi um dos dois melhores contos do concurso, na minha opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Fobia Dictióptera&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um conto do tipo visceral, que se apóia mais em imagens e atmosfera do que no enredo em si. O resultado é asqueroso, nojento, monstruoso e revoltante (sim, tudo isso é um elogio!). Com apenas 16 anos, o escritor Jhoanathan demonstra um domínio invejável da narrativa; alguém apontou semelhanças desse conto com uma história do filme Creepshow, onde um milionário é atacado por baratas; horas, acontece que o conto Fobia Dictióptera investe muito mais pesado do que o filme, com detalhes que tornam seu conto fundamentalmente diferente do filme apontado. Muito legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;O Guarda-Chuva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conto é uma obra-prima do chamado “terror sutil”, um horror que apenas arranha a superfície, mas quando o faz, é de maneira mais retumbante do que muitos contos cheios de sangue, tripas e desmembramentos que vemos por aí. Algumas pessoas reclamaram que o terror “só aparece no final”, mas pessoalmente, não vejo qualquer problema nisso; pra mim, esse terror tão breve foi muito mais eficiente do que diversos contos forrados de atrocidades, mas que não tiveram efeito algum. De fato, este foi um dos três contos que me provocaram um calafrio bem real (os outros foram Inspiração e Sem Remissão); já sou calejado com histórias de terror, e essa sensação têm se tornado cada vez mais rara com o passar dos anos. Portanto, agradeço ao Luiz, Thomé e Yuri pelos pequenos presentes que me concederam ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a falar especificamente do conto O Guarda-Chuva, o interessante é que ele dá margem para duas interpretações: ou foi o fantasma do falecido que deixou o guarda-chuva na porta, como um aviso, ou então uma pessoa fez aquilo, talvez como brincadeira, talvez como vingança pelas brincadeiras que fizeram com o amigo. Mas na verdade isso não faz muita diferença, pois o que importa é a mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me assusta ver que algumas pessoas não entenderam o sentido do guarda-chuva no final: sim, o guarda-chuva deixado na porta é um sinal de que o fantasma irá assombrar aquelas pessoas por muito mais tempo; é claro que talvez, o fantasma nunca apareça (talvez ele nem exista!), mas depois daquilo, duvido que os demais personagens conseguiriam ter a mesma paz de antes. Toda vez que escutassem um barulho estranho durante a noite, toda vez que vissem um vulto estranho na madrugada silenciosa, o primeiro pensamento deles seria “é o relóginho suíço”. E se isso não é uma vingança danada de boa, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns irmão, seu conto é fabuloso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Nascido no Dia do Senhor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito foi dito sobre Nascido no Dia do Senhor; que era um conto apelativo, chato, cheio de “plebeísmos”, etc e tal. Assim como O Guarda-Chuva, este foi um dos contos mais polêmicos do concurso. E assim como O Guarda-Chuva, é um dos três melhores contos do concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores desafios para um escritor é o diálogo; é MUITO difícil escrever diálogos realmente convincentes, pois as conversas não podem ser “exatinhas” como a narração, mas também precisam atingir o grau certo de coloquialismo. Quantas vezes não lemos histórias ótimas, mas que perderam seu brilho devido aos diálogos mal feitos? E isso não é um problema apenas dos escritores iniciantes. H.P.Lovecraft, por exemplo, que evitava ao máximo escrever diálogos, e quando era obrigado a isso, geralmente se saía muito mal. Ele sabia dessa fraqueza, por isso investia na narração.&lt;br /&gt;Mas ao contrário do famoso escritor, o forte do Wilson Lourenço é o diálogo. Mas como assim? O conto parece não ter qualquer diálogo entre os personagens, certo? Acontece que toda a história é um imenso diálogo com O LEITOR! Um diálogo muito mais difícil de tornar convincente, mas que ele tirou de letra o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Plebeísmo”? Sinto muito, meu caro General Ming, mas você escorregou feio aqui. O conto é coloquial, é regional mesmo, como disse alguém; enfim, é o tipo de coisa que um Guimarães Rosa ou um Gabriel Garcia Marques escreve (guardadas as devidas proporções, obviamente). Criticar esse tipo de linguagem é criticar os grandes nomes da elite literária! Enfim, não dá, né gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo Leandrito acusou o conto de “aproveitar a febre do filme Tropa de Elite”, um grande equívoco, já que o filme passou há anos e não há mais febre alguma. No entanto, há sim uma certa semelhança do conto com o filme em questão... Não apenas com o filme em questão, mas com os bons livros e filmes de terror onde são os “maus” que pagam o pato: Nascido no Dia do Senhor é um daqueles contos que nos fazem vibrar de contentamento, pois escancaram nosso lado sedento de vingança contra aqueles que atrapalham nossa paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ser francos... Quem de nós nunca assistiu os noticiários sobre traficantes cometendo várias atrocidades, muitas vezes impunes, e não pensou “alguém deveria matar toda essa corja”? Sabemos que existe muita gente boa nas favelas e morros afins, mas intimamente, nossa filosofia classe-média pensa que seria um preço pequeno demais dar cabo de um ou outro inocente em uma guerra contra os comandantes dos morros e favelas. É por isso que não nos importamos quando os interrogados pela tropa de elite são sufocados com sacos plásticos (para invariavelmente entregar o paradeiro dos criminosos). Afinal, nós somos inocentes que sofrem com a criminalidade, só queremos a proteção nossa e de nossos amigos e parentes! Portanto, façam o que for preciso pela nossa proteção! Façam o que for preciso para nos vingar! Sim, é um pensamento errado, questionável, mas também é um pensamento difícil de evitar. De certa forma, é nosso sádico desejo de vingança se misturando com nossa revolta contra a impunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como Tropa de Elite, o conto Nascido no Dia do Senhor escancara nosso desejo por vingança contra aqueles que nos oprimem. Simples assim. E é por isso que o conto é tão foda, é por isso que nos causa tanta emoção: nós nos identificamos com Domenico, que apesar de ser meio bandido, é um “bandido gente boa”, e de certa forma, nosso alter-ego dentro do conto; depois, nos identificamos com Belial (que literalmente “fode” com os meliantes), que nada mais é do que o monstro sedento por justiça que habita em cada um de nós, quando nos imaginamos poderosos o bastante para podermos fazer justiça com as próprias mãos. Belial prende os bandidos em uma redoma de fogo, algo que, além de impedir que qualquer um deles escape impune, também permite que possa dar a cada um deles o que eles merecem (de forma não muito rápida ou humanitária, por assim dizer, rsrs). Wilson conseguiu nos fazer vibrar pelo monstro, nos fazer torcer para que os bandidos tivessem um fim horroroso, e no final das contas, recebemos exatamente o que mais desejamos: o nosso ideal de “justiça”. Sem fazer julgamentos de certo ou errado, Wilson Lourenço manipulou, de forma genial, nossos sentimentos mais perversos, deixando-nos sedentos por mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois muito bem, eu queria muuuito dar o prêmio técnico ao conto Sem Remissão, que na minha opinião é simplesmente perfeito; no entanto, preciso me ater aos meus princípios, e não há como deixar de premiar esse “Rolo Compressor” chamado Nascido no Dia do Senhor. Embora o conto tenha um ou outro defeito estrutural e uma ou outra colocação gramatical questionável (algo que não se verifica em Sem Remissão), as suas qualidades superam MUITO esses defeitinhos insignificantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por tudo isso, pela escrita fantástica, pelo ritmo exato e por permitir que nosso lado mais negro se refestelasse de alegria sádica, que o conto Nascido no Dia do Senhor também é o vencedor do Prêmio Técnico do Concurso Escritores de Terror!&lt;br /&gt;Parabéns, Wilson Lourenço. Seu conto mereceu este e todos os outros prêmios que recebeu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-3486499579737239661?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/3486499579737239661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/07/comentarios-dos-contos-e-resultado-do.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3486499579737239661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3486499579737239661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/07/comentarios-dos-contos-e-resultado-do.html' title='Comentários dos contos e resultado do Prêmio Técnico'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-9083053406484318321</id><published>2009-06-30T22:37:00.001-07:00</published><updated>2009-07-01T10:24:59.082-07:00</updated><title type='text'>RESULTADO DO CONCURSO!!!</title><content type='html'>Pessoal, saiu o resultado do Concurso Escritores de Terror! Os vencedores foram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://concursoescritoresterror.blogspot.com/search/label/Nascido%20no%20dia%20do%20Senhor"&gt;Nascido no Dia do Senhor&lt;/a&gt;, do autor Wilson Lourenço – 8 votos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://concursoescritoresterror.blogspot.com/search/label/O%20Guarda-Chuva"&gt;O Guarda-Chuva&lt;/a&gt;, de L. F. Riesemberg – 6 votos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://concursoescritoresterror.blogspot.com/search/label/Fobia%20Dicti%C3%B3ptera"&gt;Fobia Dictióptera&lt;/a&gt;, de Johnatan Ferreira – 3 votos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns aos ganhadores! Ah, e aqui vai a relação dos autores de todos os outros contos. Parabéns a vocês também, pois todos que se arriscaram nesse concurso são vencedores, na minha opinião! Abraços, e continuem atentos ao blog, pois ainda falta entregar o prêmio técnico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relação de contos e autores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás de seu Amado - Guilherme Heilmann&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Busca de Estheghual - Celso Junior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem Remissão - Thomé de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Caçador de Rãs - Katiane Servelhere&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sheol - Rubem Cabral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Luz no Casarão - Ãngela Oiticica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Equilíbrio da Escuridão - General Ming&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rua das Três Meninas - Johnny Allan Ferreira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Escolhido - Luis Oselieri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Deus - Hebert Tada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole, a Sobrenatural - Vitor Bolina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela de Hóros - Tiago Cosmo de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Falso Mensageiro - Rafaela Malon&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Viagem - Mike Varão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Museu do Terror - Duda Falcão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens não Choram - Marcelo Galvão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Caminho para o Inferno - Bruno Borges&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eterna Noite - Ana Maria de Souza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite sem Lua - Geralda Aparecida Dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesadelo com Cobras - Marcelo Hageman dos Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Pôr-do-Sol - Fabiana Bia Ferreira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coleção - Elton Menezes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrava - Carolina Kiss&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anjo Vingador - Gustavo Pierobon&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Princesa de Leningrado - Rafael Bueno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carta de Advertência - Fausto Campani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inocência Deturpada - Junior Filth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apunhalada pelas Costas - Geraldo Trombim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Outro Lado do Arco-Íris - Leandro Barreiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerras - Diogo Bernadelli&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Médico e a Paciente - Leandrito Garcia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-D - Caio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Caminho das Amoras - Sílvia de Moura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração - Yuri Maval&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Beleza de Tereza - Karina R. V. dos Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele - Rodrigo Jr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cidade Onde Vivem os Mortos - Flavia Tavares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso! Parabéns, pessoal, pela criatividade dos contos! Muitos de vocês fizeram o máximo para fugir dos clichês, e entregaram histórias realmente diferentes! Aguardem mais comentários deste que vos fala sobre alguns dos contos concorrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-9083053406484318321?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/9083053406484318321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/resultado-do-concurso.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/9083053406484318321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/9083053406484318321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/resultado-do-concurso.html' title='RESULTADO DO CONCURSO!!!'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-2865074512221659071</id><published>2009-06-17T18:40:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T23:43:22.235-07:00</updated><title type='text'>VOTAÇÃO!!!</title><content type='html'>Pessoal, o prazo de envio dos contos já encerrou, e agora está aberta a votação. Por favor, conto com a participação de vocês, leitores! Quem quiser votar, é só clicar no seguinte link do orkut:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=131282&amp;amp;tid=5347848030122123574"&gt;http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=131282&amp;amp;tid=5347848030122123574&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tópico, basta votar no seu conto preferido (apenas um voto por pessoa), e pronto! A votação vai até dia 30 de junho. Quem tiver apenas profile "fake" precisará se identificar para mim por depoimento, ok? E é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços, boa sorte a todos, e até mais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-2865074512221659071?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/2865074512221659071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/votacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2865074512221659071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2865074512221659071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/votacao.html' title='VOTAÇÃO!!!'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-7680112332648526408</id><published>2009-06-16T14:49:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T14:51:07.491-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Cidade onde Vivem os Mortos'/><title type='text'>A CIDADE ONDE VIVEM OS MORTOS</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sabe,Eu já estive ai,como você nessa  situação...Não precisa gritar,você precisa entender que vivemos  muito bem assim,Eu vou te contar minha história enquanto o sol não  nasce,pare de chorar e escute...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Eu estava farta da minha rotina,você  já sabe meu nome,eu me chamo Cristina e sempre vivi com meu pai,mas  nos últimos anos tive que morar com a minha mãe.Como eu sentia falta  do meu pai,não que eu não amasse minha mãe,não era isso.Eu sentia  falta de um lar,quando meus pais se separaram eu era muito pequena,mas  sabia que desde então minha mãe trabalhava viajando pelo país para  ganhar a vida.Minha mãe era uma pessoa adorável e sempre dedicou todo  seu tempo livre para me dar atenção.Ela era representante de uma grande  rede de lojas,assessorava e vendia franquias pelo Brasil,por isso não  se demorava mais que 6 meses em uma cidade,ela conhecia vários lugares  e fazia novas amizades por onde passava,mas nunca criava raízes em   lugar nenhum.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era assim que eu estava vivendo nos  últimos 3 anos,passava 6 meses em uma escola,depois desse tempo,tinha  que viajar e me matricular em um outro colégio.Você deve imaginar  que tudo era muito difícil,pois eu não era tipo um de jovem muito  entrosada –não herdei isso da minha mãe-e demorava muito para fazer  amizades.Não que eu fosse fresca,não,eu não era metida,eu só era  muito tímida.A distância fez com que eu perdesse o contato com meus  amigos de infância e aos 17 anos era uma garota isolada.A única coisa  que me impedia de entrar em um profundo estado de depressão era o fato,de  apesar de tudo, eu ser uma pessoa muito forte,eu tinha plena consciência  da minha situação e esse conhecimento  era útil para afastar os fantasmas  da loucura em meio a solidão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Até que no verão de 2004 eu e minha  mãe chegamos a esta pequena, na verdade minúscula cidade,Santa Agatha.Você  sabe que este município é daqueles tão afastados e tão pouco habitados  que se tem a sensação de que se esta esquecida por Deus.Era realmente  um projeto louco,mas foi o trabalho dela que nos atraíram para este  fim de mundo.Antes de ouvir minha mãe falar, eu jamais imaginara que  pudesse existir um lugar como este, dentro do estado de São Paulo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Santa Agatha tinha a incrível população  de 2500 habitantes,que vivem em sua maioria ainda mais isolados.Você  sabe que alguém teria que fazer uma caminhada se quisesse visitar seu  vizinho.O centro da cidade é a praça,que contava com todos os atendimentos  que são essenciais para se dizer que isto é um município,tudo como  você já conhece.O posto médico,a sede da prefeitura,e suas pequenas  lojas que faziam o comércio local.A cidade também tinha a pequena  escola e o cemitério que estamos agora.Não comece a chorar logo você  vai ver que tudo está certo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A nossa casa é grande para duas pessoas  sabe,mas não tínhamos muita escolha, ela fica logo ali e se eu andar  demais seguindo pelo quintal dos fundos,venho parar aqui,no Cemitério  que era exatamente como vemos hoje,sem tirar nem por.Aqui é tudo sempre  igual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi em meio a lamentações,que na  segunda-feira de manhã me levantei para meu primeiro dia de aula na  pequena escola,eu realmente não tinha gostado daqui.Era como se a cidade  passasse a impressão de estar abandonada há muito tempo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entrei na sala de aula apostando comigo  mesma quantas pessoas teriam a minha idade nesta cidade esquecida pelo  tempo,me surpreendi ao encontra na sala um único garoto.Por mais que  eu achasse que a cidade era pequena, uma pessoa na sala era um absurdo  concorda?&lt;i&gt;Que cidade é esta?Onde  estão as pessoas?&lt;/i&gt;Era isso que eu pensava.A pequena professora também  estava presente e não parava de escrever no quadro negro,só virou  a cabeça por um momento para dizer que me sentasse e começasse a copiar  a matéria.Você sabe como é o temperamento da senhorita Ana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olhei diretamente para o garoto.Nossa  mais que olhos estranhos,eles eram de um azul tão pálido,eram quase  de um tom cinza sem vida.Mas fora isso ele era lindo.Tinha a pele branca  como se nunca tivesse visto o sol,seus cabelos eram loiros e se acentuavam  perfeitamente formando um conjunto de estranha beleza. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Me adiantei e sentei ao lado do garoto  e ele me cumprimentou “Meu nome é Erick e o seu?” Eu quase gaguejei  para dizer meu nome e ele riu.Criei coragem e perguntei se não tinha  mais ninguém da nossa idade na cidade,ele ainda não tinha tirado os  olhos de mim e isso me deixava ainda mais constrangida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele respondeu que existia outra escola  perto de uma fazenda que era mais próxima para a maioria dos outros  alunos.Fiquei vermelha,“Erick” o nome já viajava na minha mente,eu  nunca tinha tido um namorado sério e me achava estúpida por achar  que teria agora.Em seis meses eu estaria fora desta pequena cidade e  provavelmente nunca mais o veria depois disso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O tempo foi passando e a cada dia eu  me apaixonava por Erick, e em menos de um mês eu já estava namorando.Passávamos  o tempo todo juntos,líamos até livros juntos. Eu realmente o amo sabe...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas na época já estava começando  a ficar preocupada com minha mãe,ela sempre foi uma mulher muito ativa,  independente e de idéias próprias,mas ela tinha mudado da água para  o vinho, tinha decidido que não íamos mais nos mudar.Eu fiquei até  feliz por poder finalmente ficar em um lugar só e poder ficar com Erick,mas  esse comportamento era muito estranho e quando questionei minha mãe  sobre os motivos ouvi uma coisa que já estava me deixando intrigada,e  que só agora compreendo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Para que mudar,estamos tão bem  assim”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu ouvia isso em todo lugar sempre  que o assunto envolvia uma alteração na rotina do lugar.Sempre a mesma  frase sobre tudo “Para que mudar,estamos tão bem assim”.Assim como  você,mas logo você vai entender... Não adianta chorar... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nada adiantava,qualquer mudança sugerida  era recebida da mesma maneira,nada era novo,e até para uma cidade pequena  aqui nada acontecia.Nas ruas todos os dias as mesmas pessoas, nos mesmos  horários,na escola toda semana se voltava à mesma matéria,em casa  minha mãe tinha começado a seguir a risca um cardápio semanal que  nunca mudava.Tudo aquilo estava me deixando louca,tinha notado até  uma mudança na aparência da minha mãe,antes seus olhos antes eram  verdes e cintilavam alegria agora eles tinham o mesmo tom azul- acinzentado.Na  verdade comecei a notar que todos na cidade tinham o mesmo olhar vago  e sem vida.Eu já estava começando a ficar com medo e apesar de amar  muito Erick,já estava torcendo para que minha mãe mudasse de idéia  e nós fôssemos embora o mais rápido possível.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma vez até perguntei ao Erick se  ele já tinha notado o olhar das pessoas e o que ele me disse provocou  arrepios na minha espinha.“Você devia parar de procurar as coisas,pra  que mudar,vivemos tão bem assim”Agora eu sabia que tinha algo errado  naquela cidade,e o que quer que fosse,tinha afetado minha mãe também.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu estava transtornada demais,não  entendia o que estava acontecendo,sai de casa no meio da noite decidida  a dar uma volta para espairecer meus pensamentos,sai pela porta dos  fundos e sem querer já estava caminhando aqui,por este mesmo cemitério.Eu  nunca tive medo de fantasmas mas os acontecimentos vividos na época  fizeram com que minha imaginação estivesse mais fértil que o normal.A  única coisa que fazia com que eu continuasse caminhando era meu próprio  orgulho bobo,odiava admitir,até para mim mesma que estava com medo.Se  não fosse isso já voltado pra casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Caminhei, até que cheguei na parte  mais recente do cemitério,bem ali atrás eu parei para ler alguns nomes  nas lápides,na verdade não queria ficar muito longe da minha casa,  eu ia dar uma volta por ali e voltaria pra casa como se nunca tivesse  estado com medo de um cemitério.Que idéia sair caminhando à noite  não acha?E ficar com medo de um monte de túmulos, o que os mortos  poderiam me fazer? Nada!Pelo menos, era isso que ela achava até ver  a foto da bibliotecária em uma das sepulturas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Meu coração começou a galopar no  peito, eu dei dois passos para trás e reli o nome gravado.Era ela mesma  “Ângela Batista”você a conhece não é?Pessoa adorável... Achei  que estava louca de vez,olhei o próximo tumulo e tomei um novo susto,  dessa vez era a foto e o nome do dono da mercearia,quando comecei a  raciocinar percebi que a cidade toda estava enterrada neste cemitério!As  informações entravam e se amontoavam.Eu não conseguia tirar uma conclusão  daquilo tudo que eu estava vivendo.Levantei a cabeça, não queria mais  ficar olhando para as lapides das pessoas que eu tinha convivido a mais  de 7 meses,tudo parecia um grande pesadelo,só queria acordar de tudo  isso.Mas quando levantei minha cabeça vi na última fileira de túmulos  um muito recente e uma cova aberta.Minha curiosidade foi maior que meu  bom senso,eu queria saber de tudo.Tudo que esta cidade escondia,queria  saber de tudo antes de fugir daqui para nunca mais voltar.Eu já tinha  uma idéia do que ia encontrar, mas precisava ter certeza,na verdade  estava com esperança de estivesse enganada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas eu não estava,era uma cova muito  recente,a grama ainda nem tinha crescido o suficiente para esconder  a terra fofa,ali estava à foto da minha mãe...O nome dela e a data  de dois meses atrás.Eu chorei,não sabia o que tinham feito com a minha  mãe,mas tinha certeza que planejavam fazer o mesmo comigo, por que  ao lado,na cova aberta, eu viu meu próprio tumulo. Na foto meu olhar  era azul- acinzentado,era um olhar morto.Agora eu já sabia por que  a cidade era sem vida, por que tudo era igual...Todos estavam mortos...Mas  eu não ia ficar ali, não ia esperar ninguém tentar me matar,eu iria  embora daquela cidade maldita naquela mesma hora. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sabe...Eu teria feito isso se o tumulo  ao lado do meu próprio não tivesse me chamado tanto a atenção...  Ali sepultado estava a pessoa que eu julgava amar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Erick Medeiros 1973-1990” Aquilo  me abalou literalmente, eu tropecei nos meus pés e cai no buraco ao  lado... Nossa você pode imaginar meu desespero? Acho que você pode...  me diga se não é a mesma situação? Eu comecei a gritar como uma  desesperada que eu era naquele momento, percebi que para minha falta  de sorte, aquele tumulo tinha bem mais que sete palmos de profundidade,não  consegui subir, tentei me segurar em uma raiz mas foi inútil, continuei  gritando até não te mais forças em meus pulmões, depois me sentei  e chorei, chorei até não ter mais lagrimas... O sol já estava nascendo  quando eu pude ouvir som de pessoas se aproximando, elas não falavam,  mas eu podia sentir que estavam se aproximando até que vi as cabeças,  uma a uma, apareciam para me olhar, aqueles olhos mortos me observando  não fizeram bem para a minha coragem e logo comecei a gritar de novo...  Gritei até que vi minha mãe naquela pavorosa multidão, ai comecei  a chorar e chamar por ela, ela me olhava como se eu não fosse sua filha  e ela estava certa, minha mãe não era ela, naquele momento tive certeza  que minha mãe estava morta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Finalmente alguém disse uma palavra  em meio aos meus gritos, era ele, Erick... E por um momento achei que  ele fosse me tirar dali, mas eu estava enganada, ele só me disse uma  única frase, antes de todos começarem a me enterrar viva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Você não vai mudar meu amor...  vivemos tão bem assim”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-family: georgia;font-family:Calibri;font-size:100%;"  &gt;No outro dia acordei com o sol batendo  na minha janela, e sorri. O sono não era reconfortante mais eu estava  bem assim, a escola também... Eu já sabia tudo, mas não vi motivos  para mudar, não precisava saber de mais nada que já não sabia...  Erick sempre vem me visitar depois da escola e eu o amo, poderíamos  nos casar, mas não existe motivo para isso. Aqui, nessa cidade onde  o sol não aquece, mas também não queima. Onde a vida não muda, mas  também não machuca. Onde o amor nunca morre, mas também não renasce.  É aqui que eu vivo minha morte com quem eu amo... Pois a morte é assim,  estagnada... E eu descobri que vivemos tão bem assim... Logo você  também vai perceber isso... O Sol já esta nascendo, e todos estão  chegando... Não chore, eu serei sua amiga e logo seu namorado também  vai entender que vivemos na cidade onde vivem os mortos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-7680112332648526408?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/7680112332648526408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/cidade-onde-vivem-os-mortos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7680112332648526408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7680112332648526408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/cidade-onde-vivem-os-mortos.html' title='A CIDADE ONDE VIVEM OS MORTOS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-55565535080427557</id><published>2009-06-16T08:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T08:16:19.866-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ele'/><title type='text'>ELE</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Doce era o sentimento que mantinha  por ela,a cada vez que eu sentia felicidade em seu sorriso,toda vez  que a defendia,vez após a vez eu adorava estar com ela.Eu estava realmente  apaixonado por aquele ser encantador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Mas nem tudo que reluz é  ouro, ela era médiun e eu também,mas não mudaria nada se ela não  tivesse ignorado o meu jeito de a proteger.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Tudo que eu queria era seu  bem,mas ela não poderia entender isso,ela nunca pode entender nada,eu  sempre era o vilão da história,eu havia dito que ele a atacaria,ela  não quis escutar,se achava um super-herói mas não era.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Nunca havia amado alguém  daquele jeito,e senti que eu precisava fazer isso,ou eu ou ele o faria,foi  difícil ver ela se contorcendo naquela banheira,enquanto suas entranhas  explodiam com meus socos e sua força para sair,eu só queria que fosse  rápido,nada demorado,para ela não sentir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Ele ria da minha decisão,ele  ria claramente por eu preferir isso,do que deixar na mão dele,ele é  algo desumano,eu deveria ter o matado antes,mas sempre tive medo de  fazer isso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Hoje em dia sei que não vou  conseguir o matar,essa camisa de força me impede de o matar,talvez  se eu morder a língua dele,talvez na verdade se eu morder minha própria  língua.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-55565535080427557?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/55565535080427557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/ele.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/55565535080427557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/55565535080427557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/ele.html' title='ELE'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-7181504539933216593</id><published>2009-06-15T20:08:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T14:52:01.750-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Beleza de Tereza'/><title type='text'>A BELEZA DE TEREZA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Calibri;font-size:100%;"  &gt;Ao  ouvir passos apressados ecoando no ambiente vazio da igreja, Cristina  tentou esconder com um capuz o rosto da jovem sentada ao seu lado. Suas  mãos trêmulas nem bem terminaram a tarefa, quando foram agarradas  por uma mão forte.&lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Pare com isso! – ordenou o jovem padre, Tadeu, sentado no banco atrás  delas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Mas... Eu não sei mais o que faço. A cada dia ela está mais feia...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  A beleza dela não está na parte de fora, mas de dentro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Mas, senhor, esta manhã encontrei minha vaca leiteira decapitada...  Fui ver Tereza na cama e ela estava toda ensangüentada. Estou com muito  medo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Enquanto  a menina permanecia imóvel, sentada ao lado da mãe, o padre descobriu-lhe  a cabeça e acariciou-lhe os belos cachos dourados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Você não consegue enxergar a beleza dessa menina. O que você tanto  teme? Somente os pecadores devem temer algo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Senhor, entenda, por favor! Minha filha é uma aberração! Todos os  tratamentos que ela fez com vocês não trouxeram resultados. O tempo  passa e ela piora... Conversei com meu marido e ele pediu que eu viesse  até aqui. Precisamos de ajuda!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Você precisa de ajuda, realmente. Ela, não. É uma criatura divina.  Não é, minha querida?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Lentamente,  a jovem virou-se para o padre, revelando seus doces olhos azuis que  lacrimejam. Sua pele alva tornara-se vermelha no momento em que começara  a chorar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Cristina  ficou olhando para a filha e observou, atônita, as lágrimas negras  que rolavam em seu rosto repleto de olheiras e veias saltadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Venha, minha querida. Por mais que tentemos, sua mãe nunca lhe aceitará  do jeito que é. – diz o padre, levantando gentilmente uma das mãos  de Tereza, conduzindo-a para longe da mãe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Não! O que está fazendo? Minha filha é perigosa! Vou interná-la!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Você devia amá-la do jeito que ela é, não tentar fazê-la ser do  jeito que você quer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Aos  prantos, Cristina leva as mãos à cabeça, quando escuta um barulho  muito alto. Percebendo que vinha da porta da igreja, a mulher direciona  o olhar para um homem que tranca a porta de entrada, em seguida correndo  na direção dele e abraçando-o fortemente, trêmula.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Amor! Ajude-me! O Padre Tadeu pensa que estou errada. Você viu o que  aconteceu hoje. Conte para ele! Conte daquela menina que sumiu também!  Conte do...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Cale-se! – esbravejou Gusmão, o marido de Cristina, tirando suas  delicadas mãos de cima dele, largando-a de joelhos no chão, e caminhando  na direção de Tereza e do Padre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Sua benção, Padre. – disse, beijando uma das mãos de Tadeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Deus te abençoe, meu filho. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Tadeu  abriu um largo sorriso, analisando atentamente Cristina em seu esforço  de levantar-se, e alegou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Sua mulher está precisando de tratamento, Gusmão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Sei disso. Ela está vendo problema em tudo, Padre. O que o senhor acha  melhor fazer? Acha que minha filha não serve para esse mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Todos servem para esse mundo, Cristina! Todos! Deus tem um plano para  todos nós! Tereza também é parte dos planos de Deus! – gritou,  fazendo com que sua voz ecoasse e chegasse como se fosse espinhos aos  ouvidos de Cristina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Pare com isso! Eu não consigo entender. Gusmão, você também está  contra mim? Não consegue ver que sua filha não é normal? É quase  um demônio?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Não, meu amor. Nossa filha é uma criatura de Deus e deve ser respeitada  e cuidada por nós. – afirmou, virando-se para a menina, fitando a  linda face serena da garota e tocando sua pele de veludo com as pontas  dos dedos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Você está louco! Todos vocês estão loucos! – gritava a mulher,  desesperada, chorando incessantemente, ao mesmo tempo em que notava  as unhas de Tereza que cresciam gradualmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Tereza,  parada ao lado do padre, sorria com os lábios semicerrados, enquanto  o mesmo arrumava seus longos cabelos e murmurava algumas palavras em  seu ouvido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Eu vou sair daqui se vocês não me derem uma explicação! – alertou  a mulher, histérica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Vai deixar sua filha aqui? Largar sua cria deste jeito? Leve-a com você...  – propôs Gusmão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  A filha é sua também, Gusmão. Vou levá-la, sim. Não quero deixá-la  com vocês, que parecem estar enlouquecidos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Enlouquecida, com certeza, está você, minha cara. – disse Tadeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Pois bem. Eu estou louca, não é? Algum de vocês, por acaso, percebeu  que as unhas dela estão crescendo enquanto conversamos aqui?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Os  dois homens olharam para as mãos da jovem, com suas longas unhas e,  simultaneamente, concordaram com a cabeça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Está maior mesmo. Que bom, não é? – disse Gusmão, dirigindo-se  ao padre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Muito bom mesmo. – respondeu Tadeu, sem pestanejar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Como isso pode ser bom? Nenhuma pessoa normal tem unhas que crescem  tão rápido! Desde que ela era menina, eu tenho que cortar-lhe as unhas  duas vezes ao dia! – gritou a mulher, seguida por um silêncio absoluto,  que foi, por fim, quebrado por Tadeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Se você ainda não percebeu, devo avisar-lhe que Tereza não é uma  pessoal normal. É uma criatura divina que está na Terra a serviço  de Deus, que tem um plano para ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Cansei desta história. Vamos, filha. Vamos sair daqui. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Vendo que a jovem não  obedecia, Cristina ordenou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;  - Vamos, Tereza!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Eu acho que você não deveria falar assim com ela. Meio grosseiro,  não acha? – questionou o padre, jocosamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Não, não acho. Filha, vamos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Novamente,  Tereza não se moveu, o que fez com que Cristina caminhasse até ela,  ainda com o corpo trêmulo, agarrando-lhe violentamente o pulso, que  começou a sangrar. Consternada, a mulher deu um grito de desespero  e um pulo para trás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  O que é isso, minha filha? – questionou, sem obter resposta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Isso não é nada. Você a machucou. – afirmou Gusmão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Não, não machuquei! Estou falando que estou assustada com tudo isso!  Vou sair daqui e chamar a polícia!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;  Gusmão e Tadeu olharam-se,  sorriram um para o outro e começaram a caminhar na direção de Cristina,  que andava para trás evitando que tocassem nela. Gusmão, um pouco  irritado, decidiu começar a explicar o que acontecia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Você não nos deixou fazer a nossa parte!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Que parte? Do que você está falando, Gusmão? – questionou a mulher,  ainda caminhando para trás, em direção à porta de entrada da igreja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Já dissemos que Tereza é um presente que Deus nos enviou. Um ser superior,  que tudo pode. Um ser belo como ninguém mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Belo, como?! Nossa filha está a cada dia mais feia!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Para os seus olhos. Para os meus, que entendo a missão dela e que quero  ajudar, Tereza é a criatura mais linda que existe. – disse, olhando  para a filha e tocando-lhe docemente o rosto. – Uma moça angelical,  que está aqui apenas para ajudar, para fazer justiça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Que justiça é essa? – indagou Cristina, a poucos metros da porta  da igreja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O  padre Tadeu, ainda tentando alcançar Cristina, juntamente com Gusmão,  olhou para trás, onde havia permanecido Tereza, e fez-lhe um aceno  com a cabeça, solicitando que se juntasse a eles, pedido que a moça  atendeu prontamente, colocando-se entre sua mãe e a porta. Encurralada,  Cristina parou onde estava e deu um giro com o corpo, percebendo que  estava cercada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Vocês vão me matar? – perguntou, ajoelhando-se no chão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Por que a mataríamos? – questionou o padre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Não sei. Não fiz nada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Pois eu posso dizer-lhe algumas coisas que você fez, que estão em  desacordo com o que deve ser seguido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  O que, por exemplo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Por exemplo, o próprio fato de negar a própria cria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Não estou negando, só quero ajudar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Ajudar, como? Ela deve seguir a natureza dela. Você apenas ajudaria  se o permitisse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Mas ela está se tornando num monstro, numa assassina!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Graças a nós, que estamos esforçando-nos para isso. E monstro é  uma palavra pesada demais. Ela é uma arma de Deus. Assassina em nome  do senhor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Como isso pode ser?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Sua filha tem poderes sobrenaturais, uma força de trinta homens, capacidade  de correr quilômetros sem se cansar...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Pára com isso! Como você sabe disso?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Eu sei porque convivo há muito tempo com ela e...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  O tratamento!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Sim, um ótimo tratamento. Ela não poderia estar melhor. E você, como  mãe, deveria estar atenta às habilidades dela, mas preferiu ver defeitos  na menina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Minha filha tem dezesseis anos e não fala! Como isso pode ser normal?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Já disse! – gritou Tadeu, irritado – ela não é normal. É um  ser divino. Se não fala é porque Deus não quer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Quero sair daqui! – exigiu Cristina, virando-se e dando de cara com  Tereza recostada à porta. – Filha, deixe a mamãe sair.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Com  olhos que pareciam mais pertencer a um animal selvagem do que a um ser  humano, Tereza olhou para Gusmão, como que a esperar um comando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Infelizmente, minha esposa, devemos despedir-nos agora. Você já sabe  de tudo, pode morrer em paz.  – afirmou Gusmão, sorrindo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;-  Vocês são doentes. Filha, vamos comigo. Dê-me a mão, querida. –  pediu a mãe, estendendo uma das mãos à jovem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Parada,  a moça fitava Gusmão e Tadeu, aguardando ordens. Não precisou mais  que um movimento de cabeça do padre para que Tereza penetrasse suas  compridas garras nas costelas de Cristina. Enquanto a mãe não parou  de agonizar, a assassina não teve ordens de nenhum dos dois homens  de tirar suas unhas do corpo da mãe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Depois  do último suspiro de Cristina, foi dada a permissão para que Tereza  fosse lavar as mãos e, com um cortador de unhas, teve suas garras cortadas  por Gusmão, enquanto Tadeu escondia o corpo da mulher morta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Em  alguns minutos, os três estavam prontos para sair à rua. O padre cobriu  a cabeça de Tereza com o capuz e abriu a porta da igreja. No momento  em que pai e filha cruzaram a porta, o padre chamou a moça para ir  até ele, a dois passos dali, e beijar-lhe a mão. A jovem menina, com  seu rosto celestial, foi até o religioso, beijou-lhe a mão com seus  lábios rosados, sorriu-lhe dum sorriso afetuoso, e retirou-se de braços  dados com o pai.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Já  na rua, a poucos metros de casa, cruzaram com uma vizinha da família,  a quem Gusmão cumprimentou com um movimento de cabeça e Tereza com  um aceno de mãos. Por um breve momento, o capuz da moça escorregou,  revelando o rosto mais animalesco que aquela senhora já havia visto,  o que a deixou apavorada e fez com que apressasse o passo, sem nem ao  menos imaginar que receberia uma visita noturna da bela menina Tereza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-7181504539933216593?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/7181504539933216593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/beleza-de-tereza.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7181504539933216593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7181504539933216593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/beleza-de-tereza.html' title='A BELEZA DE TEREZA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-1005967772982682443</id><published>2009-06-15T18:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T18:18:56.859-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inspiração'/><title type='text'>INSPIRAÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;A noite já ia avançada e Henrique não tinha posto no papel uma linha sequer. Começava a ficar irritado e o sentimento de frustração crescia cada vez mais forte. Como era possível que fosse tão incompentente? Ficara de mandar sua história para um concurso de escritores de horror, comprometera-se e agora não conseguia pensar em nada. Como podia ser caprichosa essa tal de inspiração. O que mais poderia fazer para invocar ideias? Já havia assistido toda a série do velho Freddy, jogado todos os Silent Hill, Resident Evil, Fatal Frame, visto vários filmes de terror oriental, se olhado no espelho num quarto escuro, lera Poe, Lovecraft, Ambrose Bierce, Stoker, Kafka, Stephen King (este último ele precisou de uma boa dose de paciência) e muitos outros autores do gênero. Estava disposto a fazer algo drástico e, infelizmente, clichê. Passaria a noite em um cemitério que existia a duas quadras de onde morava. Sabia de uma entrada pelos fundos, um buraco no muro. Será que teria coragem? Resolveu que iria e levaria o gravador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora estipulada ele estava em frente ao muro dos fundo do lugar supostamente assombrado, pensando ainda se entrava ou não. Deu de ombros e entrou . Caminhou um pouco entre os túmulos, o vento cortante arrepiando sua pele e mexendo suas roupas. Ligou o gravador e sentou-se sobre uma lápide já desgatada. Agasalhou-se e pôs-se a observar o lugar. As estátuas, cruzes a mármores frios davam-lhe calafrios, no entanto nada lhe veio à mente. O silêncio era aterrador, parecia até que não existia uma cidade ao redor, era como se tivesse entrado em outro mundo. Pensou nas milhares de tumbas espalhadas no cemitério. Ele estava ali, sobre milhares de cadáveres, milhares de gente morta sob seus pés. Estremeceu. Olhou para a o epitáfio do túmulo onde estava sentado. “Ele só queria paz”. Era o que estava cravado na pedra. Um cemitério podia até ser um lugar de paz para os mortos, mas para os vivos, como ele, era bem desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O farfalhar das árvores e o jogo de sombra das coisas o incomodava. Foi quando pensava nisso que sentiu o frio aumentar e alguma coisa apertar-lhe a garganta com uma força letal. Levou as mãos à área do estrangulamento e não conseguiu sentir nada. Seu pescoço continuava sendo apertado com muito força, com muita raiva. Ouviu um grito ditorcido, alucinado e o aperto intensificou-se. Não resistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã o coveiro encontrou o corpo do jovem Henrique. Lamentou e ligou para a emergência. Enquanto aguardava o atendimento chegar se abaixou e pegou o gravador do rapaz, caído ao seu lado. Rebobinou a fita e colocou para rodar. Ouviu apenas estática por alguns minutos, já ia desligar quando a máquina começou a reporduzir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saia daqui, me deixe em paz, Vá embora, me deixe em paz, vá embora ou eu mato você, saia daqui, saia daqui, vá embora ou mato você...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-1005967772982682443?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/1005967772982682443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/inspiracao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1005967772982682443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1005967772982682443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/inspiracao.html' title='INSPIRAÇÃO'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-4609396876902143066</id><published>2009-06-15T18:14:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T18:15:09.805-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='No Caminho das Amoras'/><title type='text'>NO CAMINHO DAS AMORAS</title><content type='html'>A volta para a casa, logo depois de Bia deixar a escola, era sempre cheia de molecagens. Houve época na qual Bia roubava rosas em jardins para enfeitar seus cabelos. Outras vezes, se enfiava em um salão de beleza e fazia testes nas unhas com diversas cores de esmaltes. Agora estava na fase de comer frutas no cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Os amigos de Bia achavam macabro esse desejo de passar horas entre os mortos. Ela dava de ombros e depois ria: aquela gente não sabia o quanto eram boas e especiais as tardes naquele local sagrado. Fora o silêncio, o campo-santo oferecia outras atrações: algumas alamedas eram tomadas por pés de jabuticaba, pés de goiaba ou de pitangas. O caminho predileto de Bia cruzava pés abarrotados de amoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Ela usava a entrada lateral do cemitério e ia percorrendo todos os corredores, observando os túmulos, parando de vez em quando para admirar esculturas religiosas, checar fotos e datas e cheirar flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma tarde a menina estava sentada em um banco, saboreando amoras bem pretinhas, suculentas, quando um jovenzinho pediu licença para sentar-se ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nossa, que garoto lindo, pensou Bia, reparando nos cabelos loiros, nos olhos verdes e no sorriso perfeito dele, que quase a deixou tonta. Olhou para si mesma e se achou horrível –estava de uniforme, suja de respingos de amora, com um rabo-de-cavalo malfeito e com as meias abaixadas, deixando a mostra as pernas cheias de marcas de tombos. “Ai, logo hoje que estou horrorosa, um gatinho vem puxar papo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A conversa entre os dois fluiu como fossem amigos de longa data. Ele parecia tão maduro para idade. Falava com tanta sabedoria e conhecimento que foi encantando Bia. Além de lindo, era extremamente simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Depois de muita falação, eles caminharam juntos até a entrada principal do cemitério. O garoto, que disse se chamar Pepe, despediu-se ali e sugeriu um novo encontro no dia seguinte, na mesma hora e local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Cuidado ao atravessar a avenida, tenha atenção redobrada, gritou Pepe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Por pouco Bia não ouviu o alerta. Ela já tinha se afastado uns bons metros, em direção à avenida. Pepe continuava parado, encostado ao portão, do lado de dentro do cemitério. A menina levou um baita susto ao ver um caminhão desgovernado ultrapassar o sinal vermelho e bater em um carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Caramba, ainda bem que o Pepe deu aquele grito. Como ele sabia que ia acontecer um acidente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Pepe e Bia se encontraram dias seguidos no cemitério. Ele sempre se despedia no portão, nunca levava Bia além daquele limite. Apesar de falante, Pepe guardava um ar misterioso. Não contava nada sobre sua escola, sobre seus pais, nem ao menos dizia seu endereço ou telefone. Mas constantemente tinha um bom conselho ou recomendação, que a livravam de um perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A garota estava muito animada com a nova amizade. Ela não havia entendido a despedida de Pepe no dia anterior. Ele disse, com certa tristeza: “Até algum dia, querida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como até algum dia?, retrucou Bia. Amanhã virei aqui, no mesmo horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      E lá estava a menina, na demasiadamente quente e ensolarada tarde seguinte. Bia sentou-se embaixo de uma amoreira para se esconder do sol. Esperou durante horas a chegada de Pepe. E nada de o menino bonito aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A garota fez o velho conhecido caminho até a entrada principal do cemitério. No meio do trajeto, um jazigo chamou sua atenção. Ela nunca havia reparado nele. A estátua de um anjo em oração destacava-se em meio a flores e fotos. Bia aproximou-se. Na lápide, as datas revelavam que um jovem de 15 anos havia sido levado inesperadamente do convívio da família. A foto do garoto loiro e a última saudação chocaram a menina: “Pedro Henrique, você nos deixou cedo, olhe por nós. Pepe, te amamos, você sempre viverá em nossos corações”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-4609396876902143066?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/4609396876902143066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/no-caminho-das-amoras.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4609396876902143066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4609396876902143066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/no-caminho-das-amoras.html' title='NO CAMINHO DAS AMORAS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-4607201557894565071</id><published>2009-06-15T15:22:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T15:24:41.331-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='3-D'/><title type='text'>3-D</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Precisava de energia calórica para revigorar minha consciência. Os atletas estimulam seu desempenho com esteroides anabolizantes. Eu, cinéfilo e crítico da sétima arte, utilizo carboidratos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Encalhei em um cinema bem monótono: arquibancadas em declive, estilo coliseu, estofado vermelho volumoso e carpete preto, cercados pela extensa câmara descolorada de branco, onde o equipamento sonoro arcaico e as poucas fontes luminosas distribuíam-se minuciosamente pelo multíplex. A saída abria-se aos fundos, como numa igreja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Clima afável, porém não averiguei nada da prometida “revolução nos meios de comunicação”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Gigantes da indústria do entretenimento, nacional e estrangeiro, ilustravam a assembleia. Todos fisgados até as ruínas daquele complexo abandonado, numa micro cidade da qual ninguém ouviu palavras sobre, pela mesma razão: um convite surreal. Há uma semana recebi a “amostra grátis” no escritório do jornal onde trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Ilusionismo, vapores alucinógenos, bruxaria, iorubá, neo alquimia ou pacto com o demônio, eu não soube responder. Sabia apenas que a tal “Máquina dos Sonhos” era o projeto de cinema 3-D mais convincente do qual já vim a assistir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Entretanto, mantive a postura cética, como sempre. Estou aqui para que Bonfim Thunderbolt, o homem que caçou estes patrocinadores, prove-me da autenticidade de sua invenção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Uma mulher de vestido escarlate equilibrava uma bandeja como se andasse na passarela, enquanto seguia pelos convidados distribuindo estranhos petiscos, acompanhados de copos de água. Livrei-me da embalagem do chocolate, para não espalhar suspeitas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Aqui está senhor – sorriu a mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Seus dedos soltaram uma minúscula pílula na minha mão. Exótico comprimido preto e branco, de uns &lt;st1:metricconverter productid="0,5 cm" st="on"&gt;0,5 cm&lt;/st1:metricconverter&gt; de espessura. Na outra palma me impeliu a agarrar o copo descartável, despejando a jarra de água em seu conteúdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Tome direitinho e tenha um ótimo filme!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- E a função da pílula seria? – questiono, farmacofóbico como sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Tornar sua estadia uma aventura inesquecível!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Devia ser a primeira vez que um “armazém” de entretimento adota a iniciativa de drogar os espectadores, para desde modo “extasiar” a experiência. Vou deixar esse trecho bem cáustico na resenha. Estranhamente, não houve controvérsia dos demais convidados, aquela moça sabe convencer. Sem delongas, Thunderbolt transpôs velozmente a sala de projeção, ascendendo o palco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Bom, não posso elucidar com palavras o que a “Máquina dos Sonhos” representa – balbuciou Bonfim, mal pausando para respirar - mas ela certamente evidenciará por si própria o magnífico potencial do qual dispõe. Preparem seus sentidos senhores, e que os sonhos se tornem realidade!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;As luzes desincorporaram o teatro, os olhos invalidaram-se com a abstinência de claridade. Um glóbulo branco fosforescente acende no campo aéreo da penumbra. A aparição luminosa incidiu no telão, afugentando as sombras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Subitamente, um &lt;i&gt;Big Bang&lt;/i&gt; de imagens eclodiu em minha íris. Verde-amarronzado suprimiu as demais cores, procriando uma floresta gigantífera, que colonizou inteiramente o perímetro ocular. Vegetou-se árvores utópicas, aberrativas, que bloqueavam o azul-celeste, equiparando sua altitude ao de arranha-céus metropolitanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Uma brisa vivida me beijou a queima rosto, e fui capaz de aspirar o odor herbívoro da natureza. Não pude discutir a veracidade da névoa, que deslizou pelo piso e me desagasalhou. O tato, as sensações, eram todos reais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Um cão da raça &lt;i&gt;labrador retriever &lt;/i&gt;– de carne e osso – espargiu o tapete de folhas mortas e distintos húmus que revestia o solo da floresta equatorial, correndo tal um fugitivo de tourada. Vestia chapéu de palha e cachecol azul, o convertendo numa vicissitude vulgar para o painel proposto. Fantasticamente, o canídeo salta no palco, como se fosse refratado para o nosso mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Boa tarde senhores! – exclamou extraordinariamente o &lt;i&gt;labrador&lt;/i&gt; – Meu nome é Plutão, e serei o guia durante este prodigioso &lt;i&gt;tour&lt;/i&gt;!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Os executivos conheciam perfeitamente aquela prosopopeia: atribuir características humanas a animais, quadruplicando seu carisma, especialmente em meio ao publico infantil. Ouvem-se tosses e bufos – ninguém na plateia estava impressionado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Apertem suas emoções e preparem-se para a viagem! – entusiasmou o guia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;A barca audiovisual nos transportou pelas vísceras do bioma, sobejando uma realidade genuína. O guia enfatizava os espécimes do ecossistema, definindo as características do animal, cargo na teia alimentar e função no meio-ambiente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Depois de serem apresentados, as formas de vida tridimensionais transpunham a projeção e passavam a integrar o público, contracenado com as testemunhas. A fauna compunha-se da biomassa típica de uma floresta tropical. Alimentei um mico-leão-dourado com biscoitos industrializados, e ele gostou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Inesperadamente, o ritmo do informativo foi cortado. Uma progressão de acordes de violão começa a soar. Harmonia suave, belo anestésico sonoro. Plutão havia materializado o instrumento não sei de onde, e tocava como se tivesse polegares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Um fato tenebroso tem eu a recitar. Algo ruim escolheu essas terras para habitar. Essa melodia, toco tranquila para não os matar do coração. É um aviso de amigo, dado por seu bom companheiro Plutão. Quando da crosta da catacumba sair, aquele que chamam de “Surto da Cripta” suas almas vai querer possuir, estão sejam cautelosos e nunca deixem sua atenção se despir!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Detectamos uma zona de desmatamento no percurso, onde o céu planava feito uma pintura suturada nos contornos das copas das árvores – uma janela aberta na cerração da mata, exibindo o azul colossal, o astro solar radiante e o baile de nuvens. Captou-se fato inédito: um meteorito queimava as plumas da atmosfera, decepando verticalmente a paisagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Aderindo na trilha novamente, a floresta se fechou na clausura, tal fosse um predador de arapuca. Assombrada melancolia nos sufocou quando os feixes de luz, evasivos, diluíram-se completamente na vegetação jurássica. As titânicas plantas lenhosas intrincaram umas nas outras, numa simbiose para garantir o absolutismo das trevas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Estamos na Garganta do Holocausto, onde o dia nunca nasce e Lua nem estrelas brilham – destacou o guia – Tomem cuidado!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Silêncio funerário reprimiu minha audição. Cantigas de pássaros e demais hinos da diversidade animal cessaram, se supondo que as espécies foram extintas na última hora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Não façam barulho, do contrário atraíram os habitantes destes lados – ressaltou a bússola canina – E não vão querer ser autores de tal feito!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Bonfim se ergue do banco, alongando o físico e articulando as câimbras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Escutem meus caros! – berrou o anfitrião – Agora vão ter um gosto da autêntica interatividade de minha cria, o ápice supremo do realismo jamais aproximado!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Por favor senhor, mantenha a calma, está arriscando a vida de todos aqui presentes, inclusive a sua – alertou Plutão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Venham a mim infantes da outra dimensão! – gruiu Bonfim, alucinado – Venham!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Não é uma boa ideia senhor...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Violão vibra, dessa vez uma harmonia depressiva, nostálgica, arrastada e nauseante. As imagens começam a convulsionar, trêmulas e anti-simétricas, distorcendo as linhas como um sismo sensorial. Efeito semelhante contrai os personagens 3-D fora da tela, que debandam suicidamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Este fenômeno só tem uma tradução – deprimiu-se Plutão – O “Surto da Cripta” está nas redondezas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Um tremor desvirtua o soalho do palco senil aquém de Plutão. Nasce uma corcova de tabuas sob as patas do quadrúpede. Madeira pútrida e colônias de cupins são estilhaçadas, jorrando projéteis nas primeiras fileiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Protegi-me cruzando os braços em escudo na cabeça, mas arredei as pálpebras a tempo de ver o horror latente. Uma força sobrenatural arrastou Plutão com violência para o esôfago da recém-formada cratera, ouvindo-se seu chiado descer profundo na fenda. Acredito tal fato ter tido pouca relação com as leis da gravidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;O que meu cérebro definiu como sendo uma nadadeira abissal, talvez uma estrutura óssea miscigenada por minérios brancos, bifurcou a cratera. Era um espesso “ferrão” circunflexo – encurvado para trás – donde manifestava disposições espinhosas menores no ângulo inferior, como uma faca torta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Semelhando-se a uma serra em marcha, corta o palanque ao meio e parte em colisão para cima dos executivos. A lâmina errante desintegra as acomodações em velocidade supersônica, esfolando três metros de distância do meu assento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;O sabre atravessa o cinema numa onda sinuosa de detritos – estofados, ladrilhos e encanamentos arremessados em uma tormenta de varreduras. Manobrava na cólera de um tubarão para apanhar as presas de terno e gravata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Inicia-se a chacina de chefões do entretenimento: gritos e pânico foram as últimas lembranças jazidas nas sepulturas da classe burguesa. Escuto o rugido do monstro subterrâneo, permeando o solo e estremecendo meus tímpanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Conferindo o massacre, pude delinear a criatura. A boca estendia-se cinco metros à frente da nadadeira, mantendo constante o método de abate: sugar a vítima para o subsolo e assim devora-la, nunca expondo detalhes fisiológicos no ataque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;A besta “surfava” no âmbito, quando disparos súbitos o ferem diretamente na anatomia enterrada. Bonfim, pistola 9mm em vanguarda, parte para uma contraofensiva balística, fitando da outra extremidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- Cometi um erro hoje, e está na hora de reverter meus pecados...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- O que está fazendo? – sussurrei – Vai atrair a coisa para cá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Ele se deu de surdo e continuou atirando. Mas o heroísmo não surte reação no alvo, que direciona seu curso para a tela, ansiando a ingestão de Bonfim. O predador desvanece o terreno ao acelerar a locomotiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;O inventor dispara pela última vez antes de encontrar os trituradores dentes-ceifa saltados da mandíbula imergida, dando o suspiro final ao puxar o gatilho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Distingui a boca alongada e de envergamento curto, idêntico ao crocodiliano asiático gavial. Pele enegrecida e fragmentada, no estilo de uma superfície argilosa seca, onde brotavam estrepes curvas. Inexistência de olhos. Abocanhando Bonfim, a fera submergiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;A arma de fogo é jogada na minha fileira, quatro assentos de longitude. Ajuda divina ou um empurrãozinho para a autodestruição, em todo caso coletei a 9mm.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Desdobra um sossego atormentador. Não ouço a criatura cavoucando ou móveis sendo arremessados. Subo pelos restos da escadaria, correndo até a saída. No negrume, tropeço numa perna desconjuntada, ensanguentando minhas roupas. Quase choro com a terrível surpresa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Um tremor abala as solas dos meus sapatos, se propagando pelo corpo. Tinha ciência do que estava por vir. Abriguei-me em uma poltrona adjacente, comprimindo os membros para camuflá-los. A trepidação sobe de escala, e sinto o impacto. Minha poltrona é lançada no ar, imitando uma cadeira injetável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Voo de embate a uma das paredes laterais do cinema, esmagando minha saúde no concreto da estrutura. Caio debruçado no chão. Não soube dizer se minhas pernas foram quebradas ou se virei paraplégico, meus membros inferiores não respondiam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Checo o pente da arma, restava um cartucho. Uma ironia do destino, me impelindo a explodir meus miolos enquanto era tempo. Aguço meus órgãos ópticos na escuridão. Lá estava a anormalidade, com sua fisiologia ofídica, desenterrada e salivando na minha cara. Talvez pensando que eu estivesse morto, mas logo descobriria. Teria que escolher: balear meu encéfalo ou...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Um violão voador colide na cabeça da assombração, que inverte seu cuidado no ângulo da tela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;- O projetor... – suspirou Plutão, se esforçando para manter o equilíbrio. Gangrenas e diversas mortificações afloravam em seu couro – Atire no projetor!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Olho para cima e vejo o glóbulo luminoso, incidindo seus raios satânicos no quadro. Brando a 9mm, mão e dedo firmes. Foco-me no brilho, só teria uma chance. Atiro. A bala atravessa a máquina, que cisca antes de apagar. Aleluia! Finalmente, sobra só eu e trevas no cinema.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-4607201557894565071?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/4607201557894565071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/3-d.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4607201557894565071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4607201557894565071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/3-d.html' title='3-D'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-1133630318149423806</id><published>2009-06-15T15:10:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T17:43:03.809-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Médico e a Paciente'/><title type='text'>O MÉDICO E A PACIENTE</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Calibri;font-size:100%;"  &gt;Chamam-me Leonardo,  e sou advogado, mas assim como dou para as leis, existem os que dão  para a engenharia, outros para a arquitetura, outros para a literatura  e a escrita... Mas todos nós temos algo em comum, na doença precisamos  de um médico para cuidar da nossa saúde e para nos dar mais anos de  vida. De sorte que o médico pertencente a cada um de nós habita um  lugar muito obscuro, quase sempre muito escondido, no nosso interior.  Mas há tempos atrás, eu descobri onde ele morava.&lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era num casarão  assobradado de palafita no meio da roça, no meio do nada, em que a  energia elétrica não chegava e onde a luz de lá na noite, só existia  quando o clarão da lua penetrava pelas janelas daquele sobrado ou com  as luzes das velas e das lamparinas, que o nosso médico acendia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Certa noite,  ele voltara pra sua casa já tarde da noite com a sua paciente desmaiada  entre os braços. E o desmaio não era casual, aconteceu à base de  muitos calmantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas o nosso  médico não tratava de seus pacientes enquanto eles estavam adormecidos,  pois o seu curso de medicina em seus sonhos durante as suas curtas noites  de sono não lhe ensinou isso, nem tampouco que para tratar dos pacientes,  eles deveriam ter alguma enfermidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Muito pelo  contrário, os seus pacientes deveriam ser tratados enquanto acordados,  e antes mesmo de qualquer moléstia. Pois os tratamentos deles não  visavam proporcionar a saúde que a maioria dos médicos almeja aos  seus pacientes. O nosso médico não via na saúde dos corpos como sendo  coisa positiva. Mas para ele as coisas deveriam funcionar à sua maneira.  Era assim que aprendera nos sonhos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;E começado  o tratamento, a nossa paciente foi deitada em sua maca metálica e resistente  forrada por um lençol branco que não era a comum usada pelos médicos  que geralmente conhecemos, mas daqueles que habitam os nossos subconscientes  e que muitas vezes não temos noção de que tais possam existir dentro  de nós mesmos. Esta era redonda com 4 metros de diâmetro e tinha vários  pares de furos, alinhados como os extremos de uma reta, onde se encaixaria  os membros de seu corpo. Um par para o pescoço, um par para os pulsos  dos braços, um par para prender as pernas pelos tornozelos, um par  para a cintura, um par que ficava mais ou menos entre os peitos e a  cintura e outro para a genitália, caso o paciente da noite fosse um  rapazinho, o que não ocorrera nessa noite. Por cada furinho existia  uma corda onde ela saia por cima da maca, prendia o membro do paciente  e saia por debaixo pelo outro furinho, que no final se amarrava em laços  rígidos e quase impossíveis de serem desfeitos. E assim, o nosso médico  tirou-lha as roupas que eram em tons claros e quase desbotados e os  sapatinhos cor-de-rosa de brilho acentuado, e logo em seguida a nossa  paciente foi fixada naquela maca incomum que só ele tinha, ao lado  de Bonzinho, o cachorro de raça dobermann do médico que estava amarrado  de forma a quase encostar o focinho sobre a paciente para sentir-lhe  o cheiro da carne viva mais de perto. A vestimenta branca do médico  contrastava com a negrura brilhante da pelagem de Bonzinho com a luz  da lua que entrava pela sala e demais cômodos da casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fora tapada  com suas próprias meias enroladas a boca daquela infeliz. Não era  uma, pois não bastaria para que os gritos fossem abafados. Tanto é  que a mão daquele médico teve de primeiro enfiar a primeira meia enrolada  de modo a quase tapar-lhe a epiglote e tirar-lhe o ar. Mas de modo a  não tirar-lhe a vida antes de realizar o seu prazer que seria tratar  de forma peculiar a paciente ainda viva. Pois o prato bom se come ainda  quente. E era assim que o nosso médico pensara desde que as suas aulas  de anatomia com cadáveres gelados ou ainda em formol o enjoaram. Que  se devia operar o paciente ainda acordado e sem auxílios de anestesia...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;A nossa paciente  acordava. Nossa, pois somos parte do pensamento daquele médico, e o  que irá acontecer faz parte das minhas e das suas idéias. O nosso  médico não age apenas por vontade própria, mas guiado pela vontade  mais íntima ou inconsciente de cada um de nós.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;E fora assim  que passadas algumas horas, a nossa paciente acordara. Seus gritos surdos  não atravessavam as meias de sua boca, nem os seus membros poderiam  se mover. O nosso médico fora até a cozinha procurar uma de suas facas  para mais aquela cirurgia que só ele sabia como fazer. A luz da lua  entrava pela janela da cozinha e iluminava-lhe um lado de sua face.  Abriu a gaveta vagarosamente, pegou a faca e voltou até a sua sala  de cirurgia silenciosamente. Mas o nosso médico não gostava de facas  amoladas daquelas de cortar carnes, ele preferia as grandes facas de  serra que muitos usam para cortar o pão, mas que não é muito eficiente  para as carnes. Segundo ele, quanto mais a carne demorasse a ser cortada  melhor ficaria a sua cirurgia naquela que era a nossa paciente!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;O máximo que  a nossa paciente conseguiria fazer era retorcer o pescoço de um lado  para o outro e suar de tensão desesperadamente. Mas aquele médico  sabia que esses atos da vítima pré-cirurgia eram comuns e não demorou  muito para que começasse a exercer o seu ofício. A faca encostou-se  aos mamilos daquela nossa paciente, que não mais poderia chegar a fazer  brotar leite e com as pontas dos dedos polegar e indicador direitos,  o nosso médico erguia os bicos dos seios dela e vagarosamente ia deslizando  a faca em sentido horizontal para frente e para trás de modo a fazer  um trabalho eficiente, e de seio para seio, eles perderam o seu ar de  naturalidade e os bicos dos seios foram jogados ao Bonzinho, que apreciava  os seios como se fossem a entrada do prato principal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;A nossa paciente  estava presa naquela maca e nada poderia fazer a não ser gritar seu  grito que se fazia mudo por causa daquelas meias... Malditas meias que  tentam abafar a dor daqueles que precisam gritar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;E o médico  deslizara para as partes inferiores do corpo daquela moça e como de  costume, começara pela perna do lado direito e com a faca de serra  fazia os movimentos de vai-e-vem sobre o tornozelo de modo a arrancar  dela os seus lindos e delicados pés que só as mais moças poderiam  ter. Do calcanhar direito, ele passou para o esquerdo. A faca não era  das afiadas, nem das de cortar carne, o que dificultava um pouco o trabalho  do nosso médico, assim como a paciência e a agonia daquela moça.  E por que não dizer a agonia de espera do nosso salivante Bonzinho,  que só se alimentava nas noites de plantão de seu dono. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;O sangue vermelho  rubi começou a escorrer e o médio deveria fazer o seu trabalho o mais  breve possível, se bem que a faca não o ajudasse como eu já lhes  mencionei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi a vez do  pulso direito, que era cortado enquanto as pernas sem os pés da moça  se mexiam e se remexiam por vontade da paciente, numa tentativa desesperada  de fugir, mesmo sabendo que se caso conseguisse se soltar daquelas cordas,  pouco ela conseguiria se mover... Afinal, a falta dos pés, a dor que  não era das suportáveis e o líquido avermelhado saindo de suas pernas  poderiam fazê-la escorregar e até mesmo a fazer engasgar com o seu  próprio sangue. O braço esquerdo o doutor deixava para o final.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Do pulso direito,  o medicou começou a cortar pouco abaixo dos joelhos das pernas, num  movimento de vai-e-vem constante que por mais forçado que fosse, era  demorado e desgastante. A culpa era da faca. Enquanto a faca cortava  a carne daquelas pernas e um dos lados que o corte separava teimava  em voltar para trás, o outro resistia em ficar pela frente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;As sobrancelhas  da moça estavam apertadas uma contra a outra ao mesmo tempo em que  a sua testa se fazia em dobras. E os seus olhos, ora arregalados quase  saltando de suas órbitas. Ora fechados, quase colando as suas pálpebras  umas nas outras.  E a expressão da moça ganhava mais uns 20 anos  de idade, que ela não chegaria a ter...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;A força para  o grito embora presente e incapacitada devido aquelas meias que sua  avó lhes dera meses atrás, era agora reaproveitada de modo a tentar  se desfazer daquela dor, seja numa fantasiosa anestesia que o nosso  médico não teria para ela, seja tentando deixar de pensar em tudo.  Mas se a sua força interior não conseguiu produzir um efeito sonoro  de dor, ela também não conseguiu anestesiar, nem fazê-la deixar de  pensar naquele instante...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;E enquanto  os seus cotocos se debatiam sobre a maca lançando sangue a metros de  distância contra as paredes e demais móveis da sala - que o médico  julgava ser a sua sala de cirurgia - e Bonzinho se alimentava com as  partes que lhes eram jogadas, o médico arrancara da paciente as suas  bochechas com a sua faca de serra de cortar pão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então, fora  a vez dos lábios da boca... A paciente já não queria mais viver.  O importante era deixar de sofrer. O necessário agora era morrer...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Seus olhinhos  de moça que estavam fechados foram abertos forçadamente pelo médico.  Ele furou os olhos da paciente e girou a sua faca tanto em sentido horário  quanto em sentido anti-horário, e arrancou-lha as orelhas e o nariz,  que foram arremessados à Bonzinho.  Seus olhinhos não mais poderiam  brilhar, nem demonstrar qualquer sentimento ou emoção... Fosse de  alegria, de terror ou de tristeza. A operação da paciente estava quase  que concluída, e o sorriso no rosto do nosso médico era evidente.  A moça, já sem poder exercer sua expressão facial, fazia o médico  crer na realização pós-operatória dela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ela não demonstrava  sinais de entristecimento, seus olhos estavam furados e mortos. Suas  bochechas rosadas deram lugar a dois enormes buracos em sua face, das  quais se poderia ver as suas meias brancas enroladas. A sua falta de  lábios obrigava-a a mostrar os dentes. Por falta de outras provas,  o nosso médico viu na paciente sinais de grande felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por fim arrancou-lha  a cabeça e o braço dela por inteiro, que foram arremessados a Bonzinho,  que já se alimentava de gula. Picotou-lha o corpo já morto, dessa  vez com o auxílio de uma foice e de uma enxada que buscara em seu porão,  logo depois que a moça havia virado cadáver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Calibri;font-size:100%;"  &gt;A carne se  esfriara e a operação perdera a graça, o nosso médico deixara de  ser médico naquele instante. Quem sabe dias depois ele volte a exercer  a sua prazerosa profissão... E em sua realização profissional curar  também a si próprio, transferindo sua tensão, sua raiva, seu desespero,  suas mágoas, suas angústias, suas desilusões e suas tristezas aos  seus pacientes. Que na cura deles, curava mais a ele mesmo.  Assim  se fazem os médicos...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-1133630318149423806?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/1133630318149423806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/o-medico-e-o-paciente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1133630318149423806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1133630318149423806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/o-medico-e-o-paciente.html' title='O MÉDICO E A PACIENTE'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-8384733958370492980</id><published>2009-06-15T14:58:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T15:09:57.753-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerras'/><title type='text'>GUERRAS</title><content type='html'>I. Além do calor repentino — que surgia do nada, parecendo rastejar pela fenda da porta —, havia ainda o choro irritante do filho. O homem queria saber aonde fora parar a fatia do seu amor pelo bebê. Digo, pois não era a primeira vez que pensava — e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;considerava&lt;/span&gt; — a morte do filho como único modo de calá-lo, porque se tornava quase impossível ouvir qualquer coisa em seu rádio, quando o garotinho decidia armar um berreiro. Pelo amor de Deus, ele não sabia como aquele rádio era simplesmente importante! De vez em quando, a execução do plano apetitoso que via em sua mente consistia em afogar o pranto da criança debaixo da superfície fofa de um travesseiro; afogar as suas lágrimas e todo o resto que ficasse no caminho da almofada. Se havia após o pensamento o aflorar de sublevadora culpa? É claro que sim, porém foi mais forte nas primeiras semanas. A culpa, por sua vez, fora agora arrastada fora do carpete de suas idéias germinantes, feito um indesejável móvel pesado, e substituída pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;plausibilidade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mas antes que você crie uma imagem precipitada do pai, esse lampejo revoltante só causava sombra na sua cabeça quando o choro do filho tornava-se irritante e perigoso — no fim das contas, amigos e vizinhos, o pobre judeu holandês e sua família escondiam-se dos soldados alemães! E qualquer rumor que os pudesse denunciar, qualquer ruído, qualquer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nada&lt;/span&gt;, o instinto dizia que ele deveria ser suprimido. E passado o berreiro, o homem procurava desintegrar a idéia; odiando-se pelo grau de perversidade que ela continha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era inegável que grande quantidade da sua angústia corrosiva vinha dos alemães. Quando Hitler subira ao poder, por volta de 1930. Em 1943, a S.S. mandara uma carta ao holandês, convocando-o para o trabalho numa fábrica de Munique, na Alemanha. Sabia ele no que acabaria: ele e todos os judeus que recebessem seus chamados seriam deportados a campos de concentração. Então, em uma semana, ele e a família já estavam instalados em cima de um consultório dentário, que pertencia ao dentista e amigo da família, Dr. Frencken. Escondidos, comendo sobretudo batatas e o que quer que a misericórdia dos amigos que sabiam onde se metiam os quisesse dar. Mas o que prevalecia era a maldita batata, claro. Havia um barril gordo só de batatas — muitas delas esverdeando-se em sua podridão em andamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A inflação e a certeza de que nela afogar-se-iam seus investimentos. Fora do mercado negro, meia libra de carne na Holanda quase alcançava o preço de 300&lt;span style="font-style: italic;"&gt; florins&lt;/span&gt;. A intervenção inglesa que, com o tempo, parecia se tratar não mais do que puro sonho. Batatas podres. Um esconderijo onde as luzes deveriam ser apagadas antes das seis, a fim de afastar qualquer suspeita na vizinhança. Um filho que sabia ser desagradável. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;calor&lt;/span&gt; misterioso (não podia apenas se tratar do verão. Seu calor não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;despenca&lt;/span&gt;, como despencava este aqui). Um casamento já em avançado estado de decomposição, exalando todos os gases fedidos que um defunto tem o direito de exalar. Coisas demais para uma cabeça que só há pouco começara a ficar grisalha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mas ele ainda tinha o seu rádio. E a BBC. E mesmo sabendo que era muita imaturidade de sua parte, esperar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;salvação&lt;/span&gt; da parte dos ingleses era única alternativa que lhe restava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Por isso, toda tarde arrastava para perto do aparelho uma cadeira, dobrava os braços espaçosamente sobre a mesa e deitava o queixo em sua superfície de madeira. Deixava os alto-falantes transportarem-no em suas esperanças cremosas. Esquecia-se da família e que se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;enterravam&lt;/span&gt; num buraco escuro — às vezes, via-se deslizando os dedos nos contornos do rádio, nos sulcos laterais dos botões e absorvido pela luminosidade amarelo-âmbar alienígena do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dial&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mas hoje, porém, de uma só vez, o filho chorou e aquele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;calor &lt;/span&gt;fantasma o atingiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Oh, Deus, como seria bom poder acabar com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;as duas coisas&lt;/span&gt; juntas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II. A mulher correu tomar nos braços o filho que chorava — sabia como o marido ultimamente tornara-se irritável com pouca coisa. Nas circunstâncias atuais, seria compreensível uma alteração brusca nos ânimos; ela estava de acordo, quanto a isso. Mas nada explicava o comportamento explosivo dele, o qual ela nunca poderia imaginar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;habitando&lt;/span&gt; em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu próprio&lt;/span&gt; corpo. A mulher não viu tanto transtorno estagnado nem quando ele recebera da S.S. aquela carta: o esposo pareceu mais triste que irado. No entanto, todo o resto podre despontou após sua obsessão em ouvir aquele rádio — de fato, ela não o via somente ouvindo, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;devorando&lt;/span&gt; aquela porra mecânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Correu, e se viu surpresa por constatar como o calor em nada influenciava sua pressa. Pegou o garoto nos braços — era tão pequeno e desprotegido, para um bebê de ano e meio —, e ao analisar o porquê de sua pressa, quase se colocou a chorar também. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Oh, Deus! Por que o Senhor permitiu que os sentimentos dele por nós esfriasse dessa forma? Não bastava já a provação de uma guerra, bombas explodindo e sacudindo todo o prédio, e agora nos lança no colo mais este ‘teste de fé?”&lt;/span&gt;, ela se viu pensando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O garoto queria apenas comer — aliás, era hora de todos comerem. Prato de hoje: batatas, alface e espinafre. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Até quando?”&lt;/span&gt;, seguiu outra pergunta mental sem resposta. O suor porejava pontos cor-de-fogo pela testa do menino; gotículas salgadas iluminadas pela luz emitida do rádio. Ela também suava, e logo rodas escuras de suor se formariam em cada braço. Como fizera calor, e tão de repente! Se pudesse ao menos abrir as janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Olhou na direção do marido, e curiosamente parecia não se importar com o calor ou nada à sua volta. O traseiro colado na cadeira e o corpo inclinado para frente, os braços um sobre o outro e a cabeça apoiada no queixo sobre a mesa — e olhos vidrados na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;droga&lt;/span&gt; do rádio. Como ela odiava aquele rádio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Perguntou, hesitante no início:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   — Querido... a Inglaterra pretende inva... — Mas antes que ela terminasse, o homem fez um gesto rápido com a mão, para que a mulher se calasse. Um gesto provocativo, que agulhou o coração da esposa. Ela colocou a criança novamente em seu carrinho de bebê e girou sobre os calcanhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Prepararia só dois pratos, e comeriam ela e o filho. O marido e seu rádio preferido que se fodessem juntos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Basta chorar, e alguém me pega no colo&lt;/span&gt;. Moeder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o faz mais vezes&lt;/span&gt;. Papa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parece divertido com seu brinquedo novo — eu tenho os meus, eles parecem mais legais. Estou com fome. &lt;/span&gt;Moeder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;me empurra para a cozinha. Eu chorei, ela me ergueu, me desceu outra vez e me trouxe para a cozinha. Simples. Às vezes acho que podíamos conversar assim pelo resto da vida: eu chorando, ela me entendendo. Algumas vezes, quero dizer qualquer coisa, do jeito deles, mas só sei resmungar. Isso é chato. É bem chato! Mesmo assim, tenho a impressão de que Moeder é a única que entende os meus gritinhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estou todo molhado; lá perto de&lt;/span&gt; Papa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;está quente, até mais quente que aqui na cozinha... Hum, o cheiro que vem do fogão é gostoso! Já sei o que teremos hoje! Aquela coisa que &lt;/span&gt;Moeder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;amassa até ficar macia! Sim, é bem gostosa! Eu já me esqueci o nome — &lt;/span&gt;Moeder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; Papa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;repetem o dia inteiro... Batata! O nome da coisa redonda que a gente amassa é batata!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu adoro batata!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Como isso todo dia, e não enjôo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Desde que estamos aqui — por que estamos aqui, hein? —, é o que mais comemos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acho estranho aquela garota não comer nada do que &lt;/span&gt;Moeder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;faz. Tem um cheiro tão bom!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A menina de &lt;/span&gt;vestido escuro&lt;span style="font-style: italic;"&gt; sempre chega quando faz calor.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu não escuto nenhum barulhinho, só vejo quando ela já está aqui com a gente. Ela não é minha amiga. Tenho medo dela, na verdade... Hoje, ela chegou e não saiu de perto da janela. E, como faz sempre, trouxe com ela este calor.&lt;/span&gt; Papa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; Moeder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não conversam com a menina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que ela carrega junto o calor? Por que meus &lt;/span&gt;Ouders &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não falam com a menininha, como se não a enxergassem? Eu a enxergo, e ela é bem branca. Da cor da camisa de&lt;/span&gt; Papa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Huuum, deixa isso pra lá, &lt;/span&gt;Moeder&lt;span style="font-style: italic;"&gt; já amassou minha batatinha e vem trazendo pra mim!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Meus papais são tão bons, eu gosto muito deles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV. Quando se está enclausurado, que acontece&lt;span style="font-style: italic;"&gt; lá fora &lt;/span&gt;aos poucos passa a influenciar menos&lt;span style="font-style: italic;"&gt; lá dentro &lt;/span&gt;— e num instante, começamos a ver o exterior como outro universo, espaço deslocado e inalcançável. Assim era com a família Philips. Alexander Philips não desgrudava o ouvido de um rádio: mal vestido, não tomava banho ou fazia a barba há dias. O pequeno Johan entretinha-se com o que tinha em mãos, fazendo até mesmo do objeto mais sem graça um artigo de diversão. Além disso, a menina que passou a ver (vestidinho preto) estimulava a cada dia seu ainda não tão desenvolvido raciocínio. (Só ele a enxergava, e talvez no fundo do seu coraçãozinho pulsante o soubesse.) Já a mãe ficava a julgar quanto tempo agüentaria ver batatas. Marjolein e o marido não trepavam há quase nove meses. Certa vez, a mulher escutara em uma de suas distantes aulas de pintura clássica que não havia terror maior que podar os sonhos de uma criança — não sabia por que escutara &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aquilo ali &lt;/span&gt;exatamente em uma aula de pintura. Mesmo assim, a lembrança ainda não terminara: a mesma pessoa dizia que deste, ou de qualquer outro universo ainda não descoberto, a pureza de uma criança era o elemento mais limpo idealizável, talvez a essência mais deslumbrante composta por um criador (se algum existisse, e isso agora fazia grande diferença à mulher). O pensamento encaixou-se à realidade, e com assombro descobrira que Hitler e sua escória armada faziam isso: decapitavam sem pena alguma o futuro de seu bebê. Cometiam a grave heresia de corromper a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maior pureza do universo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Enquanto pensava, enquanto seu marido absorvia-se ainda mais as emissões roucas de estática do rádio, enquanto o pequeno bebê Philips, comendo suas batatas, podia enxergar aquela garota-fantasma voltada à janela, soldados da Gestapo aproximavam-se do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   De repente, um objeto incandescente voou rapidamente à janela dos aposentos: o coquetel molotov atingiu o vidro e explodiu contra sua superfície fria, mas conseguindo enviar línguas de fogo e muitos cacos para dentro do esconderijo dos Philips. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Há judeus dormindo aqui!”&lt;/span&gt;, uma voz feminina atravessou o buraco da janela quebrada. Sr. Philips teve apenas tempo de se afastar, carregando o rádio debaixo do braço, e então correr para junto da mulher, que alimentava o filho na mesa da cozinha. Esta, por sua vez, já havia notado a coisa toda, e em prantos removia o filho do seu carrinho de bebê. Estavam acuados como ratos, sem saber o que fazer. De início, o correto foi afastar-se das cortinas ardentes e do piso, que começava a ser consumido por aquela alergia alaranjada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   — Não... não vá... não vamos sair daqui! — disse um Alex Philips transtornado e ao mesmo tempo entorpecido pela irracionalidade. Correu e protegeu a mulher e o garoto contra seu corpo: o rádio metido entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   — Tire isto daqui! — Marjolein num tapa com a mão livre enviou o aparelho tagarela contra o piso. Ao quebrar-se, todas suas vísceras faiscantes e eletrônicas se fizeram ver. O marido a fitou com olhos descrentes. — Tente pensar com a cabeça, seu idiota! Tente encontrar uma saída, e esqueça a droga desse rádio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não houve, porém, saída alguma. Agora, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;calor&lt;/span&gt; ali dentro era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;real&lt;/span&gt;. Os gritos furiosos e animalescos vindos da calçada, coisas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“cacem esses judeus porcos!”&lt;/span&gt;, eram reais. O pavor era real. Não. Não ocorrera ao homem solução alguma; e mesmo que quisesse, mesmo que decidisse pensar, os soldados nazistas com um estrondo já haviam invadido o cômodo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Carregam seus brinquedos”&lt;/span&gt;, a mente de Johan &lt;span style="font-style: italic;"&gt;figurou&lt;/span&gt;, divertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Sim. O calor era real. Dessa vez, não invadira o apartamento num sopro sobrenatural, acompanhando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;outra presença &lt;/span&gt;sobrenatural. De alguma forma, Marjolein, levada pelo braço por um dos soldados armados, fez uma conexão entre ambas as coisas: passou a&lt;span style="font-style: italic;"&gt; crer&lt;/span&gt; numa conexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A última coisa que Johan soube naquela noite foi que, enquanto todos eram removidos de seu apartamento, a garotinha de preto já o havia deixado antes. Já no outro dia, a primeira coisa que soube, que discerniu nos lábios chorosos do pai, antes de serem separados e o ver pela última vez, foi:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; “Campos de concentração.” &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-8384733958370492980?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/8384733958370492980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/guerras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8384733958370492980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8384733958370492980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/guerras.html' title='GUERRAS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-7856868751391231121</id><published>2009-06-15T14:48:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T14:53:11.062-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Do Outro Lado do Arco-Íris'/><title type='text'>DO OUTRO LADO DO ARCO-ÍRIS</title><content type='html'>Mariana chegou a casa pelas quatro da tarde. Estava muito frio. Aquele maldito lugar sempre estava frio. Não entendia como seu pai poderia se mudar para tão longe. As vezes é preciso mudar algumas coisas na sua vida para conseguir uma boa proposta de emprego, mas sair de São Paulo para morar na Irlanda era ridículo. Pior que isso, uma menina de 17 anos trocar as noites badaladas da grande São Paulo, para acabar em um vilarejo esquecido por Deus em outro continente. Sua irmã de 14 anos gostava menos ainda da idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Pai? Lu? –Mariana gritava enquanto entrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Oi, irmã! O pai saiu. Falou que ia passar a noite fora para resolver algumas coisas do trabalho. Talvez só volte no sábado. –A menina estava embrulhada em um casaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Novidade. Agora ele só liga para esse trabalho imbecil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Luciana balançou a cabeça, concordando com a irmã. Naquela quinta fazia duas semanas que estavam presas naquele fim de mundo e ainda não haviam feito as pazes com o pai. Mesmo se quisessem não poderiam. O homem não parava mais em casa. O vilarejo era longe de Dublin, local onde ficava seu novo emprego. Além do mais, a casa, em si, era relativamente distante do centro da vila. Não custou caro, estava na medida do que podiam pagar. Um grande campo fazia parte da nova propriedade. O pai acredita que o custo barato do local era pela sua distancia de grandes centros urbanos. Estava errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Advinha só? Tem mais uma brasileira na escola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Sério? –Luciana abria um sorriso no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Aham. Conheci hoje. Conversamos horas! Ela morava no Rio de Janeiro e também veio parar aqui por causa da família. Convidei ela pra passar o fim de semana. O que acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Acho ótimo! Gente nova! Não agüento mais ficar aqui sozinha. Papai ainda não me matriculou na escola. O tédio ta me matando, não tem mais nada de legal para fazer nem na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Relaxa. Amanhã a gente vai se divertir bastante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     As irmãs riram e foram preparar chocolate quente. Conversaram até a noite cair. Combinavam o que iriam fazer no dia seguinte. Talvez explorar os arredores fosse uma opção. A propriedade era grande e não queriam entediar a nova amiga dentro de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Mariana conduzia Débora pelo grande campo que cercava sua propriedade. O ônibus as havia deixado em Mirilin, o pequeno vilarejo próximo a casa das meninas, mas andavam há quase uma hora. Há muito tempo não viam sinal da vila, apenas o verde dos campos e montanhas distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Você anda isso tudo, TODO dia, para ir pro colégio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -O que se vai fazer? Por aqui não passa ônibus, nem tem estrada. E ninguém de charrete da vila aceita me levar ate em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Não sei direito. Pelo que entendi, eles falam que é assombrado. Da pra acreditar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Assombrado? –A menina carioca despontava um sorriso. –Tipo com fantasmas e tudo mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Acho que sim. Não da pra entender direito o que aquelas pessoas falam. Bem vinda a um dos poucos lugares da Irlanda em que só se fala Celta Nativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Você devia comprar um furgão, arrumar um cachorro falante e começar a resolver mistérios! –As meninas riram. Continuaram conversando pelo caminho. A conversa ajudava a ignorar o frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Luciana descia as escadas. Ouvira a porta abrindo e estava esperançosa de ser sua irmã com a convidada. Para sua felicidade estava certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Mariana apresentou as duas e se deram melhor do que se podia esperar. Por quase três horas conversavam sem parar. Falavam de homens, do Brasil, de baladas, de como não gostavam daquele país. A conversa continuou, até que começaram a falar sobre o medo que as pessoas da vila tinham do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     As meninas maiores decidiram brincar do jogo copo. Luciana estava desconfortável, mas participou da brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Débora conduzia o copo disfarçadamente, aprontando respostas. Mariana percebeu e auxiliou a amiga. Em certo ponto da brincadeira, sem que nenhuma pergunta fosse feita, o copo formou uma estranha palavra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     F,O,G,O,V,E,R,D,E&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Mariana não havia entendido a brincadeira da amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Luciana estava pálida de medo. As meninas resolveram explorar o campo, mas a pequena estava muito assustada. As amigas revelaram para ela, entre risadas, que na verdade elas que mexiam o copo. A princípio, a garota ficou chateada, mas depois estava rindo com as outras duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O campo era mesmo muito grande. Já estava quase anoitecendo quando Débora encontrou uma passagem muito estranha. Era ao lado de uma montanha próxima, escondida entre uma parede da montanha e uma grande árvore. A passagem parecia estreita, de forma que apenas uma das meninas a passaria sem problemas. Luciana se esgueirou pelas rochas. Queria mostrar que era corajosa. Quando chegou do outro lado, gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Gente, vem cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Que foi, Lu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Vem Ca, Débora! Só vendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     As meninas entraram na passagem. Ao final dela encontraram um espaço relativamente grande, aonde deveria haver entrada para luz, afinal estava claro como dia. Até mais claro que o lado de fora da. Haviam dois pequenos lagos de onde se formava um arco-íris. Parecia mágico. Aquilo tudo parecia. Como iriam explicar aquilo dentro de uma falha de formação rochosa? Foi Mariana que encontrou um baú, enquanto explorava o novo local. Estava em um buraco entre os dois lagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Venham cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Que isso? –Perguntou Luciana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Parece um baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Vai ver tem tesouro aí dentro- Brincou Débora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Me ajuda a levantar, é pesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     As meninas reuniram forças e conseguiram levantar o baú. Puxá-lo parecia muito mais fácil que ergue-lo. Foi Luciana que o abriu. E, nossa, Débora estava certa. A menina olhou três vezes para a irmã, incrédula. Ouro. Moedas de ouro que pareciam ser da antiga sociedade celta. Algumas aparentavam ser até mais velhas do que isso. Jóias preciosas das mais variadas cores e objetos estranhos e antigos, que com certeza renderiam muito dinheiro se vendidos à um museu. Era verdadeiramente um baú de tesouro. As meninas estavam eufóricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Mas quem deixou isso aí? -Luciana indagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Quem liga? Nós estamos ricas! –Débora exclamou. – Estamos, não é? –Perguntou, se preocupando se as meninas dividiriam o achado, afinal, estava em sua propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Débora, se não fosse você a gente nem tinha encontrado isso. Um terço para cada uma! O pai não vai acreditar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     As meninas levaram o baú para casa. Era pesado. Levaram algum tempo até chegarem a casa. Não o deixariam jogado na sala. Iam passar a noite o admirando. Dividiram seu peso, esvaziando, descobrindo outros tesouros. Anéis com símbolos estranhos, cordões, pingentes, tiaras. A fortuna que teriam seria ilimitada. Ao subir com o baú recolocaram todo o tesouro de volta. Até o baú devia valer muita grana. Concluíram que aquele tesouro devia ter sido escondido por piratas, séculos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A noite prosseguiu. A conversa eufórica continuava. Falavam agora sobre o que fariam com o dinheiro. Falavam ininterruptamente há quase 4 horas. Somente o barulho de vidro se quebrando fez com que as meninas se calassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Que foi isso? –Débora perguntou assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Alguma coisa quebrou. Um prato ou um copo. –Mariana respondia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Será que papai voltou mais cedo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Pai? – Mariana gritou, esperando resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Pai? – Agora era Luciana que se esforçava, mas o silencio novamente foi a resposta ao chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Todas se entreolharam. Fosse o que fosse, não era o pai das duas irmãs que estava ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Provavelmente é só o gato. –Mariana falou, tentando tranqüilizar as companheiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -É. Deve ser. Não devíamos dar uma olhada? De repente ele se machucou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Acho que sim. Alguém quer ir comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Débora e Luciana se olharam. Não disseram uma palavra por quase dez segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Eu vou, Mari. Vocês são as irmãs mais medrosas que já conheci. –Brincou a carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Quer uma bolacha, Lu? Pego quando estiver lá em baixo. –A menina balançou a cabeça negativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Vocês podem comprar uma fábrica de biscoitos agora. –Disse Débora, enquanto descia a escada de mãos dadas com Mariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     As meninas desceram a escada devagar. Se houvesse alguém na sala, poderiam voltar para o quarto e se trancar. Mas não havia ninguém. Quando desceram o último degrau olharam para a porta. Mariana pensou em conferir se a trancaram ou não quando chegaram, mas preferiu não descobrir. O bichano. Quem mais poderia ser? Foi ele quem quebrou o prato. As duas meninas seguiram para a cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Luciana continuou no quarto. Admirava as belas moedas de ouro guardadas no baú. Ainda não havia acreditado no que acontecia. Quem poderia esperar que um tesouro como aqueles estaria esperando para ser descoberto? Quais eram as chances daquilo ocorrer? Certamente era mais fácil ganhar na loteria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Enquanto brincava com as moedas, Luciana percebeu uma estranha sombra se movendo em baixo da cama. Pulou para trás com o susto, mas se sentiu aliviada ao ver seu gato saindo debaixo daquele móvel. Levou alguns segundos para que voltasse a se desesperar. O gato estava ali dentro. Já fazia algum tempo que as meninas saíram do quarto. 5 minutos. Talvez mais. Por que estavam demorando? Ainda que tivessem ido pegar bolachas, não deviam demorar tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Mariana? Débora? –A menina gritou enquanto encarava a porta aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Se dirigiu até o topo da escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Isso não tem graça! –Gritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Voltou para o quarto. 5, 6, 7, 10 minutos se passaram. Luciana começava a chorar. Alguma coisa tinha acontecido. Chorou. Não podia ficar ali. Tinha de ver a irmã. Mariana faria o mesmo por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Desceu as escadas vagarosamente. Cruzou a sala até a cozinha. Girou a maçaneta devagar. Viu sua irmã e Débora, deitadas de bruços no chão. As lágrimas brotaram novamente em seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Meninas? –Sua voz estava trêmula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     De dentro de uma das portas do armário, uma estranha figura saltou em sua direção. Luciana não o observou direito. Gritou e pulou para trás, fechando a porta a sua frente. Correu em direção ao seu quarto, subindo a escada correndo. Tropeçou em um degrau, batendo com a canela em outro. Quanta dor. Ouviu a porta da cozinha abrindo. Se esforçou e foi para quarto mancando. Quanta dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Trancou a porta atrás de si. E se jogou no chão. Não havia telefone no quarto. Apenas na sala, junto com o computador. Olhou para os lados. Não podia fazer nada. O que fora aquilo na cozinha? Era baixo. Muito baixo. Parecia um boneco. Ou uma criança bem pequena. Mas tinha barba. Uma barba vermelha, horripilante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Ouviu batidas na porta. A maçaneta girou, mas a tranca impediu a entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Vai embora! Por favor! – A menina dizia entre soluços. As batidas continuaram. Então arranhões. Arranhões fortes. Um buraco começou a aparecer na porta. Bem baixo, na porta. As unhas daquilo apareceram primeiro. Depois seu braço. Uma manga verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     -Não! –Luciana insistia no choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O buraco aumentou. Uma figura estranha adentrou no quarto. Não era maior do que a altura do joelho de Luciana. Mas parecia um homem. Nunca vira um anão tão pequeno. Vestia-se completamente de verde, com roupas velhas, usando um chapéu pontudo da mesma cor em sua cabeça, no chapéu, estava preso um elegante trevo, mas ao invés das habituais três folhas, havia quatro. Seu rosto parecia irado. Nunca viu tanto ódio em alguém. Luciana ficou muda. O homem se aproximou. Levantando e abaixando a cabeça enquanto andava. Quando estava com a cabeça baixa, sua aparência parecia mudar. Seu nariz ficava maior e mais pontudo, sua pele adquiria uma tonalidade sombriamente roxa. Aquilo não era humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O monstro parou ao lado do baú, pegando um punhado de ouro. Apertou as moedas em sua mão e olhou novamente para Luciana, enfurecido. A menina havia entendido. Haviam lhe furtado o tesouro. Implorou para que o homem levasse de volta. O homem só parecia com mais raiva. Mudava completamente. A pele tornara-se roxa. Seu rosto se desfigurou. O nariz pontiagudo. Suas unhas cresceram. Abriu a boca. Dentes amarelos e afiados. Deus, havia tantos dente. O pequeno saltou em direção de Luciana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Algumas horas depois Paulo chegara em casa. Conseguiu sair mais cedo do trabalho, esperava fazer uma surpresa para as filhas. Ficariam felizes? Ainda que fosse tarde, as meninas não costumavam dormir cedo em uma sexta-feira. Achou estranho. A casa estava tão silenciosa. Tão silenciosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-7856868751391231121?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/7856868751391231121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/do-outro-lado-do-arco-iris.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7856868751391231121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7856868751391231121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/do-outro-lado-do-arco-iris.html' title='DO OUTRO LADO DO ARCO-ÍRIS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-5468259132551260437</id><published>2009-06-15T14:46:00.001-07:00</published><updated>2009-06-15T14:48:00.601-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fobia Dictióptera'/><title type='text'>FOBIA DICTIÓPTERA</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:officedocumentsettings&gt;   &lt;o:relyonvml/&gt;   &lt;o:allowpng/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:Calibri; 	mso-font-alt:"Century Gothic"; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin-top:0cm; 	margin-right:0cm; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0cm; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:Calibri; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Elas estavam ali, ele sabia. Escondidas nos cantos, observando-o, julgando-o e planejando a melhor maneira de atacá-lo. Seus corpos achatados subindo nas paredes ou reunidas em buracos escuros e nauseantes vivendo em colônias e cidades. Até podia ouvi-las! Falando mal dele, murmurando coisas como demônios saídos do inferno ocupando pequenos e nojentos corpos. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Uma lembrança remota martelava-lhe a cabeça. O seu primeiro contato com elas, quando os seus dedos roçaram inconscientemente aquele tórax amarronzado, com asas cobrindo o abdômen segmentado. Ele, num movimento reflexo se agitando e a antena do ser encostando em sua palma e as patas... Oh!As patas! Gritou na hora, correndo para o banheiro, lavando suas mãos que encostaram no inseto viscoso. Sabão, desinfetante, detergente, água sanitária, álcool... o nojo se avolumava&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e a vontade de raspar a pele da mão com uma faca não lhe parecia na hora tão insana.Demorou para sentir-se completamente limpo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;A partir daquele dia a repugnância por baratas o inundou e uma alegórica fobia alojou-se em seu cérebro. Em seu apartamento, inseticidas banhavam os cômodos e superfícies tocáveis. E nenhuma barata&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;jamais o importunou.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Mas agora ele não estava em seu apartamento. E errônea e estupidamente esquecera qualquer inseticida. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E o pavor o dominava.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;A escuridão se instalava no quarto, densa e pesada, no momento em que se dava conta em que enrascada se metera.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele rapidamente pegou uma vela que estava na gaveta da cômoda. Depois pegou um fósforo no bolso de trás da calça jeans que se encontrava na quina da cama, ali guardada para acender seus habituais cigarros. Não se atrevia a afastar os olhos da abundante escuridão que pairava sobre si, temendo que se assim o fizesse algo caísse sobre ele e...&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O estalar e silvar do fósforo quebrou o feitiço perverso, e um pequeno brilho de luz trêmulo afastou a escuridão, levou-o até a vela, acendendo-a e logo depois o candelabro encima da cômoda. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele estava na cama, sozinho e desprotegido, enquanto as baratas mancomunavam contra ele. Tramando coisas a qual não podia defender.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pensou em acender a luz, mas Elas estavam no chão e se pisasse em uma...&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Tremeu.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Tentou dormir, querendo afastar aquilo; sua mente racional tentando derrotar freneticamente o seu crescente terror, lutando para a controlar a situação.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;(Não tem nada!)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Um ruído perto do ouvido.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Virou o rosto não avistando nada.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Começou a rezar, vendo, porém ser perceber seu desespero se alastrando rapidamente como morcegos em uma casa e suas orações se transformando em um misto de palavras sem nexo. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Começou a ouvir o zumbido de uma vespa que batia descontrolada de encontro ao teto, quando sentiu algo roçar em seu cabelo. Tremeu por inteiro e numa ação reflexa levou a mão até lá, tentando afastar qualquer corpo estranho que queria se alojar ali. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Nada novamente.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O coração batia descompassadamente. O peito subia e descia numa respiração entrecortada e assustada. Sentiu outro roçar. Agora no braço. O agitou num movimento descontrolado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Elas estavam ali, sem duvidas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ouviu algo se chocando, como o quebrar de um graveto. Mas aquele ruído não era nenhum barulho normal da noite, não era o som da madeira a estalar, nem dos canos a ressoar. Tinha a certeza que era o esqueleto externo rígido das baratas batendo um contra o outro. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Um frio na barriga. Os olhos agitados. Engoliu saliva e seu pomo de adão subiu e desceu conforme o liquido que escorria goela adentro.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O zumbir da vespa é como um prelúdio.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele suava, não de calor, mas de medo. Puxou a coberta para junto de si numa tentativa tola e infantil de se proteger. Ele se encolheu como uma criança com medo do bicho papão.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O silêncio se instalou. A pausa para o acontecimento clímax.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Até que deu um grito, sentindo um roçar em seus dedos dos pés. Os balançou tentando tirar os seres repugnantes que subiam por ali. Eram baratas! E elas subiam por seus pés, avançando ainda mais pelas pernas, joelhos, coxas... com patas asquerosas e nojentas.Elas estavam ali! E suas sombras se alastravam pela parede. O abrir de asas como anjos. Anjos do inferno.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Fechou os olhos e não queria ver aquelas antenas móveis, longas e filiformes que serviam para identificar os alimentos antes de devorá-los com suas mandíbulas horizontais. Os pêlos nas suas 6 pernas, longas e finas; o corpo achatado permitindo entrar em lugares estreitos; a cabeça cuneiforme, algumas possuíam asas. E os olhos... podia jurar que os olhos eram vermelhos incandescentes. Vermelho sangue.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Aqueles insetos nauseabundos avançavam por seu corpo. E ele se virava e se mexia descontroladamente, tentando impedir que eles subissem ainda mais. Era enlouquecedor ter sua epiderme&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tocada por aquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;(Oh Deus!)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Gritava mais alto, pedindo socorro. Com as mãos batia nas baratas, esmagando-as e fazendo com que seus esqueletos externos se quebrassem e uma gosma verde e branca saísse. E essa gosma tocava sua pele, gelada e nauseante. Vomitou, expelindo uma bílis amarelada que escorria por sua boca e empapava a cama. Sua cabeça, as vezes, encostava&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;vomito&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tendo sua face inteiramente molhada pelo liquido desagradável.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;As baratas vinham debaixo de sua roupa, eram dezenas, centenas, milhares...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Algumas tentavam entrar em seu anus, avançando&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pelo reto. Outras ainda forçavam a se introduzir no buraco do seu pênis, entrando pela sua uretra.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E o pavor deu lugar a dor.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele olhou para baixo não avistando nada abaixo da cintura, era como se tudo tivesse desaparecido, mas não, eram as baratas que o cobria semelhante a um cobertor marrom-escuro que avançava cada vez mais, sendo iluminadas pela luz amarelada da vela acesa.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E tudo isso era acompanhado pelos barulhos repugnantes que aqueles insetos faziam, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;os exoesqueletos se chocando, as garras arranhando, as asas farfalhando.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O horror. O sofrimento. A dor. A vertigem. O desespero. Tudo se misturava dentro do âmago de seu ser, se mesclando e corroendo sua sanidade. Correndo ele próprio.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;As baratas alcançaram sua barriga, o seu peito, os seus braços, os seus ombros, a sua face... e elas subiam pelo queixo e entravam pelas criaturas nojentas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele tentava cuspi-las, sua língua passando nos corpos asquerosos delas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Então ele começou a morde-las, fechando a boca e mastigando-as. A gosma verde e branca era acompanhada pelas patas e cabeças das baratas &lt;st1:personname productid="em pedaços. Mas" st="on"&gt;em pedaços. Mas&lt;/st1:personname&gt; eram tantas...&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E ele vomitou de novo perante tamanho asco, o vômito grudando na garganta, impedido de sair por causa dos insetos que ali se alojaram. Ele estava se asfixiando e numa tentativa desesperadora de sobreviver, engoliu tudo. Num trago só. As baratas mortas e o vômito. Depois fechou a boca novamente, não se importando com o gosto pavoroso. Mas, mais baratas tentavam entrar ali, e ele conseguia impedir e chorava e não conseguia.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E elas entraram.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;E invadiram toda a boca e avançavam indo goela adentro, pela garganta, pela faringe... e elas também tentavam entrar pelo nariz, tapando as narinas completamente.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele não conseguia&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mais respirar. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Agora, as baratas tapavam-lhe os olhos molhados pelas lagrimas e iam cobrindo inteiramente sua face, toda a cabeça. A dor... e então ele soube mais do que nunca que certamente iria morrer.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;As baratas cobriam completamente sua pele, pisando nele com suas pequenas garras e patas. Elas e ele, ali, formando um só. Uma massa informe, amarronzada e abominável.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele deixou-se ficar assim, pois nada podia fazer ou podia protegê-lo, nem o cobertor, nem a luz, nem a vespa, nem nada.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E quando a chama da vela se apagou, afundando em sua própria cera, as baratas ainda estavam ali, dando seu ultimo abrir de asas angelicamente diabólico; as baratas e o frio da morte.&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 115%; font-family: georgia;"&gt;O terror é como uma bomba, se não explode, não serve para nada.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-5468259132551260437?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/5468259132551260437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/fobia-dictioptera.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/5468259132551260437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/5468259132551260437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/fobia-dictioptera.html' title='FOBIA DICTIÓPTERA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-195648593755767918</id><published>2009-06-15T14:40:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T14:42:31.477-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apunhalada pelas Costas'/><title type='text'>APUNHALADA PELAS COSTAS</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Depois da apunhalada  pelas costas que levou dos seus, até então, amigos, Hernandes prometeu  a si mesmo se vingar: – Isso não vai ficar assim! Vão se arrepender  até a morte. E ele não estava brincando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Traçou um plano um tanto  quanto mirabolante, maquiavélico: a primeira FestHorror - uma festa  à fantasia tipicamente horripilante, numa chácara bem distante de  tudo e de todos, convidando especialmente os quatro amigos da onça:  Hidelbrando, Mariana, André e Mari. Achando a ideia extraordinária,  prontamente confirmaram presença naquela noite fatídica de sexta-feira  13.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Aquele que era para ser  o dia festivo, o dia “D”, acordou extremamente merencório, sob  as trevas, envolto por raios e trovões rasgando e faiscando os céus,  ventanias e tempestades gelando e arrepiando a pele. O clima perfeito  para a trágica FestHorror, esclipsado por um gigantesco manto negro  que encobria, de ponta a ponta, toda a cidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Apesar de tudo – árvores  partidas ao meio, casas destelhadas, famílias desabrigadas, enchentes,  veículos arrastados pelas águas, fios de energia elétrica arrastando  como cobra pelas calçadas e ruas – a empolgação era tão grande  que todos estavam mais preocupados é com a fantasia que iam vestir  do que com o tempo que fazia lá fora. Que trash! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Chegado o grande momento,  nenhum dos amigos de Hernandes imaginava o que estava para acontecer.  De carro, seguiram para a chácara já entornando o caldo durante o  percurso e, lá chegando, amaram “de paixão” o que viram: um casarão  completamente em ruínas, abandonado, às traças, empoeirado, cheio  de teias de aranha, ideal para aquele que seria um memorável e horripilante  acontecimento. Mal sabiam que Hernandes havia preparado, literalmente,  a cama de cada um deles, já que haviam combinado dormir no local para  que, no dia seguinte, curtissem, passeassem à vontade e conhecessem  a região. Se é que realmente haveria o dia seguinte...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O som pegando pesado,  comandado pelo próprio Hernandes; bebida vai, bebida vem e eles nem  aí com o fato de que não tinha mais ninguém naquela festa além dos  cinco: Hernandes, Hildebrando, Mariana, André e Mari. Talvez estivessem  pensando que foi por causa do temporal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Passaram duas, três  da manhã e a birinaite ainda continuava rolando solto.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#ff0000;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Rolando também estavam os dois casais amigos  de Hernandes pelos cantos escuros da casa. A libido exaltada, os beijos  gosmentos e exagerados, os corpos em brasa se entrelaçando, os dois  jovens penetrando pelas teias adentro das aranhas das suas amadas. Cada  movimento era meticulosamente observado pelo sóbrio e rancoroso e ardiloso  Hernandes, que pensava com seus botões: – Vocês me pagam. Me aguardem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De repente, o vai-e-vem  das biritas cessou simultaneamente ao som. Batendo palmas tresloucadamente,  Hernandes grita: – Galera, galera, é melhor a gente ir dormir.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Amanhã,  digo, hoje o dia promete.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vamos lá para os nossos quartos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eufórico e inebriado  e tropeçando nos próprios pés, Hidelbrando grita: Uhhhhúúúú!!!!  E completa: o último que cair na cama faz o café da manhã; puxando  rapidamente Mariana pelo braço. Para não ficar atrás, André faz  o mesmo com Mari.  E lá se foram eles – correndo e cambaleando e  sorrindo e falando asneiras – para aquele que seria o sono eterno,  o sono de morte, pois Hernandes, vingativamente, trocara as tradicionais  camas confortáveis e macias pelas tenebrosas de faquir, onde seus mais  de quatro mil pregos longos e pontiagudos, cobertos por um fino lençol  branco, cuidaram de cada um deles, perfurando o coração de Hidelbrando,  o pulmão de Mariana, o estômago de André, os olhos de Mari.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-family: georgia;font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;E o sábado despertou  tétrico, lacrimejando sangue, velado por Hernandes que, rodeado de  coroas de flores e homenagens, disfarçou muito bem a sua alegre angústia  pela perda dos grandes e queridos e bons amigos. Entre aspas, uma verdadeira  e deliciosa dor de prazer pelo que fez.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-195648593755767918?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/195648593755767918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/apunhalada-pelas-costas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/195648593755767918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/195648593755767918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/apunhalada-pelas-costas.html' title='APUNHALADA PELAS COSTAS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-3774739235765857188</id><published>2009-06-15T14:36:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T14:40:02.013-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inocência Deturpada'/><title type='text'>INOCÊNCIA DETURPADA</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Uma pacata família  da cidade de Belo Horizonte, assistia ao “Jornal Nacional” tranquilamente.  Bocejavam muito, já haviam se acostumado a assistir várias reportagens  sobre crimes violentos. Nada mais os chocavam desde então.    &lt;/span&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Jorge então chegou,  cumprimentando a todos com seu visível cansaço, típico de um pai  de família que sempre trabalhou para sustentar sua esposa Mônica,  e seus filhos de oito e 12 anos de idade. Sentou ao sofá, perto de  sua mulher. Assistiam a todas as cenas de violência do noticiário,  com uma frieza conflitante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Alguns minutos se passaram,  o apresentador do telejornal falara com grande espanto que a cidade  de São Paulo estava sendo completamente destruída por crianças de  cinco a dez anos de idade, estas crianças estavam matando seus pais  e familiares, e a todos que viam pela frente. Nem os policiais estavam  conseguindo conter essas atrocidades. Jorge ficara pasmo, pois havia  poucos fatos que o fazia surpreender-se atualmente:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Que horror! – balbuciou,  com a voz falha e rouca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Devem ser esses pivetes  que não tem mãe. Você é muito idiota de se chocar com esse tipo  de situação, francamente. – disse Mônica, pilheriando de seu marido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Tinha na voz sempre  uma constante arrogância, e nunca perdera a oportunidade de humilhar  o marido, principalmente na frente de vizinhos. Jorge, por sua vez,  sempre foi completamente submisso a mulher. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Inesperadamente, eis  que uma explosão devastadora fluiu em seus ouvidos, acompanhadas pelas  cenas da TV. Havia um repórter filmando tudo escondido, em tempo real,  e perceberam que as crianças agiam como loucas. Neste exato momento,  a cena mostrava os pivetes jogando bombas de fabricação caseira rumo  aos policiais, que tentavam detê-los utilizando inutilmente de bombas  de gás lacrimogêneo. A cena era espantosa, viam-se crianças de idade  primária portando facas, objetos cortantes e até mesmo revólveres. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Mônica olhava tudo  aquilo absorta, e gritou com seus filhos:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Breno! Denílson!  Vão já para a cama! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Denílson sentira medo  de sua mãe, e saiu arrastando seu irmão mais novo para o quarto. Mônica  tinha receio que aquelas cenas viessem a influenciar seus belos filhos,  sentiu uma angustia profunda assim que as viu. Estava ciente de seus  próprios defeitos, mas em compensação sempre foi uma ótima mãe,  e orgulhava-se disso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Mônica e Jorge continuaram  assistindo as cenas, e notaram com repulsa a crueldade daquelas crianças.  Na tela, viram uma pequena garotinha, que devia ter por volta de sete  anos de idade. Tinha cabelos louros, olhos de um negro frio e profundo,  e sorria para a câmera, tentando simular uma inocência infantil, o  que lhe era impossível. Parecia que esta pequena criança sabia o foco  perfeito da câmera do repórter, sorriu de forma demoníaca, e olhou  para os lados, avistando um pequeno cãozinho vira-lata, passando do  lado de suas pernas. Com uma rapidez sobrenatural, a garota pegou o  mirrado cão, acolhendo-o em seus braços. Acariciou-lhe a cabeça com  calma, pegou uma pequena adaga que estava no bolso de seu lindo vestido  cor-de-rosa, sorriu para a câmera com uma tremenda perversidade no  olhar, e fora cortando aos poucos a jugular do cão, em sua lâmina  mortal. O doce cãozinho grunhia de dor, retorcendo-se compulsivamente,  lambia a minúscula mão da garotinha, implorando por sua vida. A criança,  por sua vez, deliciava-se com a dor do pobre animal. Quando decepou  o cão finalmente, olhou com um estranho brilho no olhar para a câmera,  e pegou a cabeça deste ser inofensivo, jogando-a com agressividade  na lente da filmadora. Olhando para a TV, estagnados, Mônica e Jorge  viam neste momento um mar de sangue em sua tela, poderiam notar a estranha  coloração dos olhos da diabólica garotinha, se não estivessem perplexos  em meio ao rubro que se instalara na transmissão.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  A mulher, imediatamente  desligou seu televisor, jogando o controle remoto a uma longa distância.  Sentiu-se zonza e com o estômago revirado, vomitou em meio ao carpete  da sala de estar. Chorava muito, de uma forma descontrolada, sentia  revolta de ter visto tudo aquilo há segundos atrás. Jorge segurou  seus ombros com cautela, guiando-a ao quarto do casal. Não falavam  absolutamente nada, apagaram as luzes, deitando-se logo em seguida.  Sabiam que não dormiriam esta noite, por mais que tentassem se distrair.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Os dias arrastaram-se  pesarosamente, o casal nutria olheiras nítidas e profundas. Após a  aberração que viram na TV, não conseguiram mais dormir em paz. E  quando tentavam, eram tomados por escabrosos pesadelos, que muitas vezes  os fazia acordar ao meio da noite, com gritos tensos e sufocados. A  partir deste dia, o noticiário noturno fora abolido de suas vidas,  de forma brusca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Certo dia, Denílson  voltara da escola. Ao cair à noite, ligou a TV da sala, com o seu simples  caderno escolar em mãos. Neste momento passava o noticiário das 20  horas, e Denílson anotava algo com extrema atenção. Sua mãe dirigiu-se  ao cômodo em que ele se encontrava. Percebera que o jornal neste momento  relatava os casos da estranha devastação infantil no Brasil, e foi  tomada por uma fúria insana. Aproximou-se ofegante do televisor, derrubou-o  no chão, e esbravejou com filho:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Já disse que não  quero ninguém aqui assistindo a esta droga de TV nesta hora, não disse,  seu moleque?! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Mamãe, você está  louca? Era só um trabalho escolar. – falou o garoto, totalmente atordoado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Mônica começou a chorar  compulsivamente, batendo suas mãos na poltrona em meio à cólera.  Por fim, calou-se, absorta em sua própria loucura. Depois deste dia,  compraram outro aparelho, mas Denílson sequer o ligou. Tinha medo dos  atos de sua mãe. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Algumas semanas depois,  Mônica notou que seu filho Breno espirrava muito e vivia com entupimentos  em suas narinas. Teve medo de ser a rinite alérgica o atacando novamente,  pois sabia que o filho já tivera sérios problemas com isso. Levou-o  ao médico, porém este não constatou nada de anormal em relação  ao garoto, disse que seu filho estava totalmente saudável. Porém Mônica  notara que bastava o filho pisar no consultório médico, que seu nariz  parava abruptamente de ter corrimentos, porém logo ao sair, este mal  voltava de forma mais intensa que antes. Temia muito por seu filho,  que piorava ao longo do tempo, chegando até mesmo a sangrar pelo nariz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Nesta mesma época,  tomara conhecimento que a devastação das crianças, que havia sido  transmitida pela TV, chegara finalmente em BH. Não ligava mais o aparelho  para absolutamente nada, proibira seus filhos de irem até mesmo a escola,  tendo em vista que a destruição estava mais pavorosa a cada dia que  se passava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Certa vez, estavam todos  tranquilamente em casa, quando ouviram um barulho ensurdecedor de crianças  gritando pelas ruas. Distinguiram alguns sons, que lhe pareceram ser  fortes pancadas contra alguém. Apavoraram-se de imediato, correram  rumo à cozinha, e abraçaram-se fortemente. Mesmo com todas as diferenças,  amavam-se muito, e não queriam que ninguém desta família acabasse  como a pessoa que certamente fora morta neste exato momento, em meio  às ruas daquele lugar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Um silêncio sepulcral  predominara depois de alguns minutos, sentiram-se um pouco mais aliviados,  e caminharam todos em direção à sala de estar. Quando ouviram uma  batida na porta de casa, sobressaltaram-se imediatamente. Jorge olhara  de soslaio para Mônica, os olhos de ambos lacrimejaram, em meio ao  sofrimento de perder um ao outro. Neste momento, abraçaram-se com fervor.  Mônica jurava pra si própria, que caso sua família se livrasse de  tudo isto, amaria seu marido, como o amou um dia, em sua remota juventude.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Jorge desvencilhou-se  de sua esposa, indo em direção a porta de sua casa. Mônica o implorou,  com lágrimas em seus olhos:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Não, por favor!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Seu marido abaixou a  cabeça, e continuou a caminhar para a entrada da residência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Jorge abriu a porta  vagarosamente, olhando apenas pela fresta da madeira rústica e desgastada.  Por fim, abriu-a completamente. Era Lígia, uma senhora evangélica,  amiga de Mônica de longos anos. A mulher adentrou a casa, completamente  ensandecida, balbuciava efusivamente palavras sem nexo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - É o Apocalipse que  chegou, na TV falaram que são alienígenas... Mas eles têm os olhos  roxos! São discípulos de Satanás! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Os olhos de Lígia esbugalhavam-se,  demonstrando sua insanidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   - São elas, as crianças...  Mas não são crianças, são servos de Satanás! Eles matam suas próprias  famílias! Mataram meu marido agora, a facadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Lígia chorava muito,  e Mônica estava abismada. Por fim, ouviram-se os barulhos dos gritos  das crianças novamente, aproximando-se cada vez mais do local. A confusa  senhora demonstrava seu total estado de pavor, quando olhou para todos,  dizendo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  - Devem ter me visto  entrar aqui, e querem me matar também! Ó meu pobre filho, possuído  por esses infelizes! Vamos fugir agora daqui, tenho uma casa que está  pra alugar, é na rua próxima a esta!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  A senhora tomou partido,  guiando a todos pelos cômodos da casa de seus vizinhos, que já conhecia  como a palma de sua mão. Todos os outros temeram o que Lígia disse,  e seguiram-na rumo à janela do quarto das crianças, na qual havia  uma saída para a outra rua. Pularam para fora da casa, e logo ouviram  as crianças adentrarem o local com total fúria, que se assemelhava  a uma manada de elefantes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Correram durante um  longo tempo vendo diversas formas que se assemelhavam a naves espaciais  no céu, lançando seus raios multicores rumo ao solo, causando devastação  total. Viam crianças pelas ruas matando as pessoas cruelmente, com  uma psicopatia abominável. Temiam serem mortos por esses seres, que  jamais poderiam ser chamados de crianças. Eram monstros frios e calculistas.  A multidão de carros e pedestres que tentavam salvar-se, correndo pelas  ruas, era imensa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  De forma milagrosa,  todos chegaram ilesos à casa da velha senhora, que adentrou ao local,  trancando a porta logo em seguida. Parecia que haviam passado despercebidos  aos “demônios” que estavam à solta nas ruas. Estavam todos em  estado de pânico. Lígia contou a eles que a antiga moradora desta  casa havia sido morta, logo quando estas estranhas criaturas possuíram  as crianças do local. Entregou um jornal impresso para que Mônica  pudesse ler, e logo na primeira capa estava escrito em grandes dizeres  CRIANÇAS DOMINADAS POR ALIENÍGENAS ATACAM A TODOS. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Assim que viu a notícia,  lançara com as mãos trêmulas o jornal em uma pequena poltrona. Teriam  que lutar muito para conseguirem sair vivos desta cidade. Todos se olhavam  espantados, ouvindo as sonoras gargalhadas sádicas das crianças, tirando  a vida de pessoas inocentes do lado de fora. Ouviam diversos sons semelhantes  a raios chocando-se de forma avassaladora a algum lugar próximo a esta  rua. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Ao passar do tempo perceberam  que estes maléficos sons tornaram-se escassos, e foram deitar-se. Mesmo  sabendo que não conseguiriam dormir, teriam que fugir daquele local  no dia seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Na casa, havia um quarto  para cada um. Mônica deitara-se abraçada ao marido, este a acalentou  carinhosamente, fazendo-a dormir em seguida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  No decorrer da madrugada,  Mônica acordara e notou que seu marido já não estava no leito. Dirigiu-se  a cozinha para beber um copo d’água, e ouvira uma movimentação  no quarto em que estavam seus filhos. Caminhou em direção a este cômodo,  ascendendo às luzes em seguida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Não havia meios para  conter seu espanto, viu quase todas as pessoas daquela casa mortas de  forma vil, caídas ao chão do quarto, completamente ensangüentadas.  Mas ainda havia um sobrevivente, era Breno. Estava de costas, e virou  seu rosto em direção a sua mãe, vendo-a em prantos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Duas grossas lágrimas  caíram dos olhos de Mônica, quando viu seu filho sangrando pelo nariz,  e portando uma faca em mãos. Seus olhos tinham uma estranha coloração  violeta. Finalmente entendera sobre o que sua velha amiga lhe falou  sobre o olhar das crianças. Mas era tarde demais, sabia agora que os  segundos de sua vida estavam contados, e rendeu-se ao fatídico destino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-3774739235765857188?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/3774739235765857188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/inocencia-deturpada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3774739235765857188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3774739235765857188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/inocencia-deturpada.html' title='INOCÊNCIA DETURPADA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-8593250751590566571</id><published>2009-06-10T21:00:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T21:02:48.360-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Penitência'/><title type='text'>PENITÊNCIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Padre  Alencar acordou no meio da noite. Coisa difícil de acontecer. Seu sono  era pesado. Preguiça era um dos seus pecados, mas não o único. Ele  saiu do seu quarto seguindo os passos que o fizeram despertar. As luzes  não acendiam, então ele pegou uma velha lanterna na cômoda e a colocou  no bolso do pijama que usava. Estava frio e seus ossos reclamavam enquanto  ele caminhava. Passou pela sacristia, pelo altar e parou no meio da  capela. As velas dos castiçais estavam acesas. Não por ele, já estava  assim quando chegou. Devia ser estranho, mas não era. Ele se sentia  como em um sonho, onde mesmo o que não fazia sentido parecia normal.&lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então,  de repente, ele não ouvia mais os passos. Mas sim, um chiado que ecoava  pela igreja toda.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Aqui, padre –    disse uma voz grave.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então  toda a áurea de sonho desapareceu e padre Alencar sentiu medo. As velas  se apagaram e o local foi tomado pela escuridão. Ele tirou a lanterna  do bolso e a acendeu com suas mãos trêmulas. O feixe de luz passou  por alguns instantes pelas paredes igreja, iluminando as imagens dos  santos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele  viu aqueles rostos esculpidos em barro e eles pareciam observa-lo, como  uma platéia de uma tragédia grega. Rostos serenos e nada reconfortantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  chiado continuava ecoando.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Quem está aí?    – perguntou padre Alencar. – Vou chamar a polícia – ameaçou    ele.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Aqui, padre. Não    vou chamar de novo – respondeu a voz, autoritária.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Padre  Alencar apontou a lanterna em direção ao confessionário.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- O que você quer?    – perguntou ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ninguém  respondeu. O Padre caminhou até lá. Pelas frestas da estrutura de  madeira viu alguém se mexendo lá dentro. Ele entrou no confessionário  e apontou a lanterna em direção da pessoa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-Apague isso –    disse o homem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  luz iluminou o interior do confessionário por apenas um segundo, ou  talvez menos. Mas Padre Alencar viu o rosto daquele homem. Era branco  como cera e havia insetos onde deveria haver pelos. Seu cabelo, suas  sobrancelhas e a barba eram amontoados de coisas que se mexiam e chiavam.  E mesmo com todo aquele adorno repugnante, padre Alencar o reconheceu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ouça minha confissão,    padre. Depois me dê a penitência justa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então  o padre desligou a lanterna e se encostou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Durante  os minutos seguintes ele ouviu algumas histórias. Um menino forçado  pela mãe a ir à igreja. Ele chorava, mas não dizia por que tinha  tanto medo. Sua mãe bateu nele e o obrigou a ir. Atrás da capela um  seminarista o colocou no colo e o beijou, apertando sua cintura magra  com suas mãos fortes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Outro  caso era o de um menino pobre que cuidava do canteiro da igreja para  ajudar sua mãe doente. Um dia, o novo vigário da paróquia bateu nele.  Um soco forte que cortou seu supercílio. Isso por que o menino mordeu  seu pênis, quando, sufocado, tentou de tira-lo de sua boca pequena,  de criança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ainda  escutou outra sobre outro menino que bebeu vinho pela primeira vez e  pegou no sono. Acordou de bruços, por baixo do velho padre que o batizara  e lhe tinha dado a primeira comunhão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Padre  Alencar lembrava-se de cada um dos meninos. Mas quando sua mente voltava  no tempo e revia os acontecimentos narrados pela voz daquele homem,  os meninos tinham rostos diferentes. Seus cabelos, suas sobrancelhas  e seus ralos pêlos pubianos eram amontoados de coisas que se mexiam  e chiavam.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-Qual é minha penitência,    padre? – perguntou a voz grave.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  velho vigário abaixou a cabeça, como fazem os derrotados. Foi quando  sentiu algo subindo pelas suas pernas e, assim que ergueu a batina,  viu centenas de formigas subindo pelas suas canelas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Que penitência    merece a tentação em pessoa? Estou curioso – disse a voz, sem disfarçar    o sarcasmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Padre  Alencar abriu a porta do confessionário e correu sacudindo sua batina.  Agora eram abelhas que pousavam em sua cabeça e grudavam nos poucos  cabelos que lhe restavam. Algo úmido saía pelos seus ouvidos. Ele  enfiou os dedos nas orelhas e puxou minhocas do tamanho de crucifixos  de dentro delas. Ele cuspiu uma, duas, e então, várias aranhas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Vá em paz, eu gostaria    de dizer. Mas não posso – disse o homem, parado arás dele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Novamente  da capela estava iluminada pelas velas. E padre Alencar pôde ver os  rostos de todos os santos. Ele implorou por ajuda, mas a única coisa  que ouviu foi um som que parecia um bater de asas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em  sua agonia para se livrar dos insetos, tropeçou em um dos bancos de  madeira e caiu. Seu braço direito tentou segurar em um dos castiçais,  mas vacilou e padre Alencar caiu de cara no chão. Sua vista escureceu  aos poucos e antes de ser dominado pela escuridão, gritou para os céus  jurando arrependimento e pedindo por perdão. Mas ele soube que não  tinha sido ouvido, assim que uma enorme nuvem de gafanhotos invadiu  a capela, quebrando as vidraças, e voando em sua direção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Padre  Alencar teve um derrame naquela noite. Assim contam os médicos. Ele  foi enterrado no cemitério que fica atrás da igreja. Em sua sepultura,  o epitáfio diz que ele foi “um bom pastor para seu rebanho”. E  assim ele será sempre lembrado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-8593250751590566571?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/8593250751590566571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/penitencia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8593250751590566571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8593250751590566571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/penitencia.html' title='PENITÊNCIA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-2864498092285359206</id><published>2009-06-10T18:09:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T18:10:23.592-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta de Advertência'/><title type='text'>CARTA DE ADVERTÊNCIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;De  terrível evento fui eu o centro na última noite, e não tenho condição  alguma de deitar a cabeça em meu leito e adentrar o santuário do sono,  talvez pelo meu estado de alerta em que me encontro, talvez por não  mais merecer a dádiva da restauração pelo descanso; sendo assim,  farei uso da pena para construir, neste documento, o relato das horas  durante as quais vaguei pela mais profunda escuridão em minha mente,  e experimentei a mais completa manifestação da natureza divina dos  homens e das coisas, (pois, para mim, a partir de agora, Deus se manifesta  no Terror).&lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Noite  passada foi, a saber, noite de São Harker, lembrada pelos locais desde  remotas eras. Sei disso agora, pois analisei por todos os ângulos,  e verifiquei todos os tomos e alfarrábios que poderiam me dar alguma  explanação do que de fato sucedeu-se comigo (e ainda sucede). Nesta  região, montanhosa e rodeada por bosques lúgubres, os aldeões vivem  para o trabalho e para a religião, plantando, colhendo e criando animais  para sua alimentação e para a manutenção das oferendas que fazem  ao seu Deus. Até antes de ontem, pensava eu que tal estilo de vida  era o mais perfeito exemplo do desperdício, pois doavam suas forças  e seus bens para o nada para obterem proteção contra o nada. Oh, bem  sei eu que agora não mais penso assim. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;  O fato é que despertei devido ao som alto e surdo de batidas de marretas  contra madeira, bem próximo de mim. Acordei no mais completo atordoamento,  sem saber onde estava ou de onde vinha. Ouvi, logo, vozes ao meu redor,  também estranhamente abafadas, mas muito próximas. Logo me alertei  e pensei que estava sendo roubado dentro de minha própria residência,  e que os larápios tentavam arrombar minha escrivaninha a golpes de  martelo e machado. De súbito, comecei a me levantar, na completa escuridão,  mas bati cabeça em algo quando começava e me curvar. A dor lancinante  me fez voltar a deitar, e quando tentei trazer as mãos à cabeça para  confortá-la, também bati com ambas em uma superfície logo acima do  corpo. Logo, senti a constrição ao redor de todo o corpo, e senti  as pernas também como que presas, muito juntas. Tateando às cegas,  em agonia, esfreguei as mãos ao meu redor, e por todo o lado encontrei  a superfície áspera que logo julguei ser madeira. Consegui identificar  fios de luz pálida regularmente distribuídos sobre o meu corpo, vindos  de frestas, e percebi que estava preso dentro de uma espécie de caixa,  que logo vim a entender, no mais puro horror, tratar-se de um caixão,  um ataúde. Sentia ainda um forte aroma de rosas vindo de fora, que  me deixava ainda mais atônito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Desesperadamente,  pus-me a bater com toda a força possível, dado o pequeno espaço,  na parte de cima do caixão. Irracionalmente, gritei a plenos pulmões  por socorro. Ao som da minha voz, os sons de batidas e de conversas  fora do caixão cessaram subitamente. Alguns segundos depois, no entanto,  ouvi uma voz masculina muito tensa dizer algo como “ele despertou!”;  depois, passos rápidos em minha direção foram seguidos por um tranco  em minha pequena prisão e por um grito de “cale-se, diabo, que tua  hora já chega”. Logo, mais passos e outras vozes fizeram a primeira  recuar, dizendo para que se acalmasse e aguardasse o fim da cerimônia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao  ouvir a palavra cerimônia fui tomado por tal inquietação e pânico  que tremia sem parar, mesmo sem saber por quê. Apenas sabia que algo  extremamente planejado e terrível estava por acontecer. Procurei organizar  meus pensamentos, encontrar uma explicação racional para o que se  passava, mas todos os meus sentidos apenas apontavam para um grande  perigo iminente. Em um curto momento de autocontrole, resolvi tentar  enxergar algo do que se passava ali fora. Encostei a cabeça junto à  madeira e procurei por uma das frestas que havia visto antes. Encontrei  uma, mas através desta via apenas algo que parecia um pequeno monte  de feno e a ponta do que parecia ser o cabo de alguma ferramenta de  plantio; concluí daí que havia sido colocado em cima de uma carroça  ou outro tipo de transporte rural para ser trazido até ali. Encolhi-me  e revirei-me um pouco e procurei por outra fresta que me desse alguma  visão. Encontrei outra, um pouco mais abaixo, que me permitia ver o  local e o que se passava, e o que vi ali fez que com meus ossos derretessem  de pavor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vi  que me encontrava em uma clareira no bosque próximo ao norte de minha  residência, que me era estranhamente familiar. Não lembrava de haver  estado ali antes, mas inegavelmente eu conhecia aquele lugar. Vi uma  pilha de pedras ao fundo arrumadas de forma que apresentavam o aspecto  de mesa ou balcão comprido, sobre o qual poderia ser colocado o corpo  de uma pessoa sem que faltasse espaço. Vi que havia lamparinas de óleo  que iluminavam o local, e vi os homens ali reunidos, trabalhando. Comecei  a ver, horrorizado, em quê eles trabalhavam: bem ao meio da clareira  haviam feito uma pilha de lenha, bastante grande e alta; também vi  que trabalhavam em algo que estava no chão, objeto que vários homens  circulavam e em que batiam com martelos. Não podia reconhecer o que  era, mas vi que usavam hastes de madeira e cordas. Entretanto, logo  tive a chance de vislumbrar o que faziam, pois resolveram testar o instrumento  haviam construído: uma grande cruz de madeira muito escura (pintada,  me pareceu) que, quando içada por cordas amarradas em árvores, ficava  exatamente sobre a pilha de lenha no centro da clareira e, mais ainda,  ficava de cabeça para baixo. Quando compreendi que a cerimônia iria  culminar comigo preso à cruz, de cabeça para baixo, sendo queimado  vivo em uma grande fogueira, fui tomado pelo medo e pus-me a chorar  como uma criança que perde-se da mãe. Ah, jamais antes eu houvera  me perguntado quanto horror minha mente seria capaz de suportar antes  do colapso, e agora eu me impunha esta questão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entrei  em completo desespero e comecei a debater-me, socando e chutando as  paredes do ataúde, entre gritos e gemidos. Devo ter usado de força  descomunal, sem que me desse conta, pois acabei fazendo com que minha  prisão caísse de cima da carroça e batesse com força no chão, causando  alvoroço entre os homens, pois alguns deixaram escapar gritos de espanto,  enquanto uma voz mais exaltada chamava a atenção para o fato de que  “o ramo de rosas se desprendeu do caixão e o maldito agora é livre!”.  Naquele momento eu não tinha compreensão do que poderia significar  tal coisa. Estando no chão, continuei a esmurrar as paredes da caixa,  na tentativa de desestabilizar a estrutura, mas logo a tampa foi arrancada  por violência por alguém do lado de fora, e eu me vi paralisado, em  choque. Braços rudes, embrutecidos pelo trabalho pesado nos campos  me tiraram da caixa e me jogaram próximo à pilha de lenha. Durante  toda a ação, pude ver que um dos homens encontrava-se em vestes sacerdotais  brancas e recitava, sem nunca parar, versos de orações em uma língua  que pensei ser aramaico, enquanto segurava um livro de aspecto antigo.  O mesmo homem indicou com uma das mãos que a cruz deveria ser novamente  descida ao chão, e entendi que aceleravam meu pavoroso destino. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Aos  gritos, cobrei motivos e fundamentos para o que faziam, mas nenhum deles  dizia-me algo diretamente, apenas ouvi as palavras “aborto”, “demônio”  e “impureza” serem ditas entre sussurros maldosos. Não pude compreender  todo o ódio que emanava do grupo, pois julgava nunca tê-los perturbado,  vivendo eu sozinho em minha residência. Quando começaram a me arrastar  para junto da cruz, lutei com todas as forças que me sobraram para  impedir a crucificação, mas eram muitos e muito obstinados, e logo  me dominaram. Ergueram-me e logo me baixaram novamente, sobre a cruz,  e me abriram os braços, colocando-os sobre as hastes de madeira. Vi  que um deles corria para junto de uma das lamparinas e voltava com uma  marreta e uma das mãos cheias de cravos de metal muito grandes, e logo  entendi para quê serviriam. Fui tomado pelo terror mais uma vez, e  minhas forças se esvaíram. Mas então, no fundo de minha desolação,  senti um odor familiar, profundo, doce, que me instigava a língua e  o nariz; senti que estava rodeado pelo odor, e logo o reconheci: era  sangue. Entendi o porquê da escuridão da madeira da cruz, pois vi  que a tinham banhado completamente com sangue, talvez seguindo alguma  prescrição antiga do livro de rituais do sacerdote. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Posso  dizer agora, meu leitor, que este foi o grande erro que cometeram. Ao  tocar o sangue, e ao sentir seu cheiro, fui tomado por uma sensação  animalesca, por uma luxúria que eu julgava nunca ter sentido, mas que  logo antigas memórias que emergiam me fizeram ver que já havia experimentado,  e muitas vezes. Senti que algo muito maior que eu mesmo começava a  despertar e exigia que eu desse sala em meu próprio corpo. Quando um  dos homens se ajoelhou ao meu lado e ergueu uma das mãos com a marreta  para estocar um cravo em meu braço, eu já entrava em inconsciência,  como que caindo em um profundo poço, vendo, antes que a luz sumisse  por completo, que uma das minhas mãos agarrava e arrancava o braço  do homem, como uma moça arranca uma margarida do solo. Era meu corpo,  mas não eu, que fazia aquilo, mas eu já não sentia horror ou culpa,  apenas dormência; não sei agora se a inconsciência é uma benção  divina ou um instrumento de martírio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tornei  à casa agora, mas não sei por onde possa ter andado nas últimas horas.  Recobrei a o juízo completamente apenas minutos antes de começar a  redigir esta missiva. Encontro-me coberto de sangue ressequido, em especial  os dentes e lábios, que me apavoram quando olho-me no espelho. Encontro-me  em minha casa, e julgo que retornei sozinho, pois não há vestígios  da presença de ninguém mais aqui. Não quero pensar no que possa ter  havido aos homens de ontem, embora em minhas entranhas eu já o saiba.  Continuo a escrever este texto apenas para tentar amarrar minha lucidez  a algo físico e terreno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Se  você, meu leitor, estiver a ler isto e não estiver a me ver, aproveita  e foge, pois sou forçado a deixar a casa agora movido por um desejo  incontrolável e imensurável de descer as colinas, em direção aos  vilarejos. Um odor deveras agradável e doce sobe de lá, e me lembra  algo vivo e feminino. Temo que realmente eu seja uma abominação que  deveria ser de fato queimada viva e extinta para todo o sempre, como  algo que escapou à mão de Deus durante a criação,  mas o instinto  de sobrevivência grita quase tão alto quando o desejo que o odor me  causa. Sendo assim, não posso deixar que dêem cabo de minha vida sem  resistência; então, repito, se ainda não estiver me vendo, fuja.  E se estiver, reze e lute, torcendo para que eu não o tenha visto antes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-2864498092285359206?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/2864498092285359206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/carta-de-advertencia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2864498092285359206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2864498092285359206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/carta-de-advertencia.html' title='CARTA DE ADVERTÊNCIA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-3876515192083157284</id><published>2009-06-10T17:50:00.001-07:00</published><updated>2009-06-10T17:51:34.068-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Princesa de Leningrado'/><title type='text'>A PRINCESA DE LENINGRADO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Quando eu acordei  estava com a imagem de Eckel gritando comigo na cabeça, em forma de  uma confusa alucinação podia ouvir até meu nome sair por seus lábios  rachados pelos ventos gelados: “&lt;i&gt;Grimm!”. &lt;/i&gt; Mas em alguns minutos constatei que não havia nada nem ninguém num  raio de muitos metros, talvez quilômetros. Como poderia saber? Mal  sabia se estava vivo, achava que Eckel e os rapazes que estavam no caminhão  haviam morrido, mas não havia como ter certeza de coisa alguma. Quando  vi a silhueta de algo se aproximando no horizonte de Leningrado descobri  que a sensação de pânico e morte causada pela presença dos russos  ainda estava impregnada em mim, pois a primeira coisa que fiz foi atirar  nela.&lt;/span&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Não pude ter  certeza se havia acertado ou não, estava longe, mas não me demorei  a atirar de novo e ficar satisfeito ao ver a pessoa que vinha em minha  direção cair. Andei com passos cautelosos até que por fim me deparei  com um garoto russo talvez um ou dois anos mais novo que eu, com minha  bala no pescoço e uma metralhadora sem balas nas mãos, estava tão  perdido quanto eu antes de morrer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Agachei-me próximo  e ele agarrou a gola do meu casaco. Apontando desesperadamente para  uma brecha no céu invisível acima de nós ele parecia fazer uma saudação  ao Fuhrer, mas na verdade ele apenas me mostrava um raro vislumbre de  raios solares que se escapavam por entre as nuvens cinzas. Parecia querer  dizer algo, mas não pode.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Morreu no instante  seguinte. E no instante seguinte &lt;i&gt;ela&lt;/i&gt; também surge em minha frente  como uma silhueta, só que dessa vez perto demais ao invés de perigosamente  distante. Eu a olhava de baixo, enquanto segurava o cadáver inimigo,  e apesar de naquele momento não distinguir bem suas faces, pude ver  que sorria e que seus dentes eram brancos como aquele lugar. Quando  me levantei constatei que sua pele também era. Minha arma estava apontada  para ela, mas ela ainda sorria, seus cabelos pretos como o escuro, atrapalhavam  sua visão com a ajuda do vento. Minhas mãos tremiam, pois ao olhar  bem para seus olhos, questionei-me se atiraria se precisasse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Ela riu delicadamente  como uma criança e deu um pulo para perto de mim, estremeci ao ver  o que vestia. Como não estava morta de frio? Apenas um fino casaco  vermelho, sapatos pretos comuns com meias brancas e uma saia elegante  mais aparentemente muito, muito velha. Seu corpo, naquelas frágeis  vestes, entregava-lhe seus dezenove ou vinte anos, mas seu rosto mentia  dezesseis ou dezessete, ou talvez fosse o inverso disso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Afastou a arma  de seu rosto e deu um beijo no meu. Não soube o que fazer, fiquei imóvel  por algum tempo e ela não parava de me olhar. Ela perguntou se eu estava  perdido, eu confirmei, ela perguntou se eu estava com fome, eu confirmei,  ela perguntou quanta fome, eu disse que estava faminto. Ela pediu que  confiasse nela se quisesse comer e saiu andando. Eu a segui. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Às vezes perdia  ela de vista por causa da neve, ela sempre virava pra trás para verificar  se eu ainda a seguia. Quando comecei a cair em mim e a me questionar  aonde aquela menina me levava ela parou e olhou pra mim séria dessa  vez. Apontou para uma casa alguns metros à frente, um pequeno morro  abaixo. Ela disse que era lá que morava. Parecia que o vento o destruiria,  mas num olhar mais atento pude constatar que era seguro e aconchegante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Ela entrou na  frente, mas eu a segui de perto e senti seu perfume. O interior era  escuro, cheirava a incenso, e ela num segundo desapareceu, mas noutro  reapareceu com a luz forte de um lampião a querosene em suas pequenas  mãos. Ela o pendurou na parede, ao lado de um quadro que me deixou  inconfortável. Eram aberrações, obra grotesca, a morte da arte, a  degeneração da razão. Aquilo não tinha lugar no ideal nazista, mas  agora eu dependia dela. Perguntei se ela era judia, ela apenas riu e  perguntou se eu a mataria se fosse, eu não respondi. Ela não pareceu  se abalar com isso e simplesmente respondeu que não. Ela falava Alemão  com um sotaque estranho, não consegui identificar a origem. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Se jogou no sofá  vermelho que ficava abaixo de outro quadro demoníaco. Eu olhei tanto  para os quadros que mal me concentrei nela, mas sabia que estava apenas  fugindo de outra batalha perdida. Fiquei surpreso quando ela disse que  pintara todos os quadros, então num segundo, fantasticamente, os quadros  tornaram-se belos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Olhei ao redor  e vi uma poltrona logo atrás de mim, dei um passo pra trás e me sentei.  A garota de lábios exageradamente vermelhos prontamente pegou minha  arma, meu capacete, e tudo que me incomodava e levou para baixo de uma  escada no canto oposto da sala. Ela perguntou meu nome, eu respondi  e ela pareceu satisfeita. Perguntei-lhe como se chamava e ela disse  para lhe chamar como desejasse. Eu a chamei de Alessia, a palavra saiu  flutuando de meus lábios como se fosse meu destino batiza-la naquele  momento. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Ela me deu comida  enlatada, carne e vodka para beber, e eu matei minha fome. Adormeci  por uma meia hora na poltrona e acordei com os panos que estavam sobre  meu colo para não me sujar no chão junto com os cacos de porcelana  do prato em que comi. Ela havia deixado roupas de homem cuidadosamente  dobradas no sofá em que havia se sentado anteriormente. Deduzi que  devia me trocar, minha roupa estava molhada e suja, mas eu também estava.  Quando toquei as peças ela apareceu no topo escuro da escada e disse  para eu ir tomar banho. Explicou-me onde ficava o banheiro e as toalhas.  Por um momento achei que ela fosse juntar-se a mim, mas não o fez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Quando saí ela  me esperava com uma sopa que havia esquentado para comermos com pão  caseiro. Apesar de ter me saciado comendo a primeira refeição que  Alessia me servira, dessa vez ela me acompanharia. Nós comemos e estava  deliciosa. Ela perguntou se eu estava satisfeito, se havia gostado da  comida, e eu descubro que é impossível descrever o quanto. Ela dá  um sorriso delicado, especial e ingênuo que faria qualquer um se apaixonar  facilmente. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Em seguida nós  subimos as escadas e a madeira rangia com o nosso peso. Lá em cima  pouco se via; a única iluminação era uma grossa vela que Alessia  levava em sua mão esquerda, sem candelabro. Quando chegamos ao meu  quarto ela deixou a vela num pequeno pires no criado-mudo ao lado da  minha cama e disse que me traria um chá para eu dormir bem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Tomei o chá e  também era delicioso como tudo que consumira naquela casa. Ela me deu  um beijo de boa noite no rosto, senti sua pele gelada tocar meu rosto  e quis morrer por não tê-la. Antes de adormecer senti algo estranho  em meu estômago e meus pensamentos se inundaram de lembranças horríveis.  Fiquei lembrando do que acontecera nos últimos momentos antes de eu  vir para cá, antes de eu encontrar Alessia no meio da neve. Não saberia  o que fazer ao acordar, decidi que seria preciso que eu saísse antes  que ela acordasse, para não lhe dar chances de me impedir, afinal eu  ficaria sem que ela precisasse insistir, ficaria mesmo se ela pedisse  apenas uma vez. E eu não podia ficar, a &lt;i&gt;nação&lt;/i&gt; vinha na frente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Meu sono foi perturbado.  Sentia as dores musculares dos dias e dias de caminhada na neve. Demorei  a adormecer profundamente, mas quando consegui fui levado para lugares  sinistros dentro da minha mente, onde procurava Alessia por aquela casa  sem encontra-la, onde o cadáver de Eckel sorria pra mim em flashes  perturbadores. Antes de acordar tive uma última visão, aquela linda  garota banqueteando o intestino de meu companheiro e convidando-me a  partilhar-lhe aquelas &lt;i&gt;delícias &lt;/i&gt; com ela&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;  Já não parecia mais tão humana, de tão bela  que ficara com o sangue ensopando-lhe as faces. Ela me beijou e senti  o gosto do doce líquido descendo pela minha garganta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Acordei suado  e ofegante por causa do pesadelo. Esfreguei meu rosto com as mãos por  alguns minutos enquanto refletia. O silêncio da casa me permitia ouvir  os uivos furiosos do vento lá fora. Quando coloquei os pés no chão  percebi que minhas pernas tremiam um pouco. Andei até o andar de baixo  e meu estômago roncou furiosamente. Procurei algo para comer, não  havia nada além de poeira nos armários da cozinha, nem sequer os pratos  e utensílios que usamos para comer estavam lá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Vesti minhas roupas  e ao dobrar cuidadosamente as que Alessia me emprestara, indaguei-me  de onde elas tinham vindo, que outro homem havia passado por ali. De  qualquer forma não importava, eu tinha de partir, mas tinha que olhar  uma vez mais para a garota.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Subi as escadas  antes de vestir as botas de combate para não fazer barulho. Procurei  por seu quarto, mas o único cômodo além do banheiro e do quarto no  qual eu mesmo dormi estava vazio. Não havia cama, nem abajur, nem janelas.  Apenas paredes brancas, algumas velas negras espalhadas no chão vermelho-sangue  e uma vitrola tocando uma música indecifrável, mas que me hipnotizara  por alguns segundos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Senti-me como  no pesadelo que acabara de ter, sufocado pela falta que fazia sua presença.  Mas meus lamentos são interrompidos quando de repente sinto seu toque  gélido em meu pescoço. Meu coração bateu forte, ela segurava a vela  perto do rosto e estava descalça dessa vez, tive vontade de morder  seus pés de tão perfeitos que eram. Ela disse para mim ir embora se  assim quisesse, mas queria me alertar que eu morreria em pouco tempo  se o fizesse. Ela tinha razão, mas eu partiria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Descemos as escadas  e a cada degrau uma sinistra tontura começava a tomar conta de meus  passos, pensei ser causa da angústia que me causara o fato de ela não  ter me convidado a ficar, apenas me alertado sobre partir. No último  degrau Alissia teve que me segurar. Botou-me no sofá e me trouxe mais  chá. Quando terminei de tomá-lo a tontura aumentou, começava a ficar  difícil distinguir as cores e quando olhava para os olhos daquela garota  me perdia em pensamentos que pulavam de minha cabeça. De repente a  via com o rosto manchado de sangue, e via outra garota exatamente como  ela descendo a escada, saindo de trás do sofá e passando pela porta  da cozinha. Todas elas com a mesma roupa, a mesma beleza e o mesmo sorriso  vermelho. Senti como se meu coração fosse parar, meu corpo gelou e  minhas mãos suavam. Meu estômago rugia, se apertava, se constrangia,  eu me arrastei no chão de dor. Eu batia a cabeça no assoalho para  não desmaiar, não podia, pensei que todas aquelas Alessias iriam me  devorar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Alguns segundos  depois eu vomitei, parecia que não ia acabar o caldo preto que jorrava  de minha boca enquanto a mão gelada da linda garota segurava minha  testa. Eu olhei pra ela quando o vômito cessou e ela não tinha sangue  no rosto nem cópias demoníacas espalhadas pela casa, mas a dor ainda  continuava, junto com todas as outras sensações perturbadoras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Ela me colocou  sentado, tendo convulsões, na poltrona que me sentara no dia anterior,  me deu um longo beijo francês e fitou o sofá da frente, no qual estava  o corpo do russo que eu havia morto. Ela apontou para o corpo daquela  forma inocente, e eu logo entendi o que precisava ser feito. Podia ser  um ato selvagem, eu podia estar doente, mas Deus, como eu senti prazer  em fazer aquilo. A dor parecia ter passado, o gosto era ótimo e eu  não me importei por ter enlouquecido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;   Quando terminei  a dor voltou dilacerando ainda mais minha compostura. E eu estava de  novo como um verme no chão me contorcendo ao lado dos ossos do homem  que eu acabara de devorar. Enquanto rolava pelo tapete uma peça de  roupa íntima grudou em meus cabelos, e havia outras espalhadas numa  fila de “pistas” que levavam até Alessia, nua e me esperando naquela  poltrona. Ela disse em meu ouvido num sussurro orgástico enquanto eu  rasgava sua inacreditavelmente deliciosa pele com meus dentes: "Oh  sim meu querido, isso é o limite do quanto você pode desejar alguém."  Então me indaguei se não estaria a mais tempo do que pensara estar,  dentro daquele chalé com a garota e a fome.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-3876515192083157284?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/3876515192083157284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/princesa-de-leningrado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3876515192083157284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3876515192083157284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/princesa-de-leningrado.html' title='A PRINCESA DE LENINGRADO'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-2348418660984492145</id><published>2009-06-09T08:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T21:03:41.694-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Anjo Vingador'/><title type='text'>O ANJO VINGADOR</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Estavam  as duas paradas naquela esquina escura. Eu as observava de longe, suas  saias minúsculas deixavam suas pernas amostra, baforando aqueles cigarros  fedorentos. Duas putas esperando o primeiro homem que passasse por ali.  Distribuindo doenças, destruindo famílias. Pecadoras. Não vão ficar  impunes.&lt;/span&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Liguei  o carro e fui a sua direção, encostei ao lado e baixei o vidro do  carona.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Ta a fim de se divertir? — uma delas, a loira. Inclinando-se para  dentro do carro, mostrando seus peitos salientes. Aquele bafo de cigarro  e os dentes amarelados me deram nojo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Quanto é? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Cinquentinha. Serviço completo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Quanto tempo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Uma gozada, querido, pode durar a noite toda ou cinco minutos, só depende  de você.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Pago duzentos e vêm as duas, a noite toda. Fechado?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Fechado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Subiram  as duas no carro, pedi que jogassem os cigarros fora. Elas fediam, um  cheiro podre de cigarro misturado a perfume barato. A hora delas estava  chegando. Entrei num motel de quinta, há algumas quadras dali.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  quarto fedia tanto quanto as putas. Uma delas veio me agarrando, eu  a afastei e mandei que as duas tomassem um banho, e que esperassem na  banheira. As duas obedeceram em meio a risadinhas. Em alguns minutos  elas não ririam mais. Fiquei só, no quarto. Abri minha bolsa, precisava  preparar minhas ferramentas. Peguei meu punhal, era como uma pequena  espada, a lâmina era semelhante, pontuda e muito afiada, medindo trinta  centímetros, o cabo era emborrachado. Como a maioria das minhas ferramentas,  eu mesmo a tinha fabricado, e me orgulhava delas. Era com elas que eu  fazia os pecadores pagarem seus pecados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fui  até o banheiro, as duas putas estavam juntas na banheira, se masturbavam  e se chupavam. Nojentas, podres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Você, venha para cá. — disse para a loira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ela  obedeceu, quando passou por mim, fechei a porta do banheiro e mandei  que a morena esperasse no banho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Deite-se na cama, de bruços.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Você é quem manda, amor. — enquanto deitava-se.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Afastei  seus cabelos de forma que a nuca ficasse a mostra. Peguei meu punhal  da parte de trás de minha cintura. Alisei sua nuca, ela arrepiou-se,  esperava um beijo, mas ganharia outra coisa. Ergui minha mão direita  segurando o punhal e a desci com toda força. A lâmina penetrou fácil  na carne, enquanto esperneou a puta emitiu um som semelhante a um engasgo.  Torci a lamina e forcei-a para o lado, metade do pescoço estava aberto,  o sangue jorrou em minha cara e uma poça formou-se na cama. Parou de  espernear. A virei de frente, morreu com uma expressão de surpresa  no rosto, a mesma expressão que os pais de família deveriam fazer  quando descobriam que tinham sido contaminados pelas suas doenças,  que contaminaram suas mulheres, talvez seus filhos que estavam por nascer.  Enfiei o punhal da vagina e fazendo certa força, o levei até o pescoço,  a lamina partiu carne e ossos fazendo um ruído como que tivesse cortando  um bife mal passado. Deixei o corpo ali mesmo, as tripas expostas e  ainda quentes, exalavam um vapor fétido. Fui até o banheiro, ainda  faltava à morena. Quando abri a porta ela me olhou da banheira, sorriu  para mim me chamando com o dedo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Foram rápidos, venha até aqui, agora eu cuidarei de você.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Obedeci  e fui a sua direção parando ao seu lado. Ela perdeu o sorriso quando  mostrei o punhal ensangüentado. Antes que gritasse enfiei a lamina  no seu olho direito fazendo com que saísse pela nunca. Morreu instantaneamente.  Puxei novamente o punhal, o olho espedaçou-se, segurei-a pelos cabelos  e da esquerda para direita, cortando o pescoço, separei a cabeça do  corpo. Jorrou ainda mais sangue que a loira. Repeti o processo com seus  braços e pernas. Deixei tudo boiando na água da banheira, que agora,  transformara-se em um liquido mais grosso e avermelhado. O trabalho  estava feito. As putas não iriam mais transmitir doenças para ninguém.  Lavei meu punhal e meu rosto, troquei de roupas e pegando minha sacola  de ferramentas, fui embora. Na portaria do motel, falei com o recepcionista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Aqui está o dinheiro para pagar o restante da noite. As moças pediram  para que as acorde pela manhã. Ah, e mande alguém para limpar o quarto,  está uma bagunça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Se divertiram hoje, heim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Nem imagina quanto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Duas  noites depois eu estava em frente a um condomínio de luxo num bairro  nobre da cidade. Há tempos eu estava à procura do momento oportuno  para pegar aquele sujeito. Aquela ocasião era perfeita, havia uma festa  de aniversário no salão do tal condomínio. O que para mim era ideal,  quanto mais gente houver, menos notarão sua presença. Entrei no lugar  sem dificuldade, antes mesmo que eu falasse alguma coisa, o porteiro  já abriu o portão me indicando onde era o salão de festas. Chegando  ao salão, vi que o filho da puta ainda estava lá. Dei meia volta e  fui em direção ao elevador. Entrei e apertei o botão do oitavo andar.  Após alguns instantes o elevador parava no oitavo, o corredor estava  vazio. Fui até o apartamento número 808, era a última porta do fundo  do corredor à direita. Usando uma chave mixa para abrir a porta, entrei  sem dificuldade. O apartamento era espaçoso, uma sala enorme, um quadro  da santa ceia decorava a parede à cima da televisão de plasma, os  sofás de couro branco eram grandes e confortáveis. Fui até o quarto.  Minhas suspeitas eram fundadas. Sobre a cômoda, ao lado d cama de casal,  havia fotos de crianças de não mais que dez anos de idade, nuas em  cima daquela mesma cama ao meu lado, fazendo posições de sexo, como  se fossem qualquer casal comum. Eu estava certo, o filho da puta era  um merda de um pedófilo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Apaguei  a luz do quarto e fiquei esperando no escuro. Demorou cerca de duas  horas para que eu escutasse o ruído das chaves girando na fechadura  da porta. Ele entrou. Ouvi um ruído que pensei ser sapatos sendo jogados  em algum canto, depois uma claridade tomou conta do corredor e ouvi  o tilintar de copos na cozinha. Passos vinham em direção do quarto,  preparei minha marreta de cinco quilos que segurava na mão direita  e me pus atrás da porta, o som dos passos ficou mais alto. O sujeito  passou por mim sem acender a luz do quarto, quando me deparei às costas  do sujeito, ergui a marreta e o atingi no lado direito da cabeça, com  força suficiente para desacordá-lo sem o matar. Tombou de bruços  sobre o carpete do quarto, quase sem fazer barulho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Juntei-o  do chão e o preparei da forma que eu queria. Foi engraçado ver aquele  homem acordando nu, amordaçado e amarrado a uma cadeira. Arregalou  os olhos grunhindo alguma coisa, tentando se comunicar, debateu-se tentando  soltar-se, mas notou ser inútil. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Está vendo essas crianças? — indicando os porta-retratos sobre a  escrivaninha. — Estou aqui por elas. Hoje você pagará seus pecados...  E vai ser lento... E vai doer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  homem debateu-se mais ainda, começou a suar repentinamente, apesar  do frio que fazia. Quando me viu sacar o punhal de dentro da bolsa,  esbugalhou os olhos que agora começavam a lacrimejar. Tenho certeza  de que se a mordaça não o impedisse, urraria a plenos pulmões pedindo  socorro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Comecei  pelo pênis, pressionei o punhal na metade do membro, e forçando contra  a cadeira, fazendo movimentos de vai e vem, como se corta um pedaço  de carne, cortei vagarosamente. O cara esperneou tanto que a cadeira  tombou para trás, urrava de dor, mas sua voz não saía. O sangue que  jorrava do membro amputado, jorrava sobre seu corpo. Juntei do chão  o pedaço do pênis que havia cortado, e afrouxando a mordaça, enfiei-o  dentro da boca do homem, e em seguida apartei novamente o nó. Agora  ele grunhia e se engasgava com o sangue que engolia e escorria pela  sua boca. Com um alicate, arranquei unha por unha dos pés e das mãos,  bem devagar. Na décima oitava unha, ele desmaiou de dor. Esperei que  acordasse novamente. Não havia graça em torturar alguém adormecido.  Quando recobrou os sentidos, arranquei as unhas restantes, depois disso,  usando a marreta de cinco quilos, esmaguei todos os dedos. Ele desmaiou  três vezes enquanto eu fazia isso, o cara era um molenga. Para concluir,  usando uma agulha, furei os dois olhos, cinco ou seis furos em cada  um. Com o serviço terminado, tirei uma foto. Aquela iria para minha  coleção, o homem com uma metade do pênis cortado e outra enfiada  dentro da boca, todos os dedos sem unhas e esmagados, e com os dois  olhos furados. Provavelmente não iria demorar muito para morrer, mas  enquanto não o fizesse, sofreria muito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Agora o que você acha de violentar crianças seu filho da puta? Nos  vemos inferno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fui  embora. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Algum  tempo depois, eu estava em casa formulando algumas idéias. Pensava  no melhor método de matar um cara tinha assassinado sua mulher, grávida  de seis meses e sua filha de dois anos. Já fazia vários anos que o  desgraçado estava preso, mas de acordo com os jornais, sairia em liberdade  condicional dentro de poucas semanas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Repentinamente  as luzes da casa apagaram-se, deixando o lugar completamente escuro.  As janelas começaram a bater desenfreadas, porém não havia vento  algum. Vi formar-se à minha frente um clarão de luz intensa, de dentro  do clarão saiu uma figura horrenda e estranhamente familiar. Senti  meu corpo gelar e um arrepio me percorrer as costas subindo até minha  nuca. Era a senhor morte. Com seu tradicional traje negro, rosto coberto  pelo capuz e a famigerada foice na mão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Você foi selecionado. — disse o espectro com uma voz rouca e horripilante.   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Selecionado? — meio gaguejando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Sim... Você tem servido à nossa causa, sem ser requisitado a isso.  Agora meu mestre o convoca para que nos sirva de acordo com as regras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Que regras? — tirando não sei de onde, coragem para fazer a pergunta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Você fará a mesma coisa que tem feito em vida, porém seguirá certos  padrões. As vítimas são escolhidas pelo mestre. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Antes  que eu pudesse dizer mais alguma coisa, o espectro ergueu sua foice  e a investiu contra minha cabeça. Vi o chão vir em minha direção  e rodar algumas vezes, antes de apagar tive tempo de ver meu corpo sem  a cabeça sentado no sofá e o espectro me observando. Não senti dor  alguma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Quando acordei estava num lugar que se assemelhava a uma fábrica abandonada.  Havia dezenas de espectros iguais ao que tinha me matado. Olhei para  mim mesmo e percebi que estava vestido a rigor, usava a vestimenta negra  encapuzada. Vi ao meu lado uma grande foice que só podia pertencer  a mim. Comecei a entender a situação, agora eu era um deles, um anjo  vingador. Um dos espectros se aproximou de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Venha novato. O treinamento o espera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acompanhei  o espectro. Ele guiou-me à outra câmara, onde havia várias pessoas  penduradas pelos braços por correntes. Um espectro com vestimenta encarnada  dava instruções aos demais vestidos iguais a mim. Ensinava como torturar  as vítimas. A cada urro de dor das vitimas, os espectros pareciam comemorar  em urros talvez ainda mais assustadores. O espectro que me guiou até  ali, indicou-me uma fila. Obedeci. Quando chegou minha vez a treinar  novas torturas, o espectro vestindo roupa encarnada ordenou que eu escolhesse  uma das vítimas para torturar. Corri o olho por elas e notei que as  reconhecia. Entre elas estavam: Tedy Bund, Andrei Chikatilo, Jeffrey  Dahmer, John Wayne Gacy, Pedro Alonso Lopez, Henry Lee Lucas, e é claro,  Adolf Hitler. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Foi  assim que me tornei um anjo da morte, um anjo vingador. Você que agora  lê esta história, pense bem antes de cometer qualquer pecado grave.  Caso contrário eu o encontrarei... O resultado você já sabe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-2348418660984492145?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/2348418660984492145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/o-anjo-vingador.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2348418660984492145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2348418660984492145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/o-anjo-vingador.html' title='O ANJO VINGADOR'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-47506978201081513</id><published>2009-06-07T12:34:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T12:36:59.393-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrava'/><title type='text'>ESCRAVA</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A criança loira entrou no quarto escuro,  com um enorme sorriso no rosto ensanguentado, os olhos azuis-escuros  brilhavam, esfomeados. Acariciava finas madeixas de cabelo com uma mão,  enquanto arrastava um pano de veludo pelo chão de carpete.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Andou até mais ou menos a metade do  quarto negro, onde se encontrava um unico e singular espelho, a unica  mobilia de todo o quarto. Sua moldura feita de ossos humanos era banhada  de ouro e o vidro era liquido e sólido ao mesmo tempo. Matil sentou-se  em frente dele. Ela acariciou seu reflexo, mas este cotinuou parado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- O que trouxe dessa vez?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Natil... - a pequena garota abriu  o saco de veludo, revelando o que poderia ser um corpo humano decapitado  e desfigurado, com a pele vermelha coberta de bolhas, ou um animal desconhecido.  - Estou com fome.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Não é suficiente. - vociferou o  reflexo, batendo na superficie águado do espelho. - Traga mais e te  deixarei comer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Certo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E assim a pequena garota loira, de olhos  azuis esfomeados, se levantou do chão e foi atras de mais vitimas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tudo o que ela queria era ver Natil,  a outra menina, feliz. Sentia seu estomago roncar, mas se era isso que  Naril queria, que mal teria?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E enquanto o reflexo se alimentava, Matil  buscava mais corpos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: courier new;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A criança havia se tornado uma escrava.  E de seu própio reflexo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-47506978201081513?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/47506978201081513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/escrava.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/47506978201081513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/47506978201081513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/escrava.html' title='ESCRAVA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-4659155843906799868</id><published>2009-06-06T17:44:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T17:46:25.350-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coleção'/><title type='text'>COLEÇÃO</title><content type='html'>&gt;&gt;&gt; Amaram-se por três vezes quase ininterruptas. Eram incansáveis e, pior, não se satisfaziam pelo mero orgasmo explosivo. Ardiam pela integração dos corpos no carinho que vinha após. Abraçavam-se, acariciavam-se os rostos arfantes e ainda encontravam tempo para sussurrarem quaisquer desmesuras que soassem convenientes. Enfim, amavam-se.&lt;br /&gt;Quando ele parecia pronto para dormir, ela se levantou. Caminhou nua até a roupa espalhada pelo chão, apanhou um cigarro e um isqueiro. Era um hábito. Ela sempre fumava, depois do sexo. Da cama, admirou sua silhueta, a soltar na varanda bolhas de fumaça. Perfeita. Não conseguia delimitar falha alguma em seu corpo. E isso sequer o preocupava. O que havia entre eles era forte demais para que isso tivesse importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.retorno havia Não ...agora que Só .vezes outras nas fizera o como ,final momento daquele antes, aproveitar a muito Tinham .ficar que tinha Ela .ainda ir podia não ela ,maneira miraculosa qualquer de ,forma alguma De .incompletos e vividos mal sentimentos de jorros mas ,saudoso abandono ao entregue ,fica quem de vil sofrimento do lágrimas eram Não .Chorou ...daquilo antes ,juntos construirem para ainda histórias tantas Tinham !demais cedo fora se Ela . rápido tão acontecessem coisas as que esperava não Mas .comum dia naquele amara a como era pensar conseguia que em coisa única A .falta muita faria Ela .saudades sentia Já .sombrio rosto seu iluminando acidentalmente ,rítmico modo de apagavam e acendiam farois Os .verão de grossa chuva na ensopava se ,perceber sem ,e ,velozmente passavam que carros aos meio em encontrava se Não .mochila preciosa sua carregando ,desespero de escura rua pela lentamente caminhava Mário &lt;&lt;&lt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt;&gt;&gt; Depois de tragar toda a nicotina, ela retornou à cama, deitando sobre seu peito, arqueando as coxas volumosas em seus braços, e disse:&lt;br /&gt;“Tenho de ir, meu amor”&lt;br /&gt;“Não me esqueça” foi a única e mais idiota frase que ele conseguiu formular.&lt;br /&gt;“Como eu poderia esquecer você?” ela perguntou, expondo um sorriso malicioso e, sem outras palavras, se ergueu. Cobriu-se do vestido vermelho e saiu pela porta com a mesma frivolidade apaixonada com que entrara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.envolveu o que aquáticas bolhas de vórtex do dentro cor a perdendo ,mergulhar até ar no girou objeto O .segurava que aquilo força sua toda com arremessou e corpo o girou ,extasiado ainda ,Trêmulo .sórdida noite pela enegrecidas ,rio um de volumosas e límpidas águas as corriam qual do abaixo ,píer um em Parou&lt;br /&gt;.chuva de gotas das diante brilhava que coisa alguma Segurava .fechados mãos das uma de dedos os mantinha e ,mente própria da além havia que tudo de se-Ignorava .postes dos bruxuleantes luzes as com despreocupado ,temporal ao insolúveis ruas por Corria &lt;&lt;&lt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &gt;&gt;&gt; Enquanto caminhava na chuva, cercada da própria beleza mística, ela observava cuidadosamente um homem, um pouco à distância. Ele vestia terno, levava consigo uma pasta negra e mantinha um olhar desconfiado; saiu de um prédio, olhando em volta, talvez para se certificar de que ninguém o acompanhava, e se aproximou de um carro escuro.&lt;br /&gt; A mulher, ainda iluminada do vermelho relampejante da roupa, que colava no corpo molhado, e ainda mais rubra por seu rosto cristalino, se aproximou furtivamente do carro. Aguardou até que o homem estivesse pronto para entrar, e então o surpreendeu.&lt;br /&gt; “O que você faz aqui?” ele perguntou.&lt;br /&gt;Ao invés de responder logo, ela lhe puxou a gola do paletó, trazendo-o para perto de si.&lt;br /&gt; “Não estava mais aguentando de saudades, meu amor”&lt;br /&gt; Beijou-o com lábios amargos de um falso desejo. Ele a tomou nos braços, encarando-a com um olhar saudoso, e respondeu:&lt;br /&gt; “Também estava com saudades. Essa viagem longe de você me deixou louco”&lt;br /&gt; “Imagino que sim... Deve ter aproveitado para dormir com alguma mulher fácil”&lt;br /&gt;“Você sabe que eu nunca faria isso. E você, se comportou?”&lt;br /&gt;“Passei todos esses dias em casa, esperando a hora em que você retornaria pra cuidar de mim. Fico tão solitária quando você viaja!”&lt;br /&gt; “Não se preocupe, seu marido chegou” sussurrou, beijando-lhe o pescoço ternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; .bem tão fizera o dia um por que maravilhosa mulher da olhar o com despedir se para ,vez última uma rosto o Voltou .olhos nos lágrimas ,afastar se a Começou .ali deixaria não mas ,queria que a era Não .dedos os entre força com a-segurando ,aliança a Apanhou&lt;br /&gt; .Esquecida .lado um de caida ,brilhante ,aliança a Viu .morte na mesmo até imponente ,chão ao despencar corpo o Deixou .deteve se mas ,chorar Quis .mais tentasse que impediu o sórdida pele daquela indiferença A .mais vez uma viva la-senti Queria .seu do peito o lhe-aproximar Tentou &lt;&lt;&lt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &gt;&gt;&gt; Depois que arrancou o paletó pesado e tomou um banho relaxante, ele voltou para o quarto, onde ela o aguardava. Deitada na cama, ainda com o vestido vermelho, mantinha uma expressão furtiva. Apesar de tamanha sensualidade, algo nela era incompatível. Ela não parecia tão disposta, como lhe dissera, ou como fora em outras tantas vezes durante os meses de união.&lt;br /&gt; Aproximou-se, seminu, e se precipitou para o colchão, onde foi recebido com um abraço atencioso, mas não sôfrego como esperaria. Ela o beijou com força e sem desejo, abraçou-o com carinho e sem paixão. Indiferente aos detalhes mínimos, ele se deixou tomar por aquele corpo picante que tanto amava. Apoiou as mãos na cama e começou a desenfrear os próprios limites. Mas parou.&lt;br /&gt; Afastou-se dela, por alguns segundos. Ela o observou, sem entender. Ele ergueu uma das mãos, trazendo entre os dedos algo que, no primeiro olhar, ela não identificou. Depois, sentiu um arrepio ao ver que ele erguia um pacote aberto de preservativo. O erro máximo. Cometera o maior dos deslizes. Com medo, girou os olhos para ver a expressão do marido. Primeiro, surpresa. Depois, tristeza. Por fim... Fúria. Ele respirou fundo duas vezes, acalmou a voz e sibilou:&lt;br /&gt; “Quem você trouxe pra nossa casa?”&lt;br /&gt; Ela não respondeu, talvez procurando as palavras que pudessem justificar o que não faria sentido.&lt;br /&gt; “Quem você amou na nossa cama, ao invés de mim?”&lt;br /&gt; Ela gaguejou:&lt;br /&gt; “Eu... Eu não o amei”&lt;br /&gt; Ele lhe bateu no rosto com a mão cheia de ódio.&lt;br /&gt; “Como você pôde fazer isso? Como pôde ser uma puta desse jeito? Eu lhe dei tudo! Eu lhe dei uma casa. Eu lhe dei joias e roupas. Eu lhe dei presentes. Fiz de você uma mulher de respeito... Eu lhe dei amor! Eu lhe dei tudo que qualquer puta no mundo sonharia ter! Mas agora... Está vendo isso aqui? Não é nada!” ele gritou, jogando fora a aliança que estava no dedo. “Por que você fez isso?”&lt;br /&gt; “Eu tive que fazer!”&lt;br /&gt; “Por quê?!”&lt;br /&gt; “Você não estava aqui!”&lt;br /&gt; Ele espremeu entre os dedos o pescoço dela, transferindo toda a revolta para a força com que apertava. Ela chorava, buscando no vazio um pouco de ar, mas a compressão impedia que o oxigênio chegasse aos pulmões.&lt;br /&gt; “Eu poderia matar você agora, sabia? E ninguém iria descobrir! Seria só mais uma maldita puta assassinada no mundo, e todas as mães de família estariam satisfeitas”&lt;br /&gt; Sem forças, sem conseguir respirar, os lábios tremeram, para tentar dizer as últimas palavras:&lt;br /&gt; “Eu... te... amo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.inesperado sido houvesse ato o se como ,rubros lábios os lhe-cobria sorriso meio Um .impassíveis e límpidos ainda ,entreabertos estavam olhos Os .volumoso peito no encravada ,faca da bruxulear ao meio em apagara se sagaz rosto seu enquanto ,borbulhante sangue do manchas as escondia vermelho vestido Seu&lt;br /&gt;.caminho seu encontrasse que para torcer restava lhe agora ,acontecera já pior O .podia Não .coisa alguma mais de la-protegê pudesse assim se como ,corpo o lhe-abraçou ,forma qualquer De. vida sem porém ,quente ainda corpo do diante sentia que o dizer bem saberia não ,momento Naquele .sangue de úmidos cabelos os carinho com lhe-Tocou &lt;&lt;&lt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &gt;&gt;&gt; O marido, estático na terrível dúvida de apertar mais ou soltar o pescoço dela, assustou-se quando a porta subitamente foi aberta. Voltou o rosto, quase que de imediato afrouxando os dedos. Ela buscou o ar que lhe fora roubado, e sentiu um alívio gigantesco ao ver quem entrava.&lt;br /&gt; “Quem é você?” perguntou o violento marido, sem entender a intromissão.&lt;br /&gt; “Ele quer me matar” ela gritou, com um ar de vítima substancial.&lt;br /&gt; “Como assim? Eu sou seu marido!”&lt;br /&gt; Não houve tempo de falar qualquer outra coisa. O rapaz avançou sobre ele, esmurrando-lhe o rosto. O marido caiu com as costas no chão, batendo a cabeça, e gritou de dor. Ela correu para abraçar o heroi, tranquila.&lt;br /&gt; “Ele é seu marido?” perguntou.&lt;br /&gt; Ela apenas inclinou a cabeça, envergonhada da própria desmesura.&lt;br /&gt; “Mas você me disse que ele só voltaria amanhã!”&lt;br /&gt; “Esqueça isso! Vamos embora, antes que alguma coisa aconteça!”&lt;br /&gt; O marido se impressionou ainda mais com aquele espetáculo ridículo. Chegava a ser absurdamente patético estar caido, diante da esposa traidora e do amante. Como aquele desgraçado tivera coragem de tocar em seu rosto? Sentiu um ódio ainda maior dominando-lhe a mente e o corpo. Ergueu-se, pronto para acabar com os dois. Aproximou-se, os punhos cerrados.&lt;br /&gt; O rapaz percebeu e tirou das costas alguma coisa que escondia. O marido segurou-lhe o rosto, pronto para esmurrá-lo, então se deteve. Olhou para a própria barriga e viu uma faca enfiada, sangrando. Caiu, machucado, encarando o amante vil. Trêmulo, colocou as mãos no ferimento, e arrancou de lá o instrumento que o inutilizara. Sentiu o corpo estremecer e, aos poucos, foi perdendo a noção do tempo, com a faca ainda na mão.&lt;br /&gt; “Por que você fez isso? A gente devia ter fugido! Agora vamos ser incriminados pela morte dele”&lt;br /&gt; “Não era isso que você queria? Se livrar dele?”&lt;br /&gt; “Não dessa forma. Não queria que você o matasse”&lt;br /&gt; “Eu estava defendendo você. Ele ia te matar”&lt;br /&gt; “Defendendo de quê? Ele nunca me mataria”&lt;br /&gt; Ela se aproximou do marido. Apanhou a faca que estava na mão dele e observou.&lt;br /&gt; “Ele não merecia isso... Eu devia morrer junto dele”&lt;br /&gt; “De que você está falando?”&lt;br /&gt; “Se ele morrer, eu estarei perdida. Não sou esposa de verdade. Ele deixou a esposa pra ficar comigo. Todo o dinheiro vai pra ela, não vai ficar pra mim. E eu vou ser incriminada fácil”&lt;br /&gt; “Então,vamos fugir!” pediu, aproximando-se.&lt;br /&gt;Tomou a faca da mão dela. Abaixou-se ao lado do corpo, enquanto ela se afastava, chorando. Tocou o pescoço do homem. Ainda havia pulso, para sua alegria. Voltou até ela, sorrindo.&lt;br /&gt;“Está vivo”&lt;br /&gt;Girou a faca e enfiou no peito dela, atravessando-lhe o tórax. Retirou e enfiou outra vez. Quando o corpo dela caiu, mais uma vez buscando um ar que não havia, penetrou a faca e começou a rasgar cruamente. Nem gritos ela conseguia mais soltar. Em pouco tempo, arrancou para si o coração ainda pulsante.&lt;br /&gt;Em seguida, caminhou até o marido. Deu-lhe um tapa no rosto e disse:&lt;br /&gt;“Acorde, homem! Venha ver sua esposa morta!”&lt;br /&gt;O homem despertou e viu o amante ensanguentado sobre si. Tentou se mover, lutar, só que a faca foi enfiada com força em seu pescoço, depois girada e só então arrancada. O corpo despencou sem vida, mas o algoz fez o mesmo trabalho de antes, arrancando-lhe também o coração.&lt;br /&gt;Mário guardou os corações dentro de um pote, colocando na mochila. Observou os dois corpos retalhados. Não sentia remorso. Eram o terceiro casal cujos corações guardava, após dormir com a esposa. Mas ela fora a mais bonita... Guardou as luvas de inverno na mochila, assim como a aliança dela. Sempre guardava as alianças das esposas, pois elas se tornavam suas dali em diante. Enfiou por fim a faca de volta ao peito vazio dela.&lt;br /&gt;E tocou-lhe o rosto uma última vez, por alguns instantes sentindo uma ternura a ponto de querer chorar de alegria por mais um dia feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-4659155843906799868?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/4659155843906799868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/colecao.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4659155843906799868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4659155843906799868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/colecao.html' title='COLEÇÃO'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-27133158087591332</id><published>2009-06-05T21:51:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T11:55:46.751-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prêmios'/><title type='text'>Lista de Prêmios 5 (lista final)</title><content type='html'>Semana fraca no Concurso Escritores de Terror, com poucos contos novos. Vamos ver se a última lista de prêmios será eficaz em reverter a situação. Esta lista, assim como a anterior, será especial para mim, por diversos motivos. Primeiro, porque vou postar os prêmios oferecidos por duas escritoras talentosíssimas, que na minha opinião, são as melhores do terror nacional  (que coisa, provavelmente são as duas melhores do terror internacional também!) : falo de Giulia Moon e Martha Argel. Segundo, porque aproveitei a oportunidade de estar oferecendo como prêmios alguns livros que já li, e fiz eu mesmo breves resenhas sobre eles. Mas você não encontrará essas resenhas aqui, e sim no meu novo blog A Biblioteca Mal-Assombrada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse blog é um projeto antigo, mas que nunca tive tempo para começar. Pra ser franco, nem agora tenho muito tempo, mas achei o momento oportuno. Nesse blog, pretendo fazer resenhas e críticas (totalmente pessoais, isso sempre vai ficar claro) de livros que já li. O objetivo não é expor meu "vasto conhecimento sobre o assunto", nem ficar taxando alguns livros como bons e outros como porcarias. Meu objetivo principal é auxiliar os fãs de horror a saberem do que se tratam certos livros, encontrados em livrarias e sebos, principalmente. Afinal, nem sempre a palavra "terror" na capa indica que o livro será mesmo de terror, e muitos donos de sebo também têm dificuldade em saber a qual gênero pertence cada obra. Assim, vou falar um pouco sobre o conteúdo de livros que já li, um pouco da história, pequenas resenhas dos vários contos presentes em uma antologia e etc. Quadrinhos de terror também terão seu espaço, assim como biografias, notícias de novos livros, talvez entrevistas no futuro, resenhas de outros blogs com contos de terror, etc. Em resumo, a Biblioteca Mal-Assombrada funcionará como uma "central" de fãs do horror escrito, em suas diversas formas. E aceito colaboradores, quem quiser ajudar, mandando informações, correções, agradeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, os três primeiros prêmios da lista de hoje vão vir com links para as resenhas que fiz na Biblioteca Mal-Assombrada. Cliquem e sejam felizes (caso contrário, me façam feliz pelo menos, rsrs).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, essa lista é especial por outro motivo: os dois últimos livros mostrados são novas antologias (de vários autores), ainda não publicadas, que trazem contos meus! Um deles se chama Invasão, e o nome do outro é Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros. E já que sou eu que estou dando esses prêmios, resolvi exercer um pouco o meu lado "arbitrário" (fiz esse concurso democrático demais, droga!) e criar um novo prêmio. Sim, isso mesmo, então leiam com atenção: criei um "prêmio técnico", para premiar o conto concorrente que mais me agradar. Simples assim (e esse conto terá destaque junto com os demais). Dessa forma, um bom conto que eventualmente será premiado pela votação popular, terá sua "redenção" (ou não. Se o conto que eu mais gostar for um dos três primeiros lugares na votação, então vai receber mais esse prêmio de lambuja). O autor que ganhar nessa categoria especial poderá escolher um desses dois livros (Invasão ou Draculea), e o outro irá para o primeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso. Agora, vamos à lista final de prêmios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;A DAMA-MORCEGA, de Giulia Moon&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKMXgyZI/AAAAAAAAAg4/FUVCKGqqBO4/s1600-h/capadama3web.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 302px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKMXgyZI/AAAAAAAAAg4/FUVCKGqqBO4/s320/capadama3web.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344092879040072082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Onze contos fantásticos da dama rubra do terror! Vampiros, fantasmas, lobisomens e criaturas nunca antes imaginadas se encontram na deliciosa narrativa da escritora paulistana! Clique no Link abaixo para ver minha resenha do livro!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bibliotecamalassombrada.blogspot.com/2009/06/dama-morcega-de-giulia-moon.html#links"&gt;&lt;br /&gt;A Dama-Morcega na Biblioteca Mal-Assombrada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. O livro foi gentilmente doado pela autora Giulia Moon!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;RELAÇÕES DE SANGUE, de Martha Argel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKOReIwI/AAAAAAAAAgw/MjdZVOUfDyQ/s1600-h/relacoes1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 207px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKOReIwI/AAAAAAAAAgw/MjdZVOUfDyQ/s320/relacoes1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344092879551603458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um romance policial com vampiros? Sim, exatamente isso! Com diálogos espertos e tensão do início ao fim, Martha Argel mostra que a convivência entre humanos e vampiros nem sempre termina em romances recheados de juras de amor (muuuito pelo contrário, rsrs). Clique no link abaixo para mais uma resenha quentinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bibliotecamalassombrada.blogspot.com/2009/06/relacoes-de-sangue-de-martha-argel.html"&gt;Relações de Sangue na Biblioteca Mal-Assombrada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. O livro foi gentilmente doado pela autora Martha Argel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;A TORRE NEGRA, de Frodo Oliveira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIvrJvpWI/AAAAAAAAAhY/Rw6l-hWaybQ/s1600-h/torre+negra.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 215px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIvrJvpWI/AAAAAAAAAhY/Rw6l-hWaybQ/s320/torre+negra.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344093522958984546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Narrativas que saem do convencional, transitando entre o terror psicológico e o realismo fantástico! Frodo Oliveira trás histórias inovadoras e difícieis de encaixar em categorias específicas, mas que provocam calafrios, tensão e revolta, como os bons contos de horror devem fazer, além de uma ou outra emoção mais singela. Clique no link abaixo para breves comentários dos contos presentes no livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bibliotecamalassombrada.blogspot.com/2009/06/torre-negra-de-frodo-oliveira.html"&gt;A Torre Negra na Biblioteca Mal-Assombrada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. O livro foi gentilmente doado pelo autor Frodo Oliveira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;ESPELHOS IRREAIS, vários autores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIK9C39NI/AAAAAAAAAhQ/S5wtIgNDsag/s1600-h/espelhos-irreais_icone.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 218px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIK9C39NI/AAAAAAAAAhQ/S5wtIgNDsag/s320/espelhos-irreais_icone.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344092892106847442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai um trecho da orelha do livro: "Medievais e atuais, cinco jovens autores cometeram a mágica desfaçatez de criar narrativas recheadas de reis, rainhas, dragões, princesas, bruxas e fadas. A escrita de alguns contos é deliberadamente anacrônica, evocando histórias infantis de Hans Christian Anderson ou relatos de cronistas medievais; em outros, a influência da linguagem cinematográfica é visível. E, muitas vezes, é inevitável lembrar das histórias de fadas escritas por Oscar Wilde. Nossos cinco audazes moços e moças, como bons brasileiros, são bons antropófagos: a ambientação da maioria dos relatos é européia, mas a voz dos narradores é, definitivamente, brasileira."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=107"&gt;Para comprar o livro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://aguarras.com.br/2009/04/18/espelhos-irreais-coletanea/"&gt;Resenha&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. O livro foi gentilmente oferecido por Ana Cristina Rodrigues, organizadora e uma das escritoras da antologia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;INVASÃO, vários autores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIv0xq3iI/AAAAAAAAAhg/CtyHXQcmZXk/s1600-h/invasaogrande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 210px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIv0xq3iI/AAAAAAAAAhg/CtyHXQcmZXk/s320/invasaogrande.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344093525542362658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, não há muito o que falar do livro ainda, já que ainda não foi publicado (ah, e é um prêmio que vai demorar um pouco pra chegar, viu premiados? Mas chegará, garanto!); portanto, vou dizer qual foi a proposta apresentada para os autores: a Terra sendo invadida por... qualquer coisa! Alienígenas, criaturas vindas do centro da terra, viajantes do futuro, uma Susan Boyle de 700 metros de altura... enfim, qualquer coisa que saísse da cabeça alucinada dos escritores! Sei que o Ademir Pascale (organizador e escritor) teve bastante trabalho em selecionar as melhores histórias (e a minha entrou, lá lá lá lá lááá lá!), então podem esperar um conteúdo de qualidade (ou seja, provavelmente a "Boylezilla" não entrou, rs). Conforme já foi explicado, esse livro será oferecido como opção ao ganhador do prêmio técnico que, caso não goste de ficção científica, poderá optar pelo livro seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;DRACULEA - O LIVRO SECRETO DOS VAMPIROS, vários autores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKWN1twI/AAAAAAAAAhI/Sr_fHS33GeY/s1600-h/Draculea+-+O+Livro+Secreto+dos+Vampiros.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 212px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKWN1twI/AAAAAAAAAhI/Sr_fHS33GeY/s320/Draculea+-+O+Livro+Secreto+dos+Vampiros.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344092881683855106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vampiros, assim como seres humanos, possuem segredos; sejam informações íntimas que desejam guardar apenas para si, sejam mistérios sobre seu segundo nascimento ou a vida que veio antes disso. Não importa, o que importa é que eles farão de tudo para manter a costumeira discrição. Contudo, existe muita gente enxerida no mundo, e mesmo os mistérios mais bem guardados podem vir à público algum dia... E de fato, vieram!&lt;br /&gt;Em Draculea, vinte e sete segredos são revelados para o ávido leitor de horror, sempre ávido por boas histórias. O segredo do livro em si (que vou revelar agora, apesar do perigo que me cerca, he he) é o seguinte: para o bom escritor, não existe tema clichê. A cada página (sim, já tive oportunidade de ler alguns contos desse aqui), vocês irão se deparar com situações novas, pontos de vista inéditos, detalhes inovadores que farão o leitor mais cético pensar "puxa, eu pensava que tudo de interessante sobre vampiros já tinha sido escrito!".&lt;br /&gt;Ainda está incrédulo? Então aceite o desafio e leia Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros, e descubra que, embora alguns segredos nunca devessem ser revelados, você irá agradecer por terem sido!&lt;br /&gt;Este livro também é outro que vai demorar para chegar às mãos do vencedor, mas tenham paciência, assim que for possível eu faço o envio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Meio óbvio, mas enfim, os dois livros acima foram muuuuito gentilmente oferecidos por mim!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, e é isso. Espero que a grande lista de prêmios tenha agradado os corajosos que resolveram tentar a sorte no Concurso de Contos de Terror. Se você ainda não começou, ainda faltam dez dias para a data limite, ou seja, tem tempo. Abraços, e até mais!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-27133158087591332?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/27133158087591332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/lista-de-premios-5-lista-final.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/27133158087591332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/27133158087591332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/lista-de-premios-5-lista-final.html' title='Lista de Prêmios 5 (lista final)'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SioIKMXgyZI/AAAAAAAAAg4/FUVCKGqqBO4/s72-c/capadama3web.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-2118152675179916522</id><published>2009-06-05T13:44:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T13:46:05.062-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ao Pôr-do-Sol'/><title type='text'>AO PÔR-DO-SOL</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(14, 14, 14);font-family:Monotype Corsiva;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;Meu nome  é Paul James tenho 40 anos, nunca fui muito de acreditar em historias  de fantasmas ou em algo do tipo, mas há 30 anos aconteceu algo o qual  até hoje muitos não acreditam, mas eu e meu melhor amigo perecíamos  tudo de perto. Devido a ninguém nunca ter acreditado em mim hoje escrevo  essa historia narrando tudo que eu vir, ouvir e fiz naquele dia.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Minha família e eu morávamos em um vilarejo um pouco longe da cidade,  nos éramos bastante reservados por isso morávamos tão longe.  No vilarejo  havia uma coisa de cada, por exemplo, tinha uma igreja, um mercado,  um médico e, etc. Por isso todos se conheciam pelos nomes e família.  Mas quem eu mais gostava de lá era o Sr.Nick, meu melhor amigo. Ele  era pintor, e sabia de varias historias de lá e todo o mundo, às vezes  ele viajava para expor suas pinturas e voltava com outros quadros de  pintores famosos.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Certo dia ele viajou para Londres e trouxe  um lindo quadro de um pintor  não muito famoso, na verdade bem desconhecido, mas a pintura era linda,  uma verdadeira obra de arte, nem o próprio Sr.Nick pintavam assim,  nos ficamos durante alguns minutos observando o quadro. Perguntei então  qual era o nome do quadro, e o meu amigo disse o nome o qual não me  esquecer jamais:                       &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                              &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                              &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                   "AO PÔR-DO-SOL"- o nome era lindo igual à pintura, a qual  era de um casal de namorados que faziam um piquenique as margens de  um rio de águas verdes. O casal estava sentado debaixo de um salgueiro,  a moça vestia um vestido longo rosa e o rapaz de costa olhava para  o pôr do sol que brilhava na nascente do rio.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Fique curioso para saber quem o tinha pintado. Perguntei para meu melhor  amigo, Sr.Nick, porém ele de uma forma estranha fugiu do assunto falando  que estava tarde, e ele precisava ir dormir. Fui para casa com aquele  quadro na mente, algo nele me chamava muita atenção, mas eu não sabia  o que era de verdade. Ao amanhecer não perdi tempo fui correndo para  a galeria do Sr.Nick ver o quadro.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Chegando lá o Sr. Charlie o único policial do vilarejo estava lá,  não achei nada estranho, afinal eles eram parentes, ele deveria estar  de visita. Os cumprimentei e ia entrar quando ele me chamou: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Meu jovem venha aqui, por favor!- pediu o policial &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -A que horas você foi para sua casa ontem James?- Perguntou o Sr.Nick &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Às oito e meia, senhor. Por quê? O que eu fiz de errado? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Nada James se acalme, e que ontem houve um assassinado de uma jovem  aqui no vilarejo- explicou o policial &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -E o assassino entrou em minha galeria e deixou o corpo aqui. -  o Sr.Nick  apontou pra uma mancha de sangue no chão embaixo do quadro "Ao  pôr-do-sol" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; - Eu não vir nada, acreditem em mim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Nos acreditamos só estamos procurando pistas, você não viu nada  estranho? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Eu só balancei a cabeça em sinal negativo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Tudo bem, eu vou até em casa, você pode ficar aqui cuidando da galeria,  James? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Sim senhor.                       &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                              &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                              &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                              &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;                              &lt;/span&gt;&lt;wbr style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;           Não acreditei um assassinado ali no vilarejo isso nunca aconteceu em  todos os seus 100 anos. Parei em frente à mancha de sangue e por um  momento sentir um calafrio, olhei para o quadro em cima e quase desmaiei  de susto. Onde estava o rapaz do quadro? Só estava a moça, a qual  estava de pé olhando pra o rio, comecei a tremer, a suar e com toda  a coragem que me restou sai correndo aos gritos pela rua, até chegar  à casa do Sr.Nick.       Tentei lhe contar  o que eu tinha visto, mas não conseguir, decidiu Levá-lo até a galeria  para ele mesmo o ver, mas ao chegarmos lá a pintura estava normal,  como no primeiro dia, meu amigo me olhou como se eu estivesse louco.  Estávamos tão preocupados em olhar o quadro que não vimos um saco  grande que estava embaixo dele. O Sr.Nick foi até ele ver o que era,  mas aquilo se mexeu, nos dois caímos para trás assustados, o que estivesse  lá dentro se mexia de um lado para o outro. O Sr.Nick em um movimento  rápido foi até o saco de pano e o abriu rápido, um braço feminino  agarrou o dele, meu amigo deu um grito tentando se soltar, então nesse  momento de dentro do saco saiu uma mulher cheia de sangue, nos dois  chegamos mais perto da moça, pois, ela falava algo bem baixinho: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -O quadro... -ela olhava pra o quadro na parede- Foi ele... Foi ele... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; A mulher morreu diante dos meus olhos, os quais estavam arregalados   de medo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Foi culpa minha, foi tudo culpa minha!- se culpava o Sr.Nick &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Do que o senhor esta falando? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -O quadro fui eu quem o trouxe para cá. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Mas não é sua culpa, você não matou ninguém. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Mas ele matou-  ele olhou para cima onde estava o quadro-  Ele matou  todas elas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Como assim é só uma pintura. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Esse quadro foi pintado por John Williams o assassino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Nesse momento me lembrei de John Williams, ele foi o maior assassino  daquela época, suas vitimas eram todas mulheres, sempre as matavam  com uma faca de puro ouro e deixava sua marca em seus braços, JW. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; -Você achar que ele esta aqui?   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; - Não ele, mas sua alma. Uma noite logo após ele ter matado mais uma  moça, todos os homens do povoado se reunirão para matá-lo. Eles o  procuraram em cada lugar, até que acharam sua casa e a cercaram de  fogo, vendo isso John Williams jurou se vingar de todos, e fez um pacto  transferindo sua alma para o quadro.  Desde então onde o quadro fica  mortes misteriosas acontecem com as moças e todos os corpos são encontrados   em baixo do quadro. Ele já foi queimado inúmeras vezes, mas de alguma  forma ele sempre renasce. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:georgia;" &gt; Desde esse dia eu acreditei em tudo que me cerca e que entre o céu  e inferno existe muito mais do que se possa imaginar. Não sei o que  o Sr.Nick fez com o quadro tudo que me lembro e tê-lo visto embargando  em um trem com ele, até hoje não soube noticias do meu melhor amigo  e nem do quadro "Ao Pôr-do-sol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-2118152675179916522?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/2118152675179916522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/ao-por-do-sol_05.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2118152675179916522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2118152675179916522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/ao-por-do-sol_05.html' title='AO PÔR-DO-SOL'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-7040056251734793293</id><published>2009-06-05T13:40:00.001-07:00</published><updated>2009-06-05T13:40:45.299-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pesadelo com Cobras'/><title type='text'>PESADELO COM COBRAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;O garoto  esta de pé na cama de seu quarto. Estava tudo escuro e ele não podia  fugir, não havia para onde fazê-lo. Desesperado, tentava subir pela  parede, arrancando com suas unhas o papel de parede, ir para um ponto  mais alto. Tudo em vão. Seu quarto estava úmido, sombrio, escuro,  inundado e infestado de cobras, inúmeras espécies, venenosas ou não,  isso não importava, cobras sempre foram o seu maior medo.&lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As  cobras já haviam chegado à cama. Rastejavam pelo lençol, rasgando  e molhando-o ainda mais, seguindo em direção do garoto. Uma das cobras  já subia por sua perna. Outra lambia sua orelha, rastejava em volta  de seu pescoço. Mais duas cobras estavam dentro de sua camisa, eram  pequenas, frias e ásperas. Ele, imóvel, implorando que elas fossem  embora. Podia sentir a umidade e a viscosidade das serpentes. Fechava  seus olhos, que deixavam escapar lagrimas de terror, medo, confusão  e desespero. Mas a imagem da serpente continuava em sua mente, atormentando-o,  fazendo seu corpo tremer e suar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A cobra  em sua perna parou sua escalada. Ela afastou sua cabeça da perna do  garoto. Por um momento ficou quieta. Apenas lambia o corpo dele com  sua língua bifurcada. As outras três víboras fizeram o mesmo que  a primeira, uma de cada vez, até as quatro ficarem na mesma posição.  O menino olhou para a cobra em seu pescoço, sem saber o que ela iria  fazer. As serpentes não recuaram, abriram suas bocas, mostrando suas  enormes presas, e em um só instante atacaram a perna, o tórax e a  nuca do garoto, mordendo-o com força. O garoto acordou aos gritos,  completamente confuso, mas, de uma certa forma, feliz de tudo ser apenas  um sonho ruim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-7040056251734793293?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/7040056251734793293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/pesadelo-com-cobras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7040056251734793293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7040056251734793293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/06/pesadelo-com-cobras.html' title='PESADELO COM COBRAS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-6397733187873410198</id><published>2009-05-30T22:20:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T21:04:40.629-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Noite sem Lua'/><title type='text'>NOITE SEM LUA</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Noite  sem lua. Ruas carregadas de neblina. Numa noite como essa, parece que  todos sumiram. Parece que não há ninguém na rua. Silêncio...&lt;/span&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma  mulher caminha cambaleante em meio à névoa. Parece perdida. Estaria  alcoolizada? Solitária, caminha. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era  madrugada e a garota voltava de uma festa. Com apenas quinze anos, havia  ludibriado os pais para poder sair à noite e havia ido a uma boate.  Como primeira experiência na &lt;i&gt;night&lt;/i&gt; foi traumática: luzes piscando,  pessoas rodando na pista, agarrando-se...Tudo lhe pareceu muito insólito.  Mais estranho ainda foi o rapaz que conheceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um  rapaz pálido, com ares vampirescos. Cabelos escuros, pele pálida,  olhos baços, o moço era sério, diferente de seus colegas de escola.  E mais velho também. Ela ficou impressionada com a delicadeza do moço.  Em vez de agarrá-la como seus colegas de escola, conversou com ela,  buscou-lhe bebida, preocupou-se com ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  garota ficou ao lado do moço, beijaram-se com delicadeza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Próximo  à meia-noite, a garota decidiu voltar para casa. O rapaz, gentilmente,  propôs-se a acompanhá-la. A garota aceitou, mas explicou que ele só  poderia ir até parte do caminho porque estava ali sem o consentimento  dos pais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Durante  o caminho conversaram pouco. A garota, cautelosa, decidiu não dar muitos  dados de si. O rapaz era lacônico por natureza. Caminharam quase em  silêncio quando o rapaz convidou-a para ir ao seu apartamento ali perto.  Prometeu-lhe respeitá-la, nada fazer que ela não desejasse. A garota  teve medo, mas o desejo pelo desconhecido foi maior.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao  entrar no apartamento, bateu-lhe no rosto um cheiro estranho, adocicado  e quase indefinido: seria lixo em decomposição? Parecia algo apodrecendo,  o que seria? O rapaz alojou-a no sofá da sala e desapareceu alguns  minutos dizendo que ia para a cozinha buscar algo para beber. A garota  olhou o apartamento e começou a sentir medo. Um medo inexplicável  fazia o seu coração bater forte, a respiração ficar ofegante e ela  sentia bolhas fazendo festa no seu estômago. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  sábio medo dizia à garota para sair correndo dali, mas ela estava  paralisada. O rapaz voltou da cozinha com dois copos e lhe disse para  nada temer que era apenas refrigerante. A garota constatou o gosto de  Coca-cola, mas algo lhe dizia para beber bem devagar e de preferência  não tomar tudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao  primeiro gole a cabeça começou a rodar. Rodava tanto que ela achou  que viu o rapaz rindo, gargalhando e seu rosto todo se deformava em  uma máscara monstruosa. De repente, ela viu (ou pensou que viu?). Um  armário na parede, a porta abriu-se (sozinha?). Vários corpos caíam  de lá, corpos nus de garotas jovens, todas aparentando quinze anos,  todas parecidas com ela, de cabelos escuros longos, magrinha, seios  pequenos. Ela abriu a boca para começar a gritar, mas o grito não  saía. O rapaz vinha em sua direção. Ela levantou-se e saiu correndo,  a porta estava destrancada, conseguiu encontrar a escada e descer correndo,  na maior velocidade que pode, sempre olhando para ver se o rapaz a seguia...Mas  não, não havia ninguém atrás dela. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Alcançou  a rua e continuou correndo, desesperada, a cabeça rodando. Na rua,  a escuridão, a neblina, fazia que a situação ficasse ainda mais assustadora.  Correndo, trôpega, conseguiu chegar ao metrô onde havia outras pessoas  e ela se sentiu um pouco mais segura. O trem chegou e ela entrou, tremendo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acordou  em sua cama quentinha, segura, limpinha. O medo lhe fez dar um salto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-6397733187873410198?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/6397733187873410198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/noite-sem-lua.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/6397733187873410198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/6397733187873410198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/noite-sem-lua.html' title='NOITE SEM LUA'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-2710532203550468138</id><published>2009-05-29T21:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T21:16:48.429-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eterna Noite'/><title type='text'>ETERNA NOITE</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"  &gt;A  noite já ia alta quando a jovem mulher entrou na Rua XV. Olhava repetidamente  o relógio e encarava a rua vazia. Precisava chegar rápido até a avenida  ou perderia o ônibus. Só havia um jeito de fazê-lo: aventurar-se  por um beco mal-iluminado, refúgio de pessoas misteriosas. &lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estranhamente,  o beco estava quieto demais. A jovem hesitou por um momento, então  acelerou o passo e encarou o silêncio do beco. Do telhado de uma das  construções um homem a observava. Um aroma leve e adocicado se espalhou  pelo local. O homem inspirou por um instante e sorriu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  — Uma mortal... — disse o homem — linda e jovem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  jovem andava mais rápido. A aflição tomava conta de seu peito. Se  ela pudesse ver o futuro não teria escolhido esse trajeto nessa noite.  Mal sabia a jovem que seu caminho cruzaria o de outras criaturas. Duas  das mais vis criaturas que existiam desde o início dos tempos. Dois  filhos da noite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As  luzes do beco apagaram-se, restando uma fraca luz lunar. A jovem parou  subitamente, a aflição crescendo em seu peito. O homem surgiu diante  dela. Era belo, envolvente. A pele clara, os cabelos presos em um rabo  baixo, as vestes pretas e o casaco assemelhavam-no aos nobres europeus.  Ele aproximou-se e cumprimentou-a com um gesto cortês. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Olá bela mortal! Há muito tempo que espero ansioso teu retorno a esta  viela maldita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  mortal nada disse. Tentou desvencilhar-se do estranho, mas ele impediu-lhe  a passagem. Tentou ir pelo outro lado e foi novamente impedida. Ficaram  num impasse como se dançassem o minueto. O homem ria-se com o desespero  da mortal. A mortal parou e encarou o homem. Virou-se para voltar para  a Rua XV, mas o homem já estava na sua frente. A mortal tentou gritar  e ele segurou-a pela garganta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Shhh... Não tenhas medo, bela mortal. Acalma-te e desfruta desse imenso  prazer. — o homem aproximou a boca do pescoço da mortal, porém parou  subitamente. Um doce e inconfundível aroma de flores dama-da-noite  invadiu o beco. O homem sorriu discretamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Guardas o prazer somente para ti? — disse uma voz às costas da mortal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  homem levantou a cabeça e encarou a escuridão daquele beco. Tudo estava  silencioso, mas ele sabia que havia mais alguém ali, e não era alguém  qualquer. Ele reconheceria aquela voz, aquele perfume, em qualquer lugar,  qualquer época. O perfume de dama-da-noite intensificou-se. O homem  podia sentir o coração da mortal batendo forte em sua mão. Os olhos  do homem agora eram vermelhos como sangue. Ele sorriu revelando seus  caninos, presas mortais. O coração da mortal batia ainda mais acelerado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Não me digas que tens ciúme de uma mera mortal... — disse o homem,  ainda sorrindo, para a escuridão. Um passo quase inaudível e a pouca  luz da lua naquele beco revelou uma mulher jovem e bela. Ela trajava  um vestido preto com luvas que chegavam ao cotovelo, como fora costume  na iluminada Paris, tinha os cabelos negros e encaracolados chegando  à cintura e olhos brasis que encantavam e amedrontavam. Ela aproximava-se  do homem calmamente, encarando-o, prendendo sua atenção a cada passo.  A mulher parou ao lado do homem. Os dois encararam-se, ignorando a existência  da mortal. Não fosse o papel que ocupava naquele sinistro encontro,  a mortal teria ficado fascinada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Não me compare a uma reles mortal, nem em teus pensamentos mais profanos  ou sonhos mais sórdidos. — murmurou em uma voz tranquilamente ameaçadora  — nenhuma delas comparar-se-ia a mim, mesmo que tivesse mil anos para  fazê-lo. Nenhuma mortal, nem em cem vidas, é capaz de despertar nos  tolos homens o que desperto em um olhar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Luxúria, Luxúria... És tão vil quanto sedutora. És, em fato, o  próprio pecado em carne. Quão prazerosamente invades a alma dos homens  e corrompe-lhes o coração e a mente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Nada faço aos míseros mortais além de despertar o que estes já possuem.  Não é a mim que enxergam quando me olham, mas sim seus próprios pecados.  — Luxúria aproximou-se mais do homem, acariciando-lhe o rosto —  Só faço dar vida a seu lado mais sombrio, a parte de mim que habita  em suas almas. Em verdade, meu irmão, os mortais não passam de fantoches  movidos pelos desejos obscuros, os mais soberbos. Cabe a nós lhes despertar  o lado que nos pertence, a parte de nós que nosso mestre escondeu neles  e que os fazem existir. Somos anjos caídos, Orgulho. Belos e malditos  em toda nossa essência. Nascidos do lado maldito do anjo mais belo.  Somos o que rege a humanidade e sua existência. Orgulho, Luxúria,  Ganância e Indolência... Os verdadeiros Senhores do Éden. Aqueles  que o homem batizou de vampiros. — Luxúria beijou-lhe os lábios  — Orgulho, meu vil irmão e doce amante... A mortal clama por tua  atenção. Não a faça esperar, é deveras indelicado. Seja rápido,  antes que vos vejam. Sabes onde me encontrar. Estarei esperando. —  e desapareceu na escuridão, do mesmo modo que chegara.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;—  Desculpe minha indelicadeza. — disse Orgulho a mortal — Minha atenção  é toda tua agora, bela mortal.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"  &gt;Um  grito abafado ganhou a escuridão do beco.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-2710532203550468138?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/2710532203550468138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/eterna-noite.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2710532203550468138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2710532203550468138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/eterna-noite.html' title='ETERNA NOITE'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-4402638262890483817</id><published>2009-05-27T18:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T19:11:01.059-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homens não Choram'/><title type='text'>HOMENS NÃO CHORAM</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Observo com atenção o apartamento onde entrei às escondidas. Móveis de qualidade e decoração moderna dão ao lugar uma atmosfera de sofisticação. No quarto, o ar é perfumado por uma leve fragrância de lavanda, também presente na cama king size arrumada com lençóis de cetim branco. Um guarda-roupa grande, cômoda e espelhos completam o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Um  laço&lt;/span&gt;&lt;b style="font-family: georgia;"&gt; &lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;de amargura estrangula meu coração quando vejo com olhos  úmidos o lugar. Ao escutar vozes no corredor do prédio e a maçaneta  da porta do apartamento girar, dou-me conta de que fiquei tempo demais  por ali.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Preciso  me esconder. Olho em volta e vejo o guarda-roupa&lt;b&gt; &lt;/b&gt; aberto; pulo para dentro dele, empurrando as roupas penduradas, e fecho  a porta. Dentro do móvel escuro, não consigo ver coisa alguma lá  fora, mas, de qualquer jeito, sei de quem são aquelas vozes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  feminina é da minha esposa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A  masculina, do seu amante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  tom alegre da conversa entre os dois logo se transforma em sussurros  apaixonados, seguido do ruído de roupas arrancadas dos corpos cheios  de lascívia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Minhas  lágrimas estão prestes a irromper, mas eu me controlo como sempre  fiz na vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pois  homens não choram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Essa  foi uma das lições que aprendi quando criança com meu pai: por maior  que fosse o motivo, um homem de verdade não chora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E  naquele mesmo dia, ao lado da minha mãe sempre sorridente, e à beira  de um riacho onde os bois da nossa fazenda pastavam – chamado jocosamente  pelos peões de “córrego do capado” – meu pai me ensinou outra  lição.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  maior bem de um homem é a sua honra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E  quando maculada, só o sangue pode lavá-la.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele  falava por experiência própria: todos na cidade sabiam o que aconteceu  com minha mãe, então uma moça recém-casada e infeliz, e o capataz  com quem se engraçou. Só anos depois fui descobrir a origem daquelas  cicatrizes que retesavam os músculos do rosto dela, de modo que parecia  sorrir mesmo quando triste, e o porquê do riacho ter aquele nome inusitado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na  cama lá fora, as molas do colchão rangem sob o movimento do casal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Mais rápido! – minha esposa implora ao rapaz grande e de pele bronzeada.  O pedido é prontamente obedecido: o colchão passa a guinchar com força,  conforme ela é penetrada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Seus  gemidos de desejo acompanham o ritmo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No  guarda-roupa, levo a mão ao cós da calça onde carrego o revólver,  presente de casamento do meu pai para o único filho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lava-honra.  Era assim que ele chamava a arma de fogo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  P-para – agora escuto minha futura ex-esposa dizer num tom de urgência–  Para que tá doendo!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  colchão continua a guinchar feito um animal selvagem, enquanto o amante  grunhe, como se próximo do clímax.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Chega”,  digo para mim mesmo. “Preciso recuperar o que ainda resta da minha  honra”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Agarro  com firmeza a coronha da arma e a retiro da cintura. Sinto o peso dela,  carregada com os oito projéteis que em breve encontrarão seus alvos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É  quando noto o silêncio sepulcral no quarto. Nenhum gemido de prazer,  nenhuma respiração ofegante, nenhuma mola rangendo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com  a arma em punho&lt;b&gt;,&lt;/b&gt; abro a porta do guarda-roupa e pulo para fora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lá  esta a minha esposa no centro da cama enorme. Rosto enterrado no travesseiro,  barriga para baixo, pernas escancaradas num ângulo estranho. Os lençóis  de cetim estão empapados de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  cheiro de lavanda sumiu; algo podre sufoca a atmosfera do quarto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E  então vejo seu amante. Ele pouco lembra o jovem bronzeado de outrora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cinza  agora é a cor da sua pele. O corpo, nu e sem pelos, tem o dobro do  tamanho, com músculos inchados e lustrosos. Protuberâncias longas  e pontiagudas cobrem ombros, costas, cotovelos e dorsos das mãos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele  se volta lentamente na minha direção. Seus lábios, arreganhados num  sorriso grotesco que ocupa mais da metade do rosto, mostram uma gengiva  negra atulhada de dentes graúdos e serrilhados. O nariz não passa  de duas fendas escuras, enquanto os olhos são de um amarelo pútrido;  o resto da face está salpicado de sangue.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Da  virilha, sobressai um apêndice comprido, grosso e rígido, repleto  daquelas mesmas protuberâncias da base até o topo. Algo vermelho e  viscoso pende nele.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;São  as vísceras de minha esposa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Recuo,  adrenalina correndo pelas minhas veias, e reajo instintivamente: disparo  o revólver.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas  o gesto é muito lento. Antes que meu dedo encoste no gatilho, aquela  coisa pula sobre mim, desferindo um tapa com as costas da mão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sou  arremessado contra a parede e desabo no chão do quarto. Uma dor pulsante  no pescoço acompanha as batidas do meu coração; sangue escorre aos  borbotões do talho aberto na minha artéria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O  que antes foi o amante da minha esposa se aproxima, observando-me da  cabeça aos pés com curiosidade. Segundos depois, sua língua escura  e bifurcada desliza como serpente pela boca enorme e estala no ar, antes  de lamber com avidez os lábios manchados de escarlate.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sinto  uma vontade imensa de chorar ao ver a morte chegar, mas me mantenho  firme como aprendi com meu pai. Só espero que aquela coisa não seja  necrófaga ou – pior ainda - necrófila.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pois não posso perder o pouco que resta da minha honra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-4402638262890483817?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/4402638262890483817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/homens-nao-choram.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4402638262890483817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/4402638262890483817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/homens-nao-choram.html' title='HOMENS NÃO CHORAM'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-7921536024363861698</id><published>2009-05-27T16:27:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T11:55:05.041-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prêmios'/><title type='text'>Lista de Prêmios 4</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Desculpem a demora para postar mais prêmios, mas estive bastante ocupado nos últimos dias. Bom, essa lista aqui vai ter um detalhe especial para mim, por um motivo que vocês já vão entender. Portanto, vamos aos prêmios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;LOBO ALPHA, de Helena Gomes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDE09NHI/AAAAAAAAAeg/8muCByG_Hc4/s1600-h/loboalpha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 209px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDE09NHI/AAAAAAAAAeg/8muCByG_Hc4/s320/loboalpha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340671076571362418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana,arial;font-size:100%;"  &gt;Texto retirado do site da editora Rocco:&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;"Lobo alpha, de Helena Gomes, é um livro repleto de aventura e suspense, totalmente antenado com o universo jovem de hoje. Com ilustrações em forma de história em quadrinhos assinadas por Alexandre Barbosa, o Bar, o livro dialoga com outras manifestações culturais jovens como mangás, seriados de TV e cinema, além, é claro, das próprias HQ&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;É o terceiro livro da jornalista e escritora Helena Gomes,  e narra a saga de Wolfgang, um rapaz que faz parte de um clã - as criaturas -, seres humanos com poderes de mutação que vivem anonimamente em toda parte. Wolfgang tem o poder de se transformar em lobo e nada pode fazer contra a sua sina de criatura, mas, apesar de ser o mais fraco e insignificante do clã, acaba salvando a vida de Amy, uma jovem que, sem saber, carrega um segredo capaz de definir o futuro das criaturas. Juntos, eles descobrem traições, enfrentam inimigos poderosos e vivem um romance repleto de grandes aventuras ao redor do mundo.&lt;/span&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com uma narrativa densa e envolvente, &lt;b&gt;&lt;i&gt;Lobo alpha&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; tem linguagem cinematográfica e mexe com questões importantes para o público jovem como identidade, medo do desconhecido, curiosidade, riscos e, também, amor. No livro, o fantástico se mistura aos sentimentos comuns do dia-a-dia de qualquer adolescente, e a identificação com o universo da cultura pop reafirma o pacto com o leitor jovem, prendendo a sua atenção do início ao fim."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Obs: Este livro, assim como os dois próximos (Código Criatura e Assassinato na Biblioteca) foram gentilmente cedidos pela Editora Rocco! Agora deixa eu falar algo aqui, sem demagia, apenas a verdade: sou fã dessa editora! Acho que eles fazem sempre um trabalho primoroso, a linha "Jovens Leitores" é de uma qualidade ímpar. Foi muito agradável constatar a educação com que atenderam meu pedido (mas por favor, não vão lá pedir livros pra eles, né gente? Eles doaram pelo concurso, rs). Além disso, é bom ver que mesmo uma editora grande (eles publicam Harry Potter!) dá atenção para seus leitores, preocupando-se em participar de concursos como este, que visam divulgar um gênero literário tão importante, mas que sofre tanto preconceito. Enfim, palmas pra Rocco!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Links para mais informações (como os próximos dois livros são da mesma autora, os links servem para eles também) :&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://www.rocco.com.br/index.asp"&gt;Site da Editora&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://www.rocco.com.br/index.asp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.helenagomes.com.br/"&gt;Site Oficial da Escritora&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://www.rocco.com.br/index.asp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://mundonergal.blogspot.com/"&gt;Blog da Escritora&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;CÓDIGO CRIATURA, de Helena Gomes (continuação de Lobo Alpha)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDJre2oI/AAAAAAAAAeo/3e6aQ2hBJ38/s1600-h/codigo-criatura5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 209px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDJre2oI/AAAAAAAAAeo/3e6aQ2hBJ38/s320/codigo-criatura5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340671077873801858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Também retirado do site da editora:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"As mutantes estão de volta e correm sério perigo! Aventura com boas doses de suspense esperam os jovens leitores no eletrizante &lt;em&gt;Código Criatura&lt;/em&gt;, aguardada continuação de &lt;em&gt;Lobo Alpha&lt;/em&gt;, da jornalista, escritora e professora universitária Helena Gomes. Sintonizado com a multifacetada linguagem da juventude dos dias de hoje, o livro trava um diálogo com TV, cinema e mangás ao fundir texto com HQ (história em quadrinhos) em ilustrações assinadas pelo chargista e desenhista Alexandre Barbosa, o Bar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Wolfang é um rapaz que se transforma em lobo. No passado, ele fora o Ômega do clã, o mais fraco e insignificante do grupo, e, portanto, desprezado por seus iguais. Mesmo assim, surpreendentemente, Wolfang arriscou sua própria vida para salvar Amy do cruel alemão Blöter e do debochado irlandês Cannish – lobos como ele, porém, a serviço da gana assassina do Alpha Wulfmayer. No entanto, é a coragem, e não a força, que define um herói.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Agora, além de novo Alpha do clã – o mais forte e importante dos lobos –, Wolfang também precisa ser o guardião de Amy, afinal, ela é a chave para salvar toda a raça mutante. Improvável filha de uma humana com um lobo, Amy é um milagre fabuloso da mestiçagem carregando em seu sangue um inigualável dom de regeneração: ela é uma Derkesthai! Como tal, era capaz não só de curar, como também tinha o poder de unir as criaturas contra seus arqui-inimigos, os caçadores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Após anos de ostracismo, eles voltaram a caçar de verdade e nada poderia impedir sua sede de perseguição, sangue e morte – a aniquilação de todos os clãs de mutantes. Um vírus mortal, liberado impiedosa e sadicamente, era a arma dos caçadores para dar cabo das criaturas. Wolfang, o lobo branco, está ao lado de Amy para que ela possa cumprir sua missão e destino. Porém, a força da Derkesthai começa a ser dividida de maneira inesperada e decifrar o Código Criatura torna-se uma ação premente para atingir o caminho da salvação – antes que seja tarde! – neste thriller com espírito de HQ de tirar o fôlego do início ao fim."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Observação pessoal: estou com esse livro aqui em casa, e a capa é fantástica! As fontes são douradas, coisa linda de se ver!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;ASSASSINATO NA BIBLIOTECA, de Helena Gomes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDa7z26I/AAAAAAAAAew/j7Da77o7IzQ/s1600-h/assassinato_capa1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 170px; height: 254px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDa7z26I/AAAAAAAAAew/j7Da77o7IzQ/s320/assassinato_capa1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340671082505690018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Texto retirado do site da Rocco:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Prepare-se para se surpreender. &lt;em&gt;Assassinato na biblioteca&lt;/em&gt;, o novo romance juvenil da escritora e jornalista paulista Helena Gomes, autora de &lt;em&gt;Lobo Alpha&lt;/em&gt;, entre outros, é uma bem costurada trama de ação e suspense que prende a atenção do leitor do início ao fim. Mas não é só isso. Com um enredo que vai e volta no tempo, o livro conta uma história de mistério que beira o sobrenatural, no ritmo das narrativas policiais, mas oferece mais do que puro entretenimento: para decifrar o assassinato da bibliotecária do tradicional colégio onde estuda, em Santos, no litoral paulista, o jovem Igor se envolve num intrincado quebra-cabeças e acaba descobrindo muito sobre um período negro da história do Brasil: a ditadura militar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Novo na cidade, sem conseguir aceitar a morte do pai e o novo casamento da mãe, Igor é o típico adolescente-problema. Em casa, vive trancado no quarto; na escola, tem dificuldade para se integrar com os colegas e passa a maior parte do tempo sozinho na biblioteca, para fugir da chatice das aulas. É justamente numa de suas manhãs na biblioteca vazia, quando na verdade deveria estar em sala, que Conceição, a bibliotecária, é assassinada. O cenário é perfeito para incriminar o menino desajustado. Para provar que não é o assassino, Igor conta com a ajuda de Lara, uma menina-fantasma que mora na biblioteca da escola, local onde foi assassinada, em 1970, período negro do regime militar, quando tinha apenas 14 anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Alternando-se entre o crime ocorrido há 38 anos, quando Lara ia encontrar o irmão mais velho, estudante de filosofia da USP envolvido com o movimento estudantil, para entregar-lhe dinheiro para fugir, e os assassinatos que se sucedem à morte da bibliotecária, a trama surpreende o leitor com conexões inesperadas entre os fatos e os personagens a cada capítulo. A história familiar de Igor, a ligação entre a família de Lara e a de Gustavo, padrasto do garoto, a extravagante diretora Eunice, o sinistro vigia da escola, Gilmar, a bondosa e observadora irmã Mariana, professora de português há décadas, o solitário professor de filosofia Luiz, o prestigiado jornalista Henrique Sobral e o delegado Beltrão, todos estão mais envolvidos com as mortes ocorridas no Colégio Santa Maria do que Igor jamais poderia supor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com reviravoltas a todo momento, &lt;em&gt;Assassinato na biblioteca&lt;/em&gt; é um romance eletrizante que leva o jovem a refletir sobre a história recente do país, mostrando como a tortura e a repressão modificaram as vidas de milhares de pessoas. A autora aborda ainda questões que povoam o universo adolescente, como as dificuldades de relacionamento nas novas estruturas familiares, enquanto envolve o leitor numa atmosfera de suspense que tem um pé na realidade e outro na fantasia, demonstrando grande habilidade narrativa para se comunicar com os jovens. Não pode faltar em nenhuma biblioteca!"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Três exemplares do livro ANACRÔNICAS, de Ana Cristina Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDpJYbTI/AAAAAAAAAe4/3K_PY_lKqVI/s1600-h/anacronicas1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 190px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDpJYbTI/AAAAAAAAAe4/3K_PY_lKqVI/s320/anacronicas1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340671086320708914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Anacrônicas – Pequenos Contos Mágicos, é o primeiro livro publicado da escritora, reunindo obras espalhadas ao longo dos anos em diferentes websites e blogs.&lt;br /&gt;Ana passeia pelo gênero da fantasia/realismo fantástico com muita variedade em contos sucintos, que trafegam desde a fantasia contemporânea de autores como Neil Gaiman (influência confessa da autora, que está presente como epígrafe no livro – “O mundo sempre parece mais brilhante quando você acaba de criar algo que antes não estava lá” – como também pela revisitação do mito arturiano no conto “A Dama de Shallot”. A medievalidade e a influência histórica – e não custa dizer, a autora é historiadora formada na UFF, com Mestrado em História Moderna e atualmente está fazendo o doutorado em História Medieval na mesma universidade – está também presentes em contos como “Os Olhos de Joana” e “Feitiço sem Nome”, mas há também local para o intimismo cotidiano em “Borboleta”, “Viagem à Terra das Ilusões Perdidas” e “O Mapa da Terra das Fadas”. Há um pouco de tudo no universo de Ana Cristina Rodrigues.&lt;br /&gt;O livro terá 90 páginas ao custo de R$ 20,00, contando com um prefácio do importante escritor de ficção científica Octávio Aragão, autor de A Mão que Cria e do universo conjunto Intempol. São vinte contos que trafegam no tempo, no espaço, e mais importante do que tudo, no imaginário."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Obs. Os três livros foram gentilmente doados pela autora, Ana Cristina Rodrigues!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Links:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="georgia" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://talkativebookworm.wordpress.com/"&gt;Blog da Autora&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="georgia" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://talkativebookworm.wordpress.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://talkativebookworm.wordpress.com/anacronicas-pequenos-contos-magicos/"&gt;Página que informa o e-mail para compra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="georgia" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://fantastik.com.br/ana-cristina-rodrigues-2/"&gt;Fantastik&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;HYPERFAN - CINCO ANOS DE FANFIC, vários autores&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDiPfcvI/AAAAAAAAAfA/XZ4rhqu6dlI/s1600-h/hyperfan_cincoanosdefanfics.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDiPfcvI/AAAAAAAAAfA/XZ4rhqu6dlI/s320/hyperfan_cincoanosdefanfics.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340671084467286770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Os          &lt;i&gt;fan fictions&lt;/i&gt; ganham cada vez mais espaço na Internet, especialmente          aqueles dedicados a personagens dos quadrinhos. E um dos principais sites          brasileiros dedicados ao tema acaba de completar cinco anos com uma novidade:          o livro &lt;i&gt;Hyperfan: cinco anos de fanfic&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;         &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com um acervo de mais de 500 &lt;i&gt;fanfics&lt;/i&gt;, a maioria ambientada num "universo compartilhado", no qual personagens da &lt;b&gt;Marvel&lt;/b&gt; e da &lt;b&gt;DC&lt;/b&gt; coexistem (embora também possua espaço dedicado a personagens de outras editoras, de outras mídias - como cinema ou literatura e até para criações originais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;b&gt;Hyperfan&lt;/b&gt;, há uma comunidade de escritores e editores, decidindo sobre os textos e a cronologia do site de forma democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro pode ser comprado a preço de custo ou pode-se fazer seu &lt;i&gt;download&lt;/i&gt; gratuitamente no site. Não há, contudo, histórias com personagens de terceiros, mas sim a criação de um "universo ficcional" inédito, baseado no mesmo espírito que permeia a criação dos &lt;i&gt;fan fictions&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse universo ficcional, além de ter seu ponto de partida no livro, continuará a ser desenvolvido no site, em espaço próprio, e aberto à participação de todo e qualquer leitor/escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos contos que compõem o universo ficcional, há um pequeno histórico sobre os &lt;i&gt;fanfics&lt;/i&gt; no Brasil e no mundo. As ilustrações ficaram a cargo do desenhista JJ Marreiro e o prefácio foi escrito pro Fernando Lopes, primeiro editor-chefe do site e atual editor da &lt;b&gt;Marvel/Panini&lt;/b&gt; no Brasil."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Obs. Abra gentilmente doada por Marcelo Galvão, um dos autores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Link:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.hyperfan.com.br/"&gt;Site Hyperfan&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Três assinaturas da SCARIUM MEGAZINE, do editor Marco &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Bourguignon&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3hKj2uFEI/AAAAAAAAAfI/fP4YbT1Z-GA/s1600-h/clip_image002.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 217px; height: 310px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3hKj2uFEI/AAAAAAAAAfI/fP4YbT1Z-GA/s320/clip_image002.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340672304670970946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;A Scarium Megazine, para quem não conhece, é o seguinte: um misto de zine com revista de alta qualidade, belas capas, impressão caprichada. Mas o melhor são os autores. Basta entra no site (link abaixo), clicar na capa de qualquer uma das edições passadas, e verificar o time de escritores consagrados presentes em cada edição! Ah, não só escritores consagrados, mas também iniciantes criteriosamente selecionados pelos exigentes Marco Bourguignon (editor) e Giulia Moon (organizadora dos especiais de terror). Aliás, tenho o orgulho de dizer que já publiquei quatro contos em edições passadas da Scarium (para mais informações, clique &lt;a href="http://luamortal.blogspot.com/2008/11/aqui-esto-as-capas-das-edies-da-revista.html#links"&gt;aqui&lt;/a&gt;), e mais orgulho ainda em dizer que a primeira edição que os vencedores receberão em suas casas (número 25) também conta com uma história minha! Portanto, o tio Mario aqui oficialmente inicia sua participação mais pessoal nos prêmios oferecidos aos autores, rsrsrs! Mais informações sobre a edição 25 podem ser lidas clicando &lt;a href="http://luamortal.blogspot.com/2009/05/publicacao-de-conto-na-scarium-megazine.html#links"&gt;aqui&lt;/a&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, cada edição é uma verdadeira antologia de contos, em sua maioria escritores profissionais (vários escritores que estão doando livros para este concurso já participaram da Scarium). Se considerarmos o preço módico de oito reais por edição, podemos concluir que cada número é um livro quase de graça! Concluindo, eu recomendo, rsrs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Obs: as assinaturas foram gentilmente doadas por Marco &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Bourguignon, editor da revista. Ah, deixa eu contar como foi meu pedido: mandei um e-mail bem cara-de-pau, pedindo uma revistinha de doação, talvez três, se não fosse muito incômodo... Daí o Marco me manda um e-mail perguntando "posso até atender seu pedido, mas não seria melhor oferecer três assinaturas da revista como prêmios?". HAUAHAUA, quase caí duro, tive que mandar um e-mail pra ele confirmar que estava oferecendo três assinaturas, não três revistas! Era bom demais pra ser verdade, mas acreditem, é verdade, rs. Cada assinatura oferece quatro revistas, portanto, é um prêmio bem mais generoso que apenas uma revista para cada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.scarium.com.br/"&gt;Site da Scarium Megazine&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.scarium.com.br/vintecinco/"&gt;Informações sobre a Scarium 25&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://scarium.com.br/loja/"&gt;Loja Virtual&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://scarium.blogspot.com/"&gt;&lt;br /&gt;Blog da Scarium&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://luamortal.blogspot.com/"&gt;Blog de um dos autores, ou seja, eu! HAUAHAU!!!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por enquanto é isso. Abraços, a próxima lista será a última (e também será especial para mim, aguardem!).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-7921536024363861698?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/7921536024363861698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/lista-de-premios-4.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7921536024363861698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/7921536024363861698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/lista-de-premios-4.html' title='Lista de Prêmios 4'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sh3gDE09NHI/AAAAAAAAAeg/8muCByG_Hc4/s72-c/loboalpha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-8472279983367025806</id><published>2009-05-27T14:06:00.001-07:00</published><updated>2009-05-27T14:08:41.234-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Museu do Terror'/><title type='text'>MUSEU DO TERROR</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;Demoraram quase quinze dias para montar todo o parque. Finalmente, na sexta-feira, a bilheteria abriu. Filas e mais filas se formaram para os brinquedos e as atrações principais. Isolado, em um extremo do quarteirão, ficava o Museu do Terror, que não acumulava visitantes em sua entrada.&lt;br /&gt;   Uma menina puxando pelo barbante um balão de gás em forma de coração pediu ao pai que a levasse naquele brinquedo. O pai disse que aquele não era um lugar para se visitar, nem mesmo era um brinquedo. E além do mais deveria ser um tanto mórbido. A menina perguntou o que era mórbido. Bateu pé, quase esperneou. Queria entrar. Estava resoluta em sua decisão.&lt;br /&gt;   O pai preferiu não discutir e nem explicar o significado da palavra que ela não conhecia. Apenas acatou, faria a vontade da filha, afinal, só encontrava a menina aos finais de semana. Durante os outros dias, ela ficava com a mãe. Queria ser um bom pai no fim das contas.&lt;br /&gt;   Uma velha gorda, com um dragão tatuado no ombro, carimbou as mãos dos dois. Agora teriam livre acesso ao brinquedo. Pai e filha entraram depois de empurrar uma espessa cortina de pano negro. O lugar era amplo e mantinha-se na penumbra. Luminárias estavam estrategicamente instaladas sobre dezenas de caixas de vidro. O tamanho das caixas variava de acordo com o objeto que ostentavam. Todas tinham uma placa de metal contendo algum texto informativo. Diferentes, porém, de quaisquer textos encontrados em museus tradicionais. Às vezes, as plaquetas apresentavam apenas o nome, a origem ou um dado relevante sobre a coisa em exposição. No geral, se resumiam a mensagens curtas e incompletas.&lt;br /&gt;   Os dois caminharam até a caixa mais próxima. Solícito, o pai leu para a filha. A menina ainda não estava na escola, mesmo assim já sabia juntar as sílabas e compreender parte do que permanecia gravado na plaqueta.&lt;br /&gt;   — Artefato: A Mão do Macaco. Origem: Índia. Concede três desejos a três pessoas diferentes. Cuidado com o que você deseja!&lt;br /&gt;   — Posso fazer um pedido, papai?&lt;br /&gt;   — Não, filha! Não perca o seu tempo. Além do mais, você acha que essa coisa seca, com garras e pelos nos trará sorte? Eu sei o que você quer. Quer um pacote de pipoca doce, não é mesmo? Não precisa pedir. Eu comprarei. Tudo bem?&lt;br /&gt;   — Tá bom. Olha aquela coisa na outra caixa, papai — a menina cheia de ânimo apontou para um canto.&lt;br /&gt;   Era um gato preto mumificado. Na placa não havia qualquer informação além do nome do felino: Pluto.&lt;br /&gt;   — Pobre gatinho, papai. Ele não tem um dos olhos.&lt;br /&gt;   — Bizarro o bichano — murmurou o pai.&lt;br /&gt;   Mais adiante, os dois encontraram uma caixa de tamanho médio vazia.&lt;br /&gt;   — Por que não tem nada aí dentro, papai?&lt;br /&gt;   — Vou ler o que diz aqui. Criatura: O Horla. Origem: Possivelmente extraterrena. Capturado no Brasil. Alimenta-se da essência vital dos humanos. Necessita beber água constantemente.&lt;br /&gt;   — Hi, hi, hi. Esqueceram de colocar o boneco aí dentro!&lt;br /&gt;   — Lembraram de deixar a vasilha com água. Acham que sou idiota. Vou pegar nosso dinheiro de volta! — reclamou o pai.&lt;br /&gt;   Uma vitrina feita junto a uma das paredes de madeira comportava uma máquina complexa. Continha uma cama de metal acoplada a circuitos, fios e chaves de alta voltagem. O pai leu a plaqueta:&lt;br /&gt;   — Artefato: Máquina do Dr. Frankenstein. Criada em 1816. Cuidado: A tempestade é capaz de conceder a vida. O homem não deve almejar os poderes de Deus.&lt;br /&gt;   — E quem teria capacidade para tanto? — o pai ironizou o alerta.&lt;br /&gt;   Foram em frente. Os passos do pai pesavam sobre as tábuas que rangiam. Os pezinhos da menina, no entanto, pareciam plumas deslizando no assoalho encerado.&lt;br /&gt;   — Um caderno velho — disse a menina indicando outra caixa.&lt;br /&gt;   — O diário de Renfield. O documento que Bram Stoker não teve acesso.&lt;br /&gt;   — Quem é essa pessoa, papai? — a menina apertava e sacudia os dedos fortes dele para que respondesse a pergunta.&lt;br /&gt;   — Não faço a mínima ideia. Tem um livro de verdade ali. Talvez possamos saber quem é o autor.&lt;br /&gt;   O livro tinha aspecto antigo. Estava aberto. A capa era de couro, as páginas amarelas graças à ação do tempo exibiam letras e uma quantidade indecifrável de símbolos gravados com uma tinta vermelha.&lt;br /&gt;   — Livro: Necronomicon. Escrito por volta do século VIII depois de Cristo. Autor: Abdul Alhazred, o Árabe Louco. Integra os Mitos de Cthulhu. Cuidado: portas para outras dimensões podem ser abertas a partir das intrincadas regras do livro. O inferno é o menor dos seus males.&lt;br /&gt;   Um frio estranho percorreu a espinha da menina. Ela tremeu e se agarrou com mais força na mão e no braço do pai. Inferno era uma palavra que conhecia e da qual não gostava.&lt;br /&gt;   Ao lado daquela caixa de vidro, havia outra. Continha uma garrafa de bojo largo e pescoço comprido. Uma rolha a mantinha fechada. Um líquido escuro e esverdeado repousava em seu interior. O pai leu o texto:&lt;br /&gt;   — Peça: Fórmula do Dr. Jekill. Cuidado: Não beba. O outro se instalará em sua alma. Chega, filha. Vamos embora. Esse lugar está me cansando. Todo mundo sabe que o Dr. Jekill não passa de um personagem. Uma invenção de algum escritor lunático. Não acredite nessas coisas. Tudo aqui dentro é falso. Estou precisando de ar.&lt;br /&gt;   — Pai, vamos ver só mais um. Só mais um.&lt;br /&gt;   — O último, então. Ali tem outra cortina e não é a saída.&lt;br /&gt;   — Tá escrito na placa em cima da porta — a menina demorou um pouco pra juntar as sílabas — Te...rror...Su...pre...mo!&lt;br /&gt;   O pai ficou curioso, o que poderia ser pior do que aquele amontoado de bugigangas espalhadas em uma sala escura e pouco ventilada? A menina o puxou pela mão. Em seguida empurraram a cortina adentrando no pequeno e abafado aposento contíguo. À direita deles havia uma única caixa de vidro. Essa era a sua legenda:&lt;br /&gt;   — Réplica: Little Boy. Lançada em 06 de agosto de 1945 sobre Hiroshima.&lt;br /&gt;   Na parede da esquerda fotos e mais fotos em preto e branco referentes à explosão provocada por Little Boy aterrorizaram o homem. O pai colocou a palma da mão sobre os olhos da filha e a carregou dali. Alguns instantes depois, ele agradecia inconscientemente a Deus por poder respirar mais uma vez o ar puro e fresco da rua.&lt;br /&gt;   — O que aconteceu? — quis saber a menina apreensiva.&lt;br /&gt;   — Vamos a um brinquedo mais legal — o pai desvirtuou o assunto. Queria afastar todo aquele terror de sua retina.&lt;br /&gt;   — Eu quero ir à roda gigante.&lt;br /&gt;   — Seu pedido é uma ordem — tentou descontrair.&lt;br /&gt;   — Você não tá esquecendo uma coisa?&lt;br /&gt;   — O quê?&lt;br /&gt;   — Minha pipoca doce.&lt;br /&gt;   Os dois passearam o dia inteiro pelo parque. O pai guardou trancafiada a lembrança do Museu do Terror em um canto bem obscuro da memória. Preferia nunca mais lembrar daquele momento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-8472279983367025806?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/8472279983367025806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/museu-do-terror.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8472279983367025806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8472279983367025806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/museu-do-terror.html' title='MUSEU DO TERROR'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-824839175089020945</id><published>2009-05-27T14:02:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T14:08:08.317-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Viagem'/><title type='text'>A VIAGEM</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:12.0pt; 	font-family:Arial; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Rodolfo Góes acordou com o ruído do despertador do celular que, vibrando e tocando música, quase pulava sobre a cabeceira de sua cama. Olhou para o lado e a cama enorme estava vazia. “Ótimo” – pensou – “A alemãzinha já se foi. Valeu à pena cada euro dos 200 que eu paguei. Foi muito engraçado escutar suas fantasias infantis sobre ser cantora ou atriz. Que burra! Puta só consegue, no máximo, filmar pornografia. Ponto.” – observou divertido.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Levantou o corpanzil gordo da cama e se dirigiu nu ao banheiro já com o celular na mão. Não eram nem seis da manhã e ele já ligava para a secretária. Sentou-se no vaso e falou.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Brigitte, conseguiu fechar a reserva da minha passagem e a do hotel também?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Sr. Rodolfo, consegui uma reserva agora cedo na classe econômica bem a tempo para que o senhor chegue no horário para a reunião às duas da tarde. Os vôos estão meio lotados por causa do feriado de amanhã e...&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Brigitte, eu não vôo de classe econômica. Ponto. Mesmo que eu tenha que transferir a reunião de hoje à tarde, não me interessa! Dê um jeito, use seus contatos, se vire!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Desligou irritado sem sequer se despedir. “É preciso tratar os subalternos assim.” – pensou. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Tomou banho, vestiu o robe atoalhado e ligou a máquina de fazer expresso. Abriu as cortinas e ficou apreciando o dia terminar de nascer, dourando a paisagem verde de Munique. Olhou a agenda no celular e levou um susto. “Merda! Quase esqueci.” Ligou outra vez para a secretária.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Brigitte, hoje é aniversário da minha filha. Compra um presente e manda entregar na casa da mãe dela.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_E o que eu compro, Sr. Rodolfo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Não sei. Compra qualquer coisa que você goste. Só dê um jeito de que entreguem hoje lá no Recife. Manda um cartão junto e escreve qualquer bobagem. Ah, alguma novidade sobre o meu vôo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Sim. Eu ia ligar para o senhor agora mesmo. Se transferirmos a reunião para as cinco da tarde, posso encaixar o senhor num vôo às treze horas. Há muitas vagas na classe executiva neste vôo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_E qual é a companhia aérea? Você sabe que eu não vôo de LOT, TAROM, estas merdas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Não, não. O vôo é Lufthansa.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;_Fechado então. Manda pro meu celular um email com os dados da reserva e providencia a alteração do horário da reunião.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ficou sorvendo o café forte e denso devagar enquanto admirava o apartamento enorme, decorado com gosto sóbrio e caro. Preparou os papéis e fez um resumo sobre os assuntos em pauta na reunião. Ligou o notebook e resolveu ler um pouco sobre o destino do seu vôo: Bucareste – Romênia. Era bom saber alguma coisa sobre aquela escória ex-comunista para puxar papo com os clientes. Depois, terminou de preparar a mala, vestiu o caro terno Armani e ligou para a empresa de táxi agendando sua ida ao aeroporto.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Na fila do check-in já estava irritado com a demora no embarque. Certamente escreveria um email bastante desaforado citando nomes e horários. Conhecia muita gente influente e se divertia sobre quanto estrago um simples email podia causar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;À sua frente, um jovem alemão louro de uns trinta anos, enorme e forte como um jogador de rúgbi conversa com outro homem moreno bem mais novo e mais baixo que tem sotaque espanhol. Rodolfo não daria muita atenção a eles se não visse, de repente, o espanhol dar a mão ao gigante alemão. Havia alianças douradas e iguais em ambas as mãos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;“Veados!” – pensou – “Estão em todo lugar. No Brasil estes sem-vergonhas teriam mais pudor de se exibir. Mas aqui na Europa, é um inferno. Andam de mãos dadas, beijam-se nas ruas, não querem nem saber.”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Embarcou, sentou junto à janela na confortável e larga poltrona da classe executiva e já chamava a aeromoça, grosseiramente, pedindo para saber as opções de bebidas.&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family: georgia;font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Para seu desgosto e completo desagrado, o casal de homens senta ao seu lado. O alemão na poltrona do meio e o espanhol na do corredor. Ele xinga em pensamento, enquanto de soslaio observa que não seria boa idéia irritar o alemão grandalhão. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Faltavam uns dez minutos para a decolagem e, para a sua surpresa, a aeromoça traz pela mão uma senhora idosa e um garotinho de uns cinco anos. A senhora usa um simples vestido florido de algodão, do tipo que se costura em casa e é branca, gorducha e tem os cabelos bem brancos. O menino tem os cabelos cortados bem curtos e tem a tez escura, num tom de chocolate. Ele veste uma camisa com motivos infantis e segura uma girafa amarela de brinquedo numa das mãos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;“Era o que me faltava. Trazerem agora gente da classe econômica pra cá. Por que deram &lt;i style=""&gt;upgrade&lt;/i&gt; para estas pessoas?”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;A aeromoça acomoda a senhora na poltrona à frente de Rodolfo e o menino ao lado dela. Ele se irrita e se indigna ao escutar o menino chamando a senhora de “vovó”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O avião se dirige à pista de decolagem e Rodolfo, assustado, observa pela janela o céu se fechando de nuvens escuras. A aeronave finalmente decola, adernando como um pássaro ferido, em meio às nuvens castanhas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Passam-se uns vinte minutos e ele já bebeu umas duas doses de uísque. As refeições são servidas e ele aproveita para olhar, indiscretamente, o decote da aeromoça. Seu vizinho alemão observa e franze o cenho em desaprovação a seu comportamento. Talvez, mais sensível por ter bebido demais, Rodolfo começa a achar extremamente desagradável o cheiro de velhice e sabonete barato que rescende a senhora à sua frente. Como se não bastasse, ela tira um livro de contos de fadas da bolsa e fica contando histórias para o netinho, num rítmo cadenciado e lento que lhe dá sono.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele cochila por uns minutos e acorda com um solavanco do avião que está passando por uma área de turbulência. Os sinais de apertar os cintos são acesos. Ele aperta ainda mais o cinto e segura forte no braço da poltrona com medo. O casal de homens ao seu lado conversa tranquilo, sem dar muita importância à tempestade lá fora. Rodolfo começa a prestar atenção na conversa deles. Defitivamente, o rapaz mais baixo é realmente espanhol, pois troca o som de “v” do “w” alemão por “b”. Pelo que ele entendeu, os caras estão planejando comprar móveis novos por alguma razão. Estão organizando e se preparando para alguma coisa animadamente. Ele bebirica seu uísque e quase se engasga quando escuta uma palavra: “adoção”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Meio bêbado e sem muita noção, ele deixa escapar alto: “Faggots!” &lt;b style=""&gt;*&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Mais que rapidamente, o alemão faz uma expressão indignada, solta o cinto e se levanta. Ele está vermelho como um tomate e agarra Rodolfo pela lapela enquanto o espanhol o segura pelo braço tentando acalmá-lo. O gigante o sacode e grunhe uma torrente tão pesada de palavrões em alemão que Rodolfo não entende sequer a metade. A senhora e o menino olham para trás assustados. Finalmente, o rapaz espanhol consegue dissuadir o companheiro que larga a camisa de Rodolfo. O homem bufa vermelho e faz um gesto com a mão, batendo o punho fechado na palma da outra mão. O espanhol fala alguma coisa sobre não dar tanta importância à “esta gente”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O clima ficou tenso e Rodolfo, covardemente, se encolhe e finge dormir. O avião continua a sacolejar como um carro velho numa estrada esburacada. Eles entram numa nuvem escura e uma luz forte como um flash brilha e um barulho ensurdercedor se faz ouvir. O avião foi atingido por um raio!&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family: georgia;font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;As luzes se apagam e há uma sensação horrível de queda enquanto as máscaras de oxigênio saltam à frente dos passageiros. Agarrado à poltrona, Rodolfo observa, em meio às luzes dos raios que iluminam o interior da aeronave, a senhora abraçando o netinho, segurando-o junto ao peito como se seu corpo pudesse protegê-lo de qualquer dano. O casal de rapazes de mãos dadas e de cabeças juntas se confortando. Ele pensa com tristeza que está sozinho. Que vai morrer sozinho. Que a vida é injusta afinal.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Mas, miraculosamente, as luzes voltam a acender, o avião estabiliza e o piloto acalma os passageiros pelos autofalantes. Alguns minutos depois, os procedimentos de pouso começam e o avião mergulha numa grossa camada de nuvens brancas que cobre toda a cidade lá em baixo como um lençol alvo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;O pouso é suave e os passageiros se encaminham para pegar suas bagagens. Rodolfo está impressionado com as instalações do aeroporto. Ele tinha uma idéia muito diferente da Romênia e o aeroporto é impressionantemente limpo, bonito e moderno. Absolutamente &lt;i style=""&gt;clean.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Ele pega a mala na esteira e se encaminha para passar pela imigração. No entanto, há a frente uma fila com aquele antiquado método de seleção de artigos a declarar. Apertando o botão e acendendo a luz verde: liberado. Acendendo a vermelha, a bagagem será revistada. Isto é muito estranho, pensa ele. Este tipo de verificação é a última coisa que se faz. Sempre depois de se passar pela imigração. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;À sua frente na fila, a senhora com o netinho no colo, aperta o botão e a luz verde acende e eles seguem. Bem mais à frente, através do vidro de uma janela, amigos e parentes acenam para eles contentes.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Os rapazes apertam o botão também e seguem na mesma direção da senhora. Abraçados e da mesma maneira acenando para pessoas do outro lado da janela.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;Rodolfo aperta o botão e a luz vermelha acende e se faz escutar um sinal sonoro baixo e desagradável. Ele é encaminhado a um corredor lateral e segue xingando e arrastando a mala atrás de si. O corredor leva a outro corredor ainda. Este é comprido e mal iluminado e ele segue de má vontade. Ele planeja, muito seriamente, escrever um email extremamente desagradável às autoridades romenas por ter sido tão maltratado. Eles vão ver. Eles não perdem por esperar. Com certo assombro e receio ele vê muito distantes as luzes encarnadas e bruxelantes de um enorme salão ao final do corredor.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;No dia seguinte, na capa dos principais jornais, há fotos do avião espatifado nas cercanias de Bucareste. Aparentemente caiu após ter sido atingido por um raio. Não houve sobreviventes, infelizmente.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-824839175089020945?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/824839175089020945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/viagem.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/824839175089020945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/824839175089020945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/viagem.html' title='A VIAGEM'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-8684398723721843324</id><published>2009-05-25T14:51:00.001-07:00</published><updated>2009-05-25T14:51:34.258-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nascido no dia do Senhor'/><title type='text'>NASCIDO NO DIA DO SENHOR</title><content type='html'>&lt;div style="margin: 1ex; font-family: georgia;"&gt;      &lt;div&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bem, vou contar pra vocês  algo que um amigo de um amigo meu me contou. O que rolou com o meu camaradinha,  o Domênico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Veja só você, Domênico é  o tipo de cara que inspira confiança. Um negão alto e magrelo, de  uns trinta anos e com sorriso aberto, cheio de dentes brancos na cara  preta. Sempre com uma palavra amiga, sempre com um conselho bem-vindo,  sempre calmo. Domênico é tão gente boa, é tão sangue-bom, que ninguém,  ninguém jamais acreditaria se eu contasse que ele saiu no pinote do  morro. Com toda a féria da semana, junto com sua filha pequena, a Mariana.  Levando algo como, no mínimo, uns quinze mil reais. Pelo que soube,  pra bancar alguma operação urgente da pequena.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos tempos em que o dono da  boca-de-fumo era o Manuelzão, talvez houvesse até perdão. Uma sova  de arriar os quartos, a expulsão dele e da família do morro e pronto.  Afinal, era o Domênico! Quinze anos de serviços sem falta. Trabalhou  de “vapor”, “fogueteiro”, “olheiro”  e o escambau.  Alguém que tinha passado a cuidar da contabilidade do tráfico tão  direitinho que nunca deram falta de um centavo sequer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas, desde que Manuelzão foi  grampeado e o Luizinho Tinhoso tomou seu lugar, ninguém no seu juízo  perfeito faria  o que Domênico fez. Eu me lembro muito bem de  quando era o Tico que cuidava do caixa da boca e ele deu sumiço numa  mixaria, uns quinhentos paus,  para pagar uma dívida e repor depois.  Dívida de jogo, eu acho. Quando Luizinho descobriu a diferença, juntou  seus capangas mais violentos e arrastaram o Tico lá pro “microondas”,  no alto do morro. E, pelo que me contaram, foi uma covardia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Primeiro porque, pra humilhar  o Tico, arriaram as calças do coitado e uns dois capangas enrabaram  o pobre à força.  Logo Tico, que se gabava de ser muito homem,  de ser comedor. Depois, Tinhoso meteu a faca no bucho dele e deixou  o sujeito berrando com as tripas de fora. Terminaram o serviço largando  ele pendurado de cabeça pra baixo no lixão. Tipo, pros ratos o comerem  vivo durante a noite. Todo mundo escutou ele gritando e ninguém teve  coragem de fazer nada. No dia seguinte tava o corpo lá, todo comido,  cheio de urubus ao redor. Até dentro da barriga tinha rato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Domênico fugiu então com  a filha pra casa da bisavó dele. Uma velha bem velha de uns noventa  e lá vai fumaça, quilombola lá de Brejo dos Crioulos. Ele achava  que estaria seguro lá porque o morro onde a bisavó dele mora é controlado  por uma milícia. Ele pensava que Tinhoso não teria coragem de ir atrás  dele lá. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uns três dias depois que estava  escondido com a menina na casa da velha, a “bisa” jogou os búzios  pra Domênico.  E ela olhou ele bem no grão do olho, com aqueles  olhos pequenos e cheios de cataratas, porque não tinha visto nada de  bom.  Ele pediu então um trabalho bem pesado pros orixás. A velha  era poderosa, sabia coisa do tempo dos escravos. Estas coisas que se  passam de mãe pra filha, de avó pra neta. Mas a velha falou: “&lt;i&gt;Num&lt;/i&gt;  dá tempo Domê, os orixás atendem quando querem. &lt;i&gt;Num&lt;/i&gt; é assim!”   Foi então que ele pediu pra ela algo mais. Alguma coisa que deixou  a velha apavorada. Um troço que ela jamais faria pra qualquer pessoa.  Mas, ele não era qualquer pessoa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No mesmo dia, de noitinha,  Domênico tava fumando seu cigarrinho e bebendo sua cervejinha sossegado  perto da birosca do Pimpão na subida da favela, quando um monte de  carros e motos cercaram o lugar. Ele não reagiu porque não era bobo  nem nada. Levou uns tapas e enfiaram ele no carro e levaram pro morro  onde Tinhoso era o chefe da boca. Subiram com ele pro “microondas”  e começaram a dar porrada na cara. Só socão. Quando ele tava todo  ensanguentado, perguntaram:  “Quem é que manda no morro? Quem  é que manda nesta porra?”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele falou algo baixinho que  ninguém escutou. Perguntaram de novo e ele disse de novo algo muito  baixo. O Fernando Malandrinho, que era um dos negões mais parrudos  e  braço direito do Luiz Tinhoso, chegou o ouvido bem perto da  boca do Domênico e perguntou de novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que eu vou contar foi coisa  que um menino que tava no alto de uma árvore viu. A história passou  de boca em boca e pode ser que eu esteja exagerando. Mas eu boto fé  que foi assim mesmo que aconteceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pois, quando o Malandrinho  chegou o ouvido junto da boca do Domênico, ele não respondeu. Ao invés  de responder ele mordeu a orelha. Mas mordeu tão bem mordido, feito  um bicho, sei lá. Mordeu e girou o pescoço feito um leão. Arrancou  a orelha com os dentes e puxou a metade da pele do rosto toda junto.  Praticamente arrancou o rosto do desgraçado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com a boca cheia de carne e  sangue, Domênico começou a rir. Todos ficaram apavorados, porque aquela  não era a boca dele. Aquilo não era boca de gente. Era quase um rasgão  que ia de orelha à orelha e tinha tanto dente que não parecia possível  caber numa boca só.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E ele, que até então, estava  ajoelhado levando porrada, arrancou a camisa e se levantou. Não era  mais o Domênico, o negão simpático, que tava lá. Era coisa muito  maior, muito pior. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O pessoal não pensou duas  vezes. Eles sacaram os berros e saíram pipocando pra cima dele com  tudo. Mas ele só ria, porque as balas derretiam e escorriam pelo corpo.  Nem arranhavam o filho-da-puta. O bando se apavorou e tentou fugir.  Mas, do nada, surgiu uma parede de fogo fazendo um círculo bem no meio  do “microondas”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ficaram lá se olhando apavorados  sem saber o que fazer. O bicho que foi o Domênico, jogou a cabeça  para atrás, levou as mãos cheias de sangue e as esfregou no rosto  todo feliz. Como se estivesse gozando ou se preparando pra gozar depois.  Da cabeça, montes de cobras surgiram e a criatura gargalhava que nem  louca.  Sabe, não se movia feito gente. Ele meio que dançava,  cada movimento seu não era natural. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De repente, parou de rir e  começou a falar muito sério com uma voz tão arranhada quanto giz  numa lousa : “Há favores que, de tão prazeirosos, nem precisariam  ser cobrados. Há aspectos de mim mesmo que não deveriam ser despertos.   Eu não sou o Exu-Elegbara brincalhão do povo negro. Porém sim, o  que outros povos também antigos chamavam de Belial. Quanto a   vocês, podem me chamar do que quiserem, pois não fará diferença  alguma.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dito isto, ele rasgou as calças  do Domênico que ele ainda vestia e exibiu, com orgulho, o pau ereto,  gigante e espinhoso. Os gritos foram escutados no morro todo a noite  inteira. A criatura só ria e gozava com todo o tipo de atrocidade.  Depois de violentar Tinhoso por umas tantas vezes, parece que o beijou,  enfiando a língua comprida garganta abaixo e revirando e puxando suas  tripas pela boca depois. Virou o infeliz pelo avesso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando amanheceu, no dia seguinte,  só havia restos queimados e rasgados por todos os lados e o chão estava  pegajoso de tanta porra e sangue espalhados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O mais incrível foi o que  me contaram depois. Que, o tempo todo, Domênico esteve na casa da sua  bisavó, xingando baixo pra filha não escutar palavrão, enquanto tentava  segurar o controle remoto da TV com as mãos enfaixadas, agora, sem  os polegares dados em oferenda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É o que eu sempre digo. O  cara não é marrento, o sujeito é gente fina, é malandro das antigas.  Levaria tiro por um amigo numa dura dos meganhas e tal. Mas, não fode  com ele não. Não fode, porque ele pode te foder direitinho em troca!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-8684398723721843324?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/8684398723721843324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/nascido-no-dia-do-senhor.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8684398723721843324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8684398723721843324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/nascido-no-dia-do-senhor.html' title='NASCIDO NO DIA DO SENHOR'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-1412907035623660416</id><published>2009-05-25T09:38:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T09:41:49.854-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Falso Mensageiro'/><title type='text'>O FALSO MENSAGEIRO</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Tec Tec Tec  - fazia o barulho do teclado, no silêncio das duas e meia de uma madrugada  gélida e solitária.  Edgar estava sozinho e se sentindo o maior  dos miseráveis: “Puta, aquela que me deixou deslocado e desorientado,  privando-me de sexo, vai demorar até encontrar outra que aceda aos  meus caprichos masculinos” – pensava tempestuoso.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Após colocar  o cigarro no cinzeiro, deixando cair pelo percurso algumas cinzas no  chão, percebeu que os restos formavam um estranho símbolo, parecido  com um ovo, e dentro, uma cruz invertida, ele estremeceu na hora, mesmo  sem saber o que significava, mas a exatidão da imagem era assustadora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Levantou-se  e não limpou a sujeira – seria o subconsciente tentando alertá-lo  de não esquecer? – foi para o banheiro e tomou um demorado banho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Não voltou  tão cedo para seu escritório, ficou na cozinha beliscando algumas  bolachas e rosquinhas, sobras do café da tarde. A vontade de tomar  café era grande, mas como morava sozinho e já estava um pouco tarde  da noite, resolveu requentar no micro-ondas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Todos os sábados  eram assim, depois do fim de seu namoro, há três semanas. Não saía  para se divertir, ficava beliscando sobras de comida e o resto do tempo  - principalmente de madrugada - eram preenchidos com o computador, vício  do século XXI.&lt;br /&gt;A “limpeza” de seu apartamento não era das melhores depois que  sua namorada se mudou. Um ar sombrio sobrevoava o ambiente. Sempre com  um cheiro de enxofre, manchas apareciam na parede limpa e sempre que  chegava do trabalho, havia alguns vermes na porta de entrada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Namorou com  Angélica por dois anos e meio, mas suas grosserias e comportamento  explosivo pesavam mais na balança do que seus poucos gestos românticos.  Angélica não agüentou! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Durante a semana,  preocupava-se mais em bajular o chefe anti-social do que colocar a mão  na massa.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Voltou para  o escritório, varreu para um canto o resto das cinzas e foi dormir,  já não tinha mais nada a fazer e o tempo começava a esfriar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;A Noite não  foi das melhores, seu sono era interrompido diversas vezes pelo barulho  constante do vento que balançava os galhos fazendo com que batessem  em sua janela. Como seu apartamento era só de cinco andares – morando  no segundo – havia duas belas árvores grandes em frente, com galhos  necessitando de corte. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Acordava assustado,  já que os “arranhões” na janela o deixavam inquieto e alarmado.  Quando finalmente pegou no sono “pesado”, teve estranhas visões  da imagem que havia se formado no chão com as cinzas do cigarro. Imagens  que se misturavam com demônios, cemitério e hospital.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;SEGUNDA DE  MANHÃ&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Toca o telefone,  quanto Edgar estava se arrumando para o trabalho:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Ed, sou eu,  Angélica, te acordei?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Ah... Oi  Angi, tudo bem? Não, não me acordou, algum problema? - disse um pouco  surpreso. Já que Angélica havia sumido desde que terminaram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Estou mais  ou menos, preciso falar com você, é um assunto de urgência a respeito  de nós!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Hum... Você  pode me adiantar alguma coisa?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Não, tem  que ser pessoalmente, podemos almoçar juntos? – dizia com certa ansiedade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Claro, pode  ser no lugar de sempre?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Ok, marcado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Edgar saiu  impaciente, o que Angélica estava querendo? Deveria ser alguma bobagem,  pensava. Sempre fora de acreditar em destino, em mensagens sobrenaturais  e assuntos do gênero, além de gostar de jogar tarô e seguir a risca  o “Feng Shui”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;“Deve ser  algum sonho bobo que ela teve”. – pensava, tentando descobrir o  tópico do assunto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O trabalho  não houve assuntos imediatos, a fim de que pudessem ser resolvidos  com urgência. Logo que o relógio marcou onze e meia, saiu para se  encontrar com Angélica. Queria saber o que era, estava ficando aflito,  por mais que conhecesse sua ex e suas “bobagens”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Que bom que  veio Ed, não agüentava mais esperar que a manhã passasse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ O que foi  em Angi? Você teve algum daqueles sonhos estranhos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Não, o que  tenho para falar é concreto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Concreto?  Como assim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Após dar um  gole no refrigerante, angélica dispara:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Fui à farmácia  ontem. Depois fui ao posto fazer exame de sangue.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Mas você  esta doente? Com AIDS? – disse quase se engasgando com arroz!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Edgar, estou  grávida! E o filho é seu!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Edgar cuspiu  o pouco de arroz que estava em sua boca, pegou o copo de cerveja e deu  um gole demorado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Como assim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Grávida  oras, de um bebê, vamos ter um filho, estou de quatro semanas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Mas não  tomamos cuidado? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Não sei,  às vezes a camisinha estoura, ela não é 100% segura!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Bom, você  quer ter?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Claro! Por  que, você não?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_Claro, sempre  quis ter um filho, e estou com quase trinta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Eles conversaram  um pouco mais e decidiram se encontrar em seu apartamento, a fim de  se entenderem de vez e resolver o que fariam em diante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Edgar volta  para a casa e lembra-se do símbolo que o deixou tão transtornado na  madrugada de sábado. Como estava à toa na internet, resolveu pesquisar  no Google.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Digitou em  pesquisar: “Símbolo Ovo” e “Cruz invertida”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Resposta: “&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;i&gt;OVO:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;i&gt;As suas características físicas  são únicas e bem definidas. É frágil. Contém um repositório de  vida nova. É um embrião primitivo que, mais tarde, ergue um mundo  novo. O ovo é um dos primeiros símbolos religiosos.  É símbolo de fertilidade e eternidade”.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Resposta sobre  a cruz: &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;i&gt;“Símbolo  satanista, representando o demônio”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Minha Nossa  Senhora. – disse se levantando rapidamente quase caindo da cadeira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Que coisa  mais estranha. O ovo tudo bem, pode ter sido lá um sinal, mas a cruz?  Que brincadeira de mau gosto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Um arrepio  levantou os pelinhos do braço levando-o a estremecer todo. Neste momento  viu o quão ruim era morar sozinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Então ouve-se  a campainha, um pouco desnorteado segue até a porta e quando abre,  não vê ninguém, mas ao chão há uma pequena caixa preta, com letras  em vermelho dizendo: “Silencie o Demônio”. Edgar teme o que possa  estar dentro da caixa, leva para dentro de casa, coloca em cima da mesa  e decide abrir. Dentro, um punhal, de prata, parecendo novo, com cheiro  de novo, e nada mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;“Quem haveria  colocado este trote de mau gosto?” – pensou enfurecido.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;MAIS A NOITE&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Angélica chega  ao apartamento de Edgar para tratar de detalhes sobre o futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Senta-se no  sofá enquanto ele busca um suco de laranja para ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Háaaaa.  – grita ao inclinar o copo de suco para a boca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O Suco de laranja,  doce e com uma cor vívida, se transformara em sangue, vermelho escuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O copo escorregou  sobre suas mãos caindo no chão se tornando uma mancha enorme.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Neste momento,  surge um espectro, usando preto, com seu rosto tampado com um capuz.  Edgar e Angélica empalidecem. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Ele estava  no canto da porta de entrada do apartamento e dizia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Silenciem  o Demônio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Co... co..  como assim? – perguntou Edgar&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Matem o bebê!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Mas por quê?  Quem é você?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ O bebê foi  gerado no dia seis de junho do novo milênio, às seis da tarde, no  ano em que os planetas se alinharam, é o filho da besta! – Sou um  mensageiro, que vim interromper que esta criança dos infernos nasça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ É mentira!  Números não têm nada haver. Não acredito nisso!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ A criança  será um mensageiro do mal, um profeta, que ao contrário de Jesus,  irá espalhar suas palavras de desordem, reunir discípulos e seguidores;  a fim de espalhar o mal sobre a terra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Como em um  estado de transe, Angélica, fraca, credora em tudo que o espectro fala,  pega o punhal que viu em cima da mesa e finca em sua barriga, sem mostrar  expressão alguma em sua face.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O BEBÊ ESTA  MORTO! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;DUAS SEMANAS  DEPOIS&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Edgar acorda  assustado e se depara com uma criança loira ao pé de sua cama, que  dizia triste:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Meu nome  é Gabriel! Minha missão era vir a terra como mensageiro de luz. Era  para ser seu filho, mas acreditou no falso em que dizia ser mensageiro.  Ele na verdade é o criador de um ser que habita esta terra, pronto  para iniciar o terror e o mal, e eu haveria de detê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Que vocês  se protejam! Pois irão precisar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-1412907035623660416?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/1412907035623660416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/o-falso-mensageiro.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1412907035623660416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1412907035623660416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/o-falso-mensageiro.html' title='O FALSO MENSAGEIRO'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-9006239930727181204</id><published>2009-05-25T09:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T19:00:01.060-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capela de Hóros'/><title type='text'>CAPELA DE HÓROS</title><content type='html'>&lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na escola (dia 21/03/07) Rodrigo,  Felipe, Jéssica, Vanessa e Lucas estão estudando e a professora de  historia fala sobre uma antiga seita satânica chamada &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;BAPHONET  que realizava rituais satânicos em um altar chamado capela de hóros  e realizavam adoração ao diabo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;,  dizem que todos os que participavam da seita morria misteriosamente,  no intervalo eles combinam para ir numa festa na casa de Felipe.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; À noite eles vão á festa,  bebem e dançam a uma noite inteira depois da festa eles estão voltando  para casa de carro (bêbados) se distraem e acabam atropelando uma pessoa,  a policia vê e eles fogem, a policia os persegue, mas eles conseguem  escapar escondendo-se em uma antiga casa abandonada, dentro da casa  eles encontram um antigo jogo de tabuleiro trancado dentro de uma caixa,  e decidem combinar um dia com os amigos para jogar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; 23 dias depois (dia 13/04/07)  eles se encontram novamente num ensaio de rock de uma banda amiga deles,  eles assistem o ensaio e depois combinam com seus amigos Jonata, marcos,  Anderson, André, Mateus e Rafael de ir jogar novamente, mas Anderson  diz não e vai embora.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Então naquele dia às 3 da  manhã eles e mais três mulheres vão a casa: Alice, Juliana e Roberta  para jogar. Primeiro eles bebem e se divertem e depois começam a jogar:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Felipe pega um livro e lê  as regras: um deve fazer o sacerdote (O mestre do jogo que controla  as jogadas). E os outros 12 jogam com suas peças no tabuleiro:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As peças são iguais a peões  de xadrez, mas com caveiras no lugar das cabeças.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Felipe decide ser o sacerdote  e os outros se preparam para jogar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Rodrigo joga os dados  e ao tira cinco, ele avança cinco casas, seu peão cai numa casa com  uma caveira desenhada, ele tira uma carta, A carta do demônio dos sonhos,  ele fica com sono, então desiste do jogo e vai dormir.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Lucas joga os dados  cai no mesmo lugar e tira a carta do demônio do espelho ele então  vai beber água e toma um susto vendo um cadáver no espelho, então  ouve um barulho na janela e quando vai ver o que é, tentáculos surgem  e o puxam para fora da casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  Rodrigo que subiu para  dormir esta andando no corredor e derrepente ouve barulhos estranhos  e uma lamina em forma de pendulo desce do teto e o mata cortando-o ao  meio.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Anderson esta em casa com sua  namorada e se levanta para beber um copo de água, ele vai para a cozinha  e coloca o copo para encher, mas demora muito e sua namorada vai velo  ela chega lá e o encontra decapitado sentado na mesa e grita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Ele acorda assustado e sai  da casa andando em volta da casa vê apenas arvores então vê um ceifador  ele tenta correr, mas o ceifador joga a foice e o mata prensado numa  árvore, ele acorda novamente e derrepente uma corda desce do teto e  o puxa para cima matando-o enforcado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A namorada de Anderson tenta  ligar para a policia, mas o telefone não funciona as luzes piscam,  ela se vira e da de cara com o ceifador ela grita e é golpeada pela  foice sendo dividida ao meio,o ceifador desaparece e ala morre.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então ele acorda mais uma  vez e grita aterrorizado:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-O que está acontecendo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então é puxado por tentáculos  para dentro da cama gritando, derrepente um grande jato de sangue sai  da cama e inumda todo o quarto.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Jonata está jogando e cai  novamente numa casa com uma caveira, mas quando ele tira uma do baralho  ele ouve o grito e sobe para o quarto, deixando cair à carta (que é  a carta do tridente) e vê Rodrigo morto dentro do colchão e sangue  por todo o quarto então aparece um vulto (um homem com uma capa negra)  com um tridente e o mata atravessado na parede.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Então começa a pingar sangue  do teto, eles sobem vêem tudo e ficam assustados, mas um deles, o que  estava fazendo o sacerdote fica possuído (ele fica com os olhos brancos  como se estivesse cego, aparecem varias feridas no seu rosto e sua foz  fica demoníaca) ela faz tremer toda a casa e os manda voltar à sala  para eles terminarem o ritual.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eles ficam desesperados e tentam  fugir da casa:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Jéssica corre pelo corredor,  mas uma pedra cai do teto em sua cabeça, ele desmaia e quando acorda  esta acorrentada em um lugar fechado, ela olha para o chão e vê uma  carta com uma pessoa acorrentada no inferno então as correntes começam  a se afastar e a despedaça ali mesmo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Marcos entra no banheiro e  vê no espelho alguém com uma capa negra vindo matá-lo com uma foice  ele vira e não tem ninguém, ele fica assustado suas mãos começam  a sangrar, ele abre a torneira para lavá-las, mas ao invés de sair  água sai uma substancia corrosiva que derrete suas mãos deixado-as  parcialmente destruídas e com os ossos a mostra, ele grita e sai correndo,  mas escorrega e cai desmaiado, ele acorda no meio de um pântano e começa  a andar confuso, ate os troncos de uma arvore o agarrarem e o jogarem  longe ele voa em direção a um tronco e é atravessado por ele.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vanessa consegue fugir quebrando  a janela com uma cadeira, o sacerdote possuído tira a carta do cemitério  do monte de cartas, ela se vê num cemitério e enquanto corre, mãos  de caveiras tentam pegar seu pé saindo do chão ela corre, mas não  consegue encapar, quando é agarrada pelo pé ela cai e quando olha  para cima e é morta por um ceifador de almas que arranca sua cabeça  fora com a sua foice.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os outros voltam a jogar, marcos  tira a carta de um homem sendo puxado para o inferno, ele é jogado  para fora, ele levanta e tenta fugir, mas se perde e morre sendo engolido  por areia movediça, depois André tira a carta do morcego então o  lugar e invadido por vários morcegos ele é atacado e eles sugam todo  o seu sangue, Mateus tira a carta do anticristo o teto se abre e vários  tentáculos o puxam para cima, Rafael tira a da cobra o chão se abre  e ele é jogado no meio das varias cobras venenosas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Eles ficam desesperados e  Roberta destrói o tabuleiro jogando-o na parede os pedaços caem no  chão e num dos pedaços esta escrito &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:100%;" &gt;BAPHONET&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  então o sacerdote (possuído) invoca uma mão de fogo da lareira e  mata Alice ao pegá-la e puxá-la para dentro da lareira, que queima  uma carta mostrando a mão do diabo em chamas, então o sacerdote se  transforma em cerberus (um lobisomem de três cabeças) e os ataca,  eles fogem e são perseguidos, Juliana cai e estraçalhada por ele,  o sacerdote coloca a carta de um caixão sobre o corpo enquanto Roberta  continua fugindo, ela entra em outra casa e encontra o corpo de Mateus  crucificado de ponta cabeça em arame o farpado, ela grita e encontra  uma carta com um lobo desenhado, então vários lobos aparecem e atacam  a porta tentando entrar, ela fica desesperada chorando, mas e inútil  os lobos arrombam a porta e a matam estraçalhada pelas garras.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; O sol começa a nascer, Felipe  volta ao normal, e vai embora pensando que tudo acabou, mas de repente  o ceifador aparece para levá-lo ele arranca seu coração e ele cai  no chão com a carta do coração na mão e o relógio marcando&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:100%;" &gt; &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;6&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:100%;" &gt;  horas &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:100%;" &gt;6 &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:100%;" &gt;minutos e &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:100%;" &gt;6&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:100%;" &gt; segundos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-9006239930727181204?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/9006239930727181204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/capela-de-horos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/9006239930727181204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/9006239930727181204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/capela-de-horos.html' title='CAPELA DE HÓROS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-5742186759141762038</id><published>2009-05-22T17:25:00.000-07:00</published><updated>2009-05-22T18:02:46.294-07:00</updated><title type='text'>CABEÇALHO NOVO!!!</title><content type='html'>Quem entrar agora vai reparar no Sacizão invocado que está recepcionando os participantes do Concurso Contos de Terror! O desenho foi gentilmente cedido pelo amigo Lourival Junior, desenhista do estúdio Cartoon Pro. Apesar de estar com trabalho até a testa, ele se dispôs a fazer essa ilustração incrível! Agora sim, nosso concurso tem cara de evento oficial, e não aquela coisa amadora que o cabeçalho anterior transmitia, rsrs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu Junião, abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-5742186759141762038?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/5742186759141762038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/cabecalho-novo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/5742186759141762038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/5742186759141762038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/cabecalho-novo.html' title='CABEÇALHO NOVO!!!'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-3590846576324453005</id><published>2009-05-21T21:17:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T21:19:05.874-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nicole - A Sobrenatural'/><title type='text'>NICOLE - A SOBRENATURAL</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nicole era uma adolescente diferente. Não tinha amigos – não porque quisera, mas porque todos a evitavam – e sua família a odiava. Desde pequena era rejeitada por todos por um único motivo: tinha poderes sobrenaturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todos os seus 15 anos, foi humilhada por toda a cidade de Hutyfield, se tornando assim uma pessoa extremamente fechada e com medo de tudo. Na escola, a rotina era sempre a mesma: entrava na sala de aula, era alvo de comentários e cochichos, era sempre menosprezada por todos e vez ou outra quando ia embora para casa, era seguida para ser atormentada por alguns de seus colegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua casa as coisas não eram diferentes. Sua mãe era uma alcoólatra viciada, seu pai estava preso há 12 anos, - e Nicole nem sequer o conhecia -. Ela só encontrava um refúgio: o seu quarto com a companhia de seu gato Felix. Passava o dia trancada em seu velho quarto, ora estudando, ora fazendo algo para passar o tempo. Tinha medo de dormir, pois sabia que se dormisse, as vozes apareceriam. Tinha medo das vozes. Tinha medo daquelas pessoas que apareciam em seus sonhos. Tinha medo sobre várias coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sábado. Ela gostava dos sábados porque sabia que não teria que ir a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nicole, você está aí em cima?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim mamãe. Estou no meu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Às vezes penso que você morreu dentro desse quarto! Desça um pouco e vá até ao mercado para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não quero. Vou ficar aqui. – Ela preferia passar o dia inteiro vivendo seu próprio mundo do que ter que enfrentar as pessoas daquela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Garota eu estou mandando! Desça agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já disse que não quero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sua ingrata! Garota imbecil! Não sei porque é tão esquisita assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole ouvia aquelas palavras e sentia raiva de tudo. Uma onda de pensamentos passava pela sua mente. Eram só pensamentos ruins, de toda aquela gente. Sentia ódio de todos. Ela não queria ser daquele jeito. Apenas era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu a porta se abrindo e em seguida se fechando. Sua mãe tinha saído. Ela não gostava de ficar sozinha. O silêncio percorreu a casa. Era um silêncio perturbador. Foi quando um sussurro vindo do banheiro de seu quarto quebrou todo aquele silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nicole...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quem está aí? – Respondeu assustada. Um calafrio lhe percorreu a espinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nicole...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por favor, me deixe em paz! - Ela tapou seus ouvidos e correu para trás da cama onde tentava se esconder. Era um vulto enorme que saía agora do banheiro. Andava devagar como se não tivesse pressa. A cabeça estava baixa. Estava com uma grande capa preta, seu rosto estava coberto por um longo capuz. Seus olhos avermelhados fitavam Nicole profundamente. Os traços de sua face eram deformados. Sua boca mexia lentamente, mas as palavras saíam fluentemente. Tinha no rosto um sorriso malicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por que corre de mim Nicole? Quero te ajudar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole não conseguia dizer mais nada. O medo a dominava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nicole, eles não gostam de você... Eles falam mal de você... Eles não querem ser seus amigos... Ninguém se importa com você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vá embora! Por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu quero te ajudar... Faça-os sentirem o que você sente...! Vingue-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Saia daqui! Saia daqui! Saia daqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole, pressionando a cabeça muito forte, ouviu a voz se distanciar cada vez mais até o vulto sumir de repente. Olhou para os lados ainda com medo. Levantou-se e começou a chorar. Aquilo tudo começava de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu gato Felix, que continuava impassível deitado em um canto do quarto a observava como se soubesse tudo aquilo que estava acontecendo com sua dona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Venha cá Felix. Não se assuste. Tudo isso vai passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felix a lambeu como se entendesse o que Nicole havia dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era noite quando a mãe de Nicole apareceu em casa. Estava bêbada. Todos os dias, ela saía de casa e voltava daquele jeito. Nicole estava deitada em sua cama, mas não pretendia dormir. De repente, ela ouviu um barulho. Era como um estrondo e vinha da sala. Abriu a porta do seu quarto e desceu rapidamente as escadas em direção da sala. Encontrou sua mãe caída no chão com uma garrafa de bebida ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mãe! Você andou bebendo de novo? Deixa eu te ajudar a levantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Saia daqui sua estúpida! Eu não quero a sua ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não gosto quando você bebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não preciso que ninguém goste de mim. Ainda mais você! Você é estranha. Andam dizendo por aí nas ruas que você é uma bruxa... – E soltou uma risada sarcástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mãe...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não me chame de mãe! Nunca agüentei você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas você é minha mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não! Não sou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O quê? O que está dizendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de Nicole soltou outra risada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acho que já deveria ter te contado antes não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Contado o quê? Diga-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você não é minha filha! – Fez uma pausa como se tentasse lembrar de alguma coisa - Um casal meio estranho deixou você comigo ainda bebê dizendo que a buscariam depois de uns meses e depois fugiram. Bom. Já se passaram anos...Não te agüentaram! Agora penso seriamente em fazer a mesma coisa que eles fizeram... – E riu novamente com um tom irônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole, com lágrimas nos olhos, ouvia tudo em silêncio. Não poderia acreditar. Aquela não era sua mãe. Aquela não era sua casa. Aquela não era sua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então...então...você...eu não sou... sua filha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É surda? Já disse que não! E eu te odeio! Seria melhor que você não existisse. Saia daqui agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole correu, subiu as escadas e se trancou em seu quarto. Estava mais uma vez em lágrimas. Não tinha mais ninguém. Ninguém. A sensação de abandono se misturava com ódio, raiva, tristeza, desespero...O que iria fazer agora? Como seria sua vida dali pra frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A madrugada caiu, e Nicole, exausta, adormeceu. Nos seus sonhos, aquela voz já conhecida lhe falava de novo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vingue-se Nicole...Vingue-se...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole se revirava na cama, às vezes acordava no meio dos sonhos e encontrava o vulto preto sentado na ponta de sua cama. Esfregava os olhos e o vulto já não estava mais ali. Chovia muito e os relâmpagos a incomodavam. Ela já estava cheia daquilo tudo, daquelas pessoas, daquela vida – que nem era dela. De repente uma sensação invadiu Nicole. Estava paralisada em sua cama com olhos abertos, como se algo a possuísse. A expressão que levava no rosto era assustadora. As mãos começaram a se contorcer quando começou a lembrar do que sua mãe havia lhe dito, do que os colegas faziam com ela, de como a cidade lhe mal-tratava. Ela não merecia aquilo tudo. Um relâmpago iluminou o quarto de Nicole. Foi quando Nicole se levantou. Estava estranha. A cabeça estava ereta e não se mexia para os lados. Os olhos estavam em chamas e ela dava pequenos passos, bem devagar. Foi ao quarto de sua mãe, saiu de lá depois de uns 15 minutos. Desceu as escadas e saiu de sua casa. Era madrugada. 03:15 da manhã para ser exato. A chuva caía forte. Nicole, com passos lentos foi caminhando pelas ruas. Ela já sabia o que fazer, já sabia pra onde teria que ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceu o dia, a cidade estava diferente. Porém o pior ainda estava para ser descoberto. As pessoas que passaram em frente à casa de Nicole puderam comprovar. No alto de uma janela – a janela da mãe de Nicole -, pendurado em uma corda havia um corpo. Estava preso na garganta por um enorme gancho. A cabeça caía para o lado como se o pescoço estivesse quebrado, o corpo estava ensangüentado. Era a mãe de Nicole. O sangue escorria por toda a rua. Nicole a tinha matado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terror se prolongou quando na escola onde Nicole estudava apareceram mais dois corpos. Eram dois colegas de Nicole. Ainda estavam de trajes de dormir. Foram arrastados até a escola e mortos lá. Os corpos estavam amarrados de costas um pro outro e suas fisionomias eram assustadoras. Os olhos esbugalhados para fora e a boca completamente aberta. Não tinham os pés. Provavelmente foram cortados para não terem chances de fugir. Os corpos estavam carbonizados. Foram queimados vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parede da escola estava um aviso, escrito com sangue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“VOLTAREI E FAREI VOCES PAGAREM POR TUDO O QUE JÁ FIZERAM”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantados todos já se sentiam condenados. Sabiam que a hora de cada um chegaria, não impotaria como e nem onde estivessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os moradores, alunos, e pessoas que ali estavam presentes sabiam que se tratavam de Nicole, que com sua fúria queria vingança. E sabiam também, que tudo aquilo não era uma brincadeira. Os culpados teriam que derramar seu sangue. O terror só havia começado, e o pior, não sabiam quando ia parar... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-3590846576324453005?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/3590846576324453005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/nicole-sobrenatural.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3590846576324453005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3590846576324453005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/nicole-sobrenatural.html' title='NICOLE - A SOBRENATURAL'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-2871893286308622199</id><published>2009-05-20T13:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T13:43:59.282-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Rua das Três Meninas'/><title type='text'>A RUA DAS TRÊS MENINAS</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estava na "Rua das Três  Meninas", como popularmente chamavam aquele beco. Deviam ser oito  da noite, mas o relógio insistia em assinalar nove e meia. Encostei  me num poste apagado. Ajeitei-me entre as sombras, procurando uma maneira  de me tornar invisível. Quando consegui, calei. Fiz um silêncio profundo,  um vazio de tumba secular. Possivelmente meu coração tenha cessado  naquele momento. Então, o mais difícil: esperar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sempre compreendi a mente dos  assassinos. O sorriso sádico escondido atrás de uma máscara, o ansioso  segundo que precede o grito, a paz que o silêncio eterno traz. Justificativas,  impulsos e prazer. Todos têm um assassino dentro de si, embora nem  todos tenham coragem de libertá-lo. Eu o fiz. Porém, quando meu assassino  interior viu seu rosto refletido no meu, deixou-me no chão do banheiro,  a faca que usara, ainda ensangüentada, posta ao meu lado. Nunca mais  voltou, por mais que eu quisesse. Compreendia os assassinos, e o medo  que cada um deles sentia de si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A noite precipitara sobre os  telhados um pouco mais. Avistei uma estrela agonizante debatendo-se  em vão contra a chuva que começava. Um homem dobrou a esquina. Seus  passos confessavam a pressa que o pavor provoca. Aquela rua era evitada  por quase todos, mesmo durante o dia. Ali, poucos anos atrás, três  meninas que haviam se perdido de uma excursão escolar foram brutalmente  assassinadas. Os suplícios sofridos por elas e as lendas que foram  contadas em torno disso fizeram daquela quase que uma rua deserta. Por  isso, causou-me surpresa ver aquela figura solitária, principalmente  pela hora avançada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O homem parou. Encostando-se  na parede, aproveitou para tomar fôlego. Claramente fugia de alguém.  Porém, como eu descobrira pouco tempo antes, não há aonde ir quando  se foge de si mesmo. Era essa a minha dor, era esse o motivo de eu estar  ali. Vi uma mancha escorrer pela parede branca quando ele dela se afastou:  sangue. Saltei de meu esconderijo de trevas. Era o momento que eu esperava.  A palidez de seu rosto ao me ver destacou-o da escuridão. Aparentava  pouco mais de quarenta anos. Era magro, e vestia uma camisa imunda e  calças já muito velhas. O susto inicial transformou-se em pavor quando  comecei a caminhar na direção dele. Teria corrido na direção oposta  a que eu vinha, mas a lembrança daquilo de que fugia ainda estava recente.  Ao me aproximar, vi que o branco original da camisa que ele vestia havia  sido quase que totalmente consumido pelo vermelho de um sangue ainda  pulsante. Quase me esquecera de como sangue combinava bem com aquela  rua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cumprimentei-o, mas minha voz  foi diluída pelo ruído da chuva que aumentava. Num impulso, o homem  saltou de onde estava e me derrubou. Jogando-se sobre mim, demonstrava  força muito maior do que seu tipo aparentava. Atingiu-me diversas vezes  no rosto e cabeça. Sentia-me sufocado pelo meu próprio sangue, quando  o homem parou subitamente. Apoiou-se contra a parede, e lançou no ar  um gemido que me pareceu um misto de dor e desespero. Quando se encontrou  sentado, começou a chorar. Dizia coisas desconexas, e mais me pareceu  uma criança perdida. Então, vendo-o chorar, lembrei-me daquelas três  meninas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eram belas, e nada pareciam  com aquele idiota que estava na minha frente. Tinham um frescor incomparável,  eram doces e singelas. Mas o choro era idêntico ao que eu ouvia agora.  Como naquele dia, nada me interessava a não ser nunca mais ouvir aquele  som. Ergui-me na chuva, e caminhei até meu oponente desconhecido. Antes  que ele pudesse fazer qualquer coisa, agarrei-o pelo pescoço, como  fizera com a segunda menina. Apertei com força, mas percebi que precisei  de muito mais força do que naquele dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Saí aquela noite convicto  de que nunca mais retornaria para minha casa. Entretanto, fui algoz  daquele que deveria ter me libertado de minha prisão carnal. Talvez  tenha sido a lembrança, o choro, a camisa dele suja de sangue. Não  sei se me redimi ou pequei novamente naquela noite. Só sei que após  acordar de uma noite sono tranqüilo como há muito eu não tinha, li  no jornal a estranha notícia de um homem encontrado morto na "Rua  das Três Meninas". Ele fora estrangulado momentos após estuprar  e esquartejar a própria filha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-2871893286308622199?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/2871893286308622199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/rua-das-tres-meninas.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2871893286308622199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/2871893286308622199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/rua-das-tres-meninas.html' title='A RUA DAS TRÊS MENINAS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-442941369831509165</id><published>2009-05-20T09:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T10:00:05.650-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Escolhido'/><title type='text'>O ESCOLHIDO</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;O vilarejo de Greenfield sempre foi um  lugar agradável para morar. Seus habitantes costumavam dizer que em  lugar nenhum do mundo existiria uma paz tão acolhedora. Uma paz que  seria quebrada somente na noite de 15 de outubro de 1985. Os corvos  sobrevoavam o milharal ao lado da velha casa de madeira. O vento gemia,  como se fossem sussurros de uma velha bruxa. As janelas de vidro da  casa balançavam violentamente. Havia um ar de incerteza que pairava  sobre a região. A porta abria e fechava, e com o impacto de cada batida,  escutava-se o ranger das dobradiças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;Ele  parou seu carro preto Mustang e acendeu mais um cigarro. Ajeitou a gravata,  deu uns bons tragos enquanto observou o céu. Uma nuvem cinzenta pesada  pairava sobre a casa. Eles diziam que uma criança havia morrido dentro  da lagoa. Junto com seu pai. Foi um suícidio lamentável, que poderia  ter sido evitado. Desceu do Mustang e guardou o maço de Marlboro dentro  do bolso da camisa branca. Olhou para os pneus do carro, estavam um  pouco gastos. Abriu o porta-malas e pegou sua valise preta. Caminhou  de frente para a porta da casa, e sentiu arrepios por todo o corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;O  vento se tornou uma brisa insistente como os latidos de um cão raivoso.  A porta estava entreaberta, e ele pôde sentir um aroma de rosas vermelhas.  Ficou de frente para o corredor, escutou um barulho de televisão ligada.  Caminhou mais um pouco. Um turbilhão de moscas andava sobre a mesa  da cozinha. Observou pratos cobertos de lodo sobre a pia. E mais adiante  uma cadeira de rodas que se movimentou por um momento. Fechou rapidamente  as janelas de vidro. A cadeira não poderia ter se movimentado. Segurou  a respiração e pegou mais um cigarro. Girou a roda do isqueiro, mas  não funcionou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;Jogou  o cigarro de volta para o maço. Atravessou o corredor e olhou-se diante  de um grande espelho circular pendurado na parede. Percebeu um vulto  que passou rapidamente. Não, estou apenas imaginando coisas..., o padre  pensou. O aroma das rosas continuava cada vez mais forte. Entrou em  um dos quartos da casa e viu uma pequena caixa de músicas. Um silêncio  fúnebre foi interrompido apenas por um leve gemido. Como se fosse um  choro de um criança. O padre se assustou. Olhou embaixo da cama. Viu  uma pequena criatura enrolada em um lençol branco. Era um bebê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;Ele  então abriu sua valise preta e pegou uma bíblia e um terço. Começou   a orar insistentemente. O bebê não parou de chorar. O padre ficou  deitado no chão, olhando para ele, desconfiado. O silêncio voltou  a perturbá-lo. Ele então esticou as mãos para pegar a criança. Ela  sorria e olhava para o padre com uma alegria inesquecível. Até que  gritou como um bode velho. Seus berros de bode altos fizeram com que  o padre gritasse :&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Saia da casa, Satanás ! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;O  bebê parou de berrar. O padre olhou novamente e viu que não era uma  criança. Era a cabeça de sua filha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;Ele  então abriu a bíblia e orou durante muito tempo. Aos poucos a visão  que teve evaporou-se em uma neblina cinzenta e gelada, que cobriu todo  o quarto. Ouviu-se então um barulho forte de um vento agonizante. E  novamente o silêncio sepulcral. Centenas de moscas invadiram o quarto.  Escutou uma voz perturbadora :&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Papai, estou aqui. Venha me buscar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;O  padre saiu da casa assustado e desesperado. Pegou seu isqueiro e tentou  acender um cigarro, não conseguiu. Percebeu alguém se aproximando  perto de seu carro : um homem, aparentando uns 60 anos de idade. O senhor  estava com uma expressão séria no rosto, como se tivesse visto uma  assombração. Ele sorriu para o padre, um sorriso mórbido. Então  disse : &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Não tente brincar com coisas que desconhece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Quem é você ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  O aleijado. Tem um cigarro ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;O  padre se aproximou e tirou um cigarro do maço. O homem levantou a mão  para pegar, quando viu seu próprio braço despencando sobre a grama.  Começou a chorar, e disse :&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Eles fizeram isso comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Eles quem ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;-  Os escolhidos. Eles também irão te escolher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;O  homem saiu correndo desesperadamente no meio da mata. O padre entrou  em seu carro e enfiou a chave para ligá-lo. Não funcionou. Olhou ao  redor, e viu um bando de pessoas acorrentadas que rastejavam e rangiam  os dentes. Começaram a esmurrar o Mustang, o padre voltou a orar. Parecia  não adiantar em nada suas orações. As pessoas batiam cada vez mais  forte no carro. O padre continuou orando, até que olhou para a entrada  da casa. Viu alguém saindo para fora em uma cadeira de rodas. Era o  mesmo homem que havia corrido para a mata. Estava sentado e segurava  a cabeça da filha do padre, que olhava incrédulo e horrorizado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;      &lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  A partir daquele dia o vilarejo de Greenfield foi um lugar inesquecível  para alguns. Seus habitantes costumavam dizer que os mortos agora descansavam.  O padre morreu na noite de 15 de outubro de 1985. Os corvos sobrevoavam  os campos verdes ao lado da velha casa de madeira. O vento gemia, como  se fossem sussurros de um velho religioso. As janelas de vidro da casa  estavam bem fechadas. Havia um ar de tranquilidade que pairava sobre  a região. E com a morte do padre, os espíritos voltaram a descansar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-442941369831509165?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/442941369831509165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/o-escolhido.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/442941369831509165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/442941369831509165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/o-escolhido.html' title='O ESCOLHIDO'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-1685881549441006600</id><published>2009-05-19T21:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T21:19:04.923-07:00</updated><title type='text'>ALERTA!!!</title><content type='html'>Pessoal, faz quase uma semana que não recebemos nenhum conto. Tudo bem, imagino que muitos de vocês estão lapidando suas histórias, para entregarem elas tinindo; porém, sugiro que sejam um pouco mais ágeis no processo. Muitas pessoas que irão participar da votação já estão lendo as histórias, e deixar pra última hora pode ser um fator negativo. Em resumo, não estou dizendo para correrem, e sim para buscarem o equilíbrio, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços, estamos esperando ;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-1685881549441006600?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/1685881549441006600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/alerta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1685881549441006600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/1685881549441006600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/alerta.html' title='ALERTA!!!'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-3037653956154535456</id><published>2009-05-17T17:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T18:13:34.006-07:00</updated><title type='text'>Sugestão de Zine</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/ShC0CfkLJAI/AAAAAAAAAdU/E9qMn6LXxhI/s1600-h/1242608132501_f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 234px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/ShC0CfkLJAI/AAAAAAAAAdU/E9qMn6LXxhI/s320/1242608132501_f.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336963513360000002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não  chegam mais contos, vamos dar uma sugestão: adquiram o Littera Zine, da Rafa Mallon, a pessoa que deu o pontapé inicial neste singelo concurso que está rolando. Nas palavras da própria autora, as instruções para conseguir a revista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Littera vem do Latim que significa LETRA, logo, a finalidade do ZINE é divulgar trabalhos literários, como poemas, micro-contos, acrósticos, releases (livros, bandas), etc.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O Leitor pode participar enviando seus trabalhos e ou um release sobre sua BANDA, já que também há espaço pára divulgação de bandas undergrounds. HQ´s também são bem vindos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Para receber (mais de uma edição), envie pedido para litterazine@hotmail.com e combinamos. Para receber uma edição, o envio é gratuito (carta social) .&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;E-mail para contato e troca de endereços: litterazine@hotmail.com&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;FOTOLOG: &lt;a href="javascript:void(0);" target="_blank" onclick="_linkInterstitial('http://www.fotolog.com.br/littera01'); return false;"&gt;http://www.fotolog.com.br/littera01&lt;/a&gt;"&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Rafa Mallon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-3037653956154535456?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/3037653956154535456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/sugestao-de-zine.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3037653956154535456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/3037653956154535456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/sugestao-de-zine.html' title='Sugestão de Zine'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/ShC0CfkLJAI/AAAAAAAAAdU/E9qMn6LXxhI/s72-c/1242608132501_f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-5721104119557654148</id><published>2009-05-16T12:49:00.001-07:00</published><updated>2009-06-11T11:54:42.900-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prêmios'/><title type='text'>Lista de Prêmios 3</title><content type='html'>Mais prêmios revelados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;CAMINHOS DO MEDO, antologia de contos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHba9meI/AAAAAAAAAcs/awGHc-38Um8/s1600-h/caminhosdomedo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 227px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHba9meI/AAAAAAAAAcs/awGHc-38Um8/s320/caminhosdomedo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336528191542368738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Segue a sinopse retirada do site do escritor Ademir Pascale, que gentilmente doou o livro. Essa antologia contém um conto de sua autoria, Mr. Sheol (que não é o mesmo conto "Sheol" que concorre no concurso, que fique bem claro, rs) :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o dicionário Aurélio, medo é um sentimento de viva inquietação ante a noção de perigo real ou imaginário de ameaça. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Assim, seria normal o ser humano fugir de qualquer ameaça à sua integridade física, pois o sentimento em questão garantiria sua sobrevivência. Entretanto, o que leva alguns a se arriscarem em rachas de automóveis, saltos de pára-quedas, rapel em cachoeiras, passeios em montanha-russa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sem estudos aprofundados, só podemos dizer que sentir medo é legal!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Em Caminhos do medo (Andross Editora, 208 páginas, R$ 29,00) isso ocorrerá com freqüência, pois os autores que nele escreveram trazem quarenta histórias de terror com tramas que beiram o inimaginável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quem é normal, com certeza adora sentir um frio na barriga. A essas pessoas, um conselho: não o leia na penumbra ou sob a luz de velas, pois as sombras projetadas nas paredes podem afetar seu julgamento racional. E se não sentir medo é porque já está morto!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Caminhos do medo é mais uma antologia com textos inéditos de novos autores, que encontram neste formato uma oportunidade de publicar suas histórias. A organização é Edson Rossatto, que analisou cerca de 200 contos em seis meses até chegar aos 41 selecionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cranik.com/caminhosdomedo.html"&gt;Cranik&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.andross.com.br/index.htm"&gt;Editora Andross&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sites do autor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cranik.com/index.htm"&gt;Portal Cranik&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.literaturafantastica.com.br/"&gt;Literatura Fantástica&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://perdendolacabeca.blogspot.com/"&gt;Blog&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oentrevistador.com.br/"&gt;Site de entrevistas (o autor entrevista diversas personalidades da literatura fantástica)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.divulgalivros.org/"&gt;Divulga Livros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARADIGMAS VOLUME 2, antologia de contos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oH-RNnKI/AAAAAAAAAdM/QMumi-sN8rw/s1600-h/Paradigmas+2+-+Capa+2D+-+Frente.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 212px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oH-RNnKI/AAAAAAAAAdM/QMumi-sN8rw/s320/Paradigmas+2+-+Capa+2D+-+Frente.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336528200896715938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo volume da coleção Paradigmas, que visa quebrar os paradigmas e escapar dos lugares comuns dos gêneros terror, fantasia e ficção científica. O livro traz histórias de inquestionável qualidade e acabamento primoroso, com um design que também escapa às amarras do gênero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tarjalivros.com.br/default.asp"&gt;Tarja Editorial&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou link direto (diversas informações sobre o livro):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tarjalivros.com.br/detalheprod.asp?produto=37"&gt;Paradigmas 2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bloginsonia.wordpress.com/2009/04/29/literatura-paradigmas-2-tarja-editorial/"&gt;Blog Insônia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. O livro também foi doado por Ademir Pascale, que participa da coletânea com o conto Frei François!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três exemplares do BAR DO ESCRITOR, antologia de contos, poesias e crônicas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHplHyOI/AAAAAAAAAc0/nhY3r4XdlPw/s1600-h/bar_antologia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 226px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHplHyOI/AAAAAAAAAc0/nhY3r4XdlPw/s320/bar_antologia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336528195343075554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O livro Bar do Escritor apresenta 38 autores da &lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=3891757"&gt;comunidade homônima&lt;/a&gt; do Orkut, com diferentes tipos de textos que vão do humor à tragédia, do riso ao choro, da indignidade à emoção! O Bar do Escritor é um grupo literário que se reúne desde 03 de agosto de 2005, criado pelo escritor Giovani Lemini, o grupo possui ainda um &lt;a href="http://zinebrasil.wordpress.com/2008/11/08/blog-da-revista-absolutus/"&gt;Blog&lt;/a&gt; e um E-zine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Os livros foram gentilmente doados pela organizadora Me Morte, uma das autoras que integram a antologia! Para mais informações sobre a escritora, olhar nos links à direita (Blog e Ning da Organizadora Me Morte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RÉQUIEM PARA O NATAL, antologia de contos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHgAu_OI/AAAAAAAAAdE/-QShJHPwQTg/s1600-h/livro_requiem.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 226px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHgAu_OI/AAAAAAAAAdE/-QShJHPwQTg/s320/livro_requiem.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336528192774536418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Antologia de contos de terror com temática natalina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse: "Natal. Época de paz, amor e fraternidade. Mas não para você. Esqueça-se de tudo que seus pais lhe contaram quando criança e prepare-se para conhecer o lado negro do Natal em 44 histórias sobrenaturais, de suspense e de terror. Nada de amor e fraternidade. A única paz que encontrará aqui é a paz eterna. Atreva-se a abrir esse presente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.andross.com.br/catalogo.htm"&gt;Editora Andross&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://edsonrossatto.blogspot.com/2008/11/apresentao-do-livro-rquiem-para-o-natal.html"&gt;Edson Rossato&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Livro gentilmente doado por Celso Júnior, um dos autores presentes na antologia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dois exemplares de OUTRAS COPAS, OUTROS MUNDOS, antologia de contos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHnCO9uI/AAAAAAAAAc8/CGpOl2tJOgs/s1600-h/Copas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 296px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHnCO9uI/AAAAAAAAAc8/CGpOl2tJOgs/s320/Copas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336528194659874530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Este trabalho visa estimular a imaginação do leitor, fazendo-os pensar em como será o futebol do Terceiro Milênio. Para essa missão, foram escalados 11 contos de feras da ficção-científica brasileira, com a preleção do mestre Telê Santana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esta antologia fala de futebol, mas de uma maneira bastante inusitada, surpreendente, onde o que parece ser, geralmente não é. Futebol no futuro, futebol nos dias de hoje e também no passado, com elementos fantásticos, futuristas, sobrenaturais. O prazer pelo que pode ser imaginado ao prazer dos craques tabelando e marcando um gol de placa. Esta é a proposta deste livro com história sobre não como o futebol é, mas como ele poderia vir a ser.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras informações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://fantastik.com.br/outras-copas-outros-mundos/"&gt;Fantastik&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.commerciu.com.br/scripts/produto.asp?p=1328&amp;amp;c=1320&amp;amp;navega_atividade=1&amp;amp;menu_atividade=4"&gt;Compra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Um exemplar cedido por Cesar Silva, outro por Marcello Branco, autores que participam da antologia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-5721104119557654148?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/5721104119557654148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/lista-de-premios-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/5721104119557654148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/5721104119557654148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/lista-de-premios-3.html' title='Lista de Prêmios 3'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/Sg8oHba9meI/AAAAAAAAAcs/awGHc-38Um8/s72-c/caminhosdomedo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-8336015940877844286</id><published>2009-05-14T22:20:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T22:21:40.024-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Seu Deus'/><title type='text'>SEU DEUS</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: georgia;"&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Vejo como as conseqüências são duras para  aqueles que provocam a ação antes. Mas se não fosse por ela, nada disso  aconteceria. Se não fosse pela forte fé dela, ela estaria viva. Foi minha  descrença que a matou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;*****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;De fé inabalada, Maria, minha esposa, só  seria mais feliz se todos da família fossem tão devotos a Deus quanto ela.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Todo domingo ia à igreja para orar. Pedia  a Deus que protegesse a família de todos os males existentes no mundo. E  daqueles que ela pedia proteção, eu era seu maior protegido. Me amava tanto.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;E eu, o cético da família, aquele que  nunca havia pisado na igreja. Pedidos não faltaram. Não acreditava em Deus,  Diabo, milagres, santos e demônios. O que me importava eram a família e os  negócios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Como bom diretor, eu era paciente,  conselheiro, ouvinte. Tolerava os alunos mal intencionados, aplicando-lhes penas  como serviços à escola. Nada fora do comum. Até aquele dia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Como sempre fazia ao aplicar uma  detenção, observava o aluno limpar uma das pias do banheiro masculino. Decorrido  quase 15 minutos, o menino estava na penúltima pia. O som de uma privada  acionada foi ouvida no último box. Isso nos assustou, pois pensávamos que  estávamos sozinhos no banheiro. Fui verificar. Bati uma vez a porta de madeira.  Alguém assoviava lá dentro. Bati uma segunda vez. O assovio  parou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Quem está ai? – perguntei em tom sério.  Não obtive resposta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Bati pela terceira vez. Então um filete  de água começou a escorrer por baixo da porta. Abri a porta e para minha  surpresa, o box estava vazio. A água toda saia da privada, como se estivesse  entupida. Falei para o garoto avisar ao zelador. Novamente não obtive resposta.  Olhei para as pias, e lá estava o menino. Mas não do jeito que deveria estar.  Alguém havia batido sua cabeça contra o espelho, e seu corpo estava sobre a pia  que estava limpando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O pânico tomou conta de mim. O que estava  acontecendo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Gritei por ajuda. Um dos professores  entrou afobado pela porta. Olhou a cena e encarou do corpo inerte do aluno para  mim, em choque. Pedi pela ajuda, que logo veio com o zelador e outros  professores. Uma pequena multidão de alunos já rodeava o lado de fora do  banheiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Como sendo o único presente na cena, fui  acusado de crime doloso e tentativa de homicídio. Mas como o garoto se recuperou  e provou com as próprias palavras que eu não havia feito nada, fui apenas  indiciado a prestar serviços comunitários. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Maria ficou ao meu lado o tempo todo.  Falava que a fé em Deus havia salvado o menino e que algo ruim o havia atacado.  Só não sabia o que era.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Fui afastado do colégio sob protesto dos  pais. Atordoado, fui para casa. No caminho, quase atropelei um senhor de terno  preto. Ele apenas sorriu e pediu desculpas. Estranhei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Minha esposa não estava em casa.  Provavelmente fora à igreja para orar por mim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Cansado, dormi cedo. Não vi que horas  eram quando senti Maria se sentando na cama. Me virei, mas ela não estava lá.  Ninguém estava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Fiquei acordado até a hora que Maria  chegou. Parecia cansada. Dei um beijo em sua testa e dormimos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;*****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O telefone tocava. Alguém já havia  atendido. Depois de alguns segundos, ela chamou pelo meu nome, desesperada. Sua  expressão era de completa tristeza e choque.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- O que houve? – perguntei, indo  abraçá-la num ato de solidariedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Encontraram o bispo Cláudio morto  dentro do confessionário. – a resposta fora um baque. Lágrimas rolavam dos olhos  dela. A dor era visível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Pela primeira vez, pisei dentro da  igreja. Uma multidão de fiéis choravam, gritavam e rezavam dentro do grande  salão. A polícia não conseguiu conter as pessoas fora da igreja, Só haviam  conseguido criar um perímetro no local do crime. Havia sangue na porta do  confessionário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- O encontrei em estado lastimável. –  disse o padre Rafael, se aproximando. – Como podem fazer algo tão cruel com um  servo de Deus?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Olhei para os crentes. Dentre eles,  reconheci um sorriso simpático. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Já volto, querida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Andei por trás das colunas, onde havia  visto o homem. E lá estava ele. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Dia triste, não? – disse ao me  aproximar dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Lamentável. Lamentável. – disse em  resposta, sem tirar o sorriso do rosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Olha, me desculpe por aquele dia. Eu  tava com a cabeça cheia e...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Eu sei. – interrompeu o  homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Sabe o que? – perguntei  confuso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Que você estava com problemas. – de  sorriso simpático, passou para um mais cínico. – E posso te  ajudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Olhei espantado para ele.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Não fique assim. Não é a primeira vez  que você me vê. Bem. É sim. Na outra vez, quem me viu foi o  garoto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Continuei encarando-o incrédulo.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Como sabe do aluno? Quem é  você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Sou alguém que quer lhe ajudar. Só  isso. Sei de coisas que você desconhece. Segredos. Mentiras. – o cinismo em seu  rosto era claro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Que segredos? Quem está mentindo? – eu  já estava me irritando com toda aquela merda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Faremos assim: você faz um acordo  comigo e eu te conto tudo o que quiser saber. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Que tipo de acordo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Papeladas não são. Só falar que aceita  e pronto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Pensei por alguns minutos.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Tá. Eu aceito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Ótimo. – estendeu a mão para concluir o  acordo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Olhei em direção à Maria. O padre Rafael  a consolava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Não sabia o que iria acontecer depois  disso. Um acordo qualquer, sem saber dos detalhes. Apenas o motivo de saber o  segredo e as mentiras que seriam revelados a mim. Era o risco que eu tinha que  correr.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;*****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;A noite caíra e Maria ainda não havia  voltado da igreja. Liguei para seu celular, mas ela não atendia. Preocupado, fui  à igreja. Parei em frente às grandes portas de madeira. Empurrei-as e olhei por  dentro. Estava parcialmente escuro, já que algumas velas iluminavam fracamente o  fundo. Entrei e fui procurá-la pelos corredores. Todas as salas estavam vazias.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Um sino tocara. Não era da torre. Vinha  de algum lugar abaixo. Havia um corredor pela qual o vento soprava gelado.  Entrei nela e já ouvia murmúrios. Luzes alaranjadas de lampiões iluminavam o  corredor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Cheguei na entrada de um grande salão,  parecida com uma masmorra. Paredes de pedra fria, candelabros espalhados pelo  local e um bloco de concreto com uma massa branca e um círculo rubro sobre ela.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Pessoas encapuzadas cercavam o bloco,  como um ritual. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Vá lá e pare isso. – disse uma voz  atrás de mim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Assustado, olhei para trás, mas entrei  com meio corpo dentro do aposento devido ao susto. O suficiente para todos os  presentes perceberem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Você! – vociferou uma voz ao fundo, ao  que parecia ser o mestre de cerimônia do ritual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Fique! – ordenou a voz atrás de mim.  Outra pessoa saia das sombras. O homem do acordo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Olhei incrédulo para ele. Ele encarava  sério o mestre de cerimônia, que retribuía com o mesmo olhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Quer saber qual é o acordo? – perguntou  a mim, sem olhar. – É eliminar todos que reverenciam o demônio. Sem exceções. –  e encarou uma figura ao lado do mestre de cerimônia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Olhei para o encapuzado. Ele olhava para  o chão, como Maria sempre fazia ao se sentir culpada. Não  acreditei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Não. – balbuciei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Isso que sua esposa estava escondendo  de você. O “Deus” que ela tanto ama não é aquele que você pensa. E também o  estava traindo com o padre Rafael. Segredos e mentiras, lembra? Vou acabar logo  com isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Estalou os dedos. Uma luz prateada me  cegou por algum tempo. Quando tudo voltou, a sala estava vazia, exceto por mim e  por ele. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Sou um servo do verdadeiro Deus. Apenas  presto seus serviços, e ninguém pode me atrapalhar. Me desculpe pelo  garoto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Você também matou o  bispo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Parece que ele era contra tudo isso e  acabaram matando-o. Uma pena. Ele era um bom servo de Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- E agora?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;- Agora você vai embora. Continue sua  vida. Esqueça-os. Os pecadores não merecem misericórdia ou lembranças. Não valem  à pena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;*****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Agora sim. Vejo como as crenças são  fortes. Nenhum Deus é piedoso. Nem aqueles que reverenciam o Deus do céu como  aqueles que adoram o Deus do inferno. Ambos não merecem ser adorados. Ninguém os  conhece como eu conheço. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Vejo como as conseqüências são duras para  aqueles que provocam a ação antes. Mas se não fosse por ela, nada disso  aconteceria. Se não fosse pela forte fé dela, ela estaria viva. Foi minha  descrença que a matou. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5099811311728357847-8336015940877844286?l=concursoescritoresterror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/feeds/8336015940877844286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/seu-deus.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8336015940877844286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5099811311728357847/posts/default/8336015940877844286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://concursoescritoresterror.blogspot.com/2009/05/seu-deus.html' title='SEU DEUS'/><author><name>Mario Carneiro Jr.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05082158006981480436</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_pfExD6g92vQ/SR93taineII/AAAAAAAAACw/_dlwITF_g9k/S220/foto+perfil+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5099811311728357847.post-8163186187798287132</id><published>2009-05-14T08:05:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T08:08:00.834-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sheol'/><title type='text'>SHEOL</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;b&gt;Burquina Faso,  África – Região do Sahel.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;A paisagem pedregosa, seca  e poeirenta não é nada convidativa. Praticamente não há vegetação  ou animais nesta região. Ao se olhar desavisado, poder-se-ia pensar  que se trata de mais um deserto  sem vida ou algum outro lugar  esquecido por Deus. Porém, nesta região, fica a vila dos operários  da African Petroleum. E hoje estão todos muito felizes pois, pela terceira  vez esta semana, a perfuratriz do poço quebrou. Há cerca de   um mês que eles estão lutando com uma camada duríssima de pedra diábase  na escavação. Mas, desta vez, não há peças substitutas e os operários  receberão por quatro dias de folga até que novos equipamentos cheguem  de Ouagadougou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Próximo dali, no sítio de  perfuração, algo pequeno e inebriado alcança à superfície. Ele  foi o único que conseguiu seu intento e seu corpo brilha como um vagalume  na noite nublada e sem estrelas. Pára por alguns instantes e alça  vôo. Lépido como um beija-flor. Desaparecendo na escuridão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Bem cedo pela manhã seguinte,  no acampamento dos &lt;i&gt;Médicos Sem Fronteiras&lt;/i&gt;, Carlos Bittencourt  atende com o apoio das enfermeiras à uma fila enorme. Mal houve tempo  para sua refeição apressada de apenas pão e café preto requentado.  Mas ele, como muitos dos recém-chegados, é um idealista inabalável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;A maioria dos seus ex-colegas  de classe já estava se especializando em segmentos mais lucrativos   da medicina como a cirurgia plástica. Mas, alguém que chorou ao fazer  o juramento de Hipócrates, jamais teria aceito algo assim. Para Carlos,  medicina não era ofício. Era sacerdócio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;E, naquela manhã chuvosa e  abafada ele atendia à fila triste. Para cuidar dos problemas que ele  já conhecia de cor: AIDS, parasitoses exóticas, subnutrição, tuberculose...  Ele não era insensível à sorte daquela gente mas, já havia criado  há muito, uma “casca” protetora para sua própria sanidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt; Tudo corria rotineiramente  até que Kossi, a efermeira mais antiga, chegou gritando em francês.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;i&gt;_ Docteur, vite! Il s'agit  d'une situation d'urgence. Mon Dieu, je ... Vite, vite!&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Puxou-o pelo braço e o fez  correr até outra barraca, quase do outro lado do acampamento. Ao chegar  lá, uma mulher gritava em um dialeto estranho e tinha um menina pequena  desfalecida em seu colo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_  O que foi, Kossi? O  que ela te contou?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Não sei bem, doutor. Ela  fala algum dialeto do &lt;i&gt;Dioula&lt;/i&gt; que eu não entendo bem. Deve ser  do norte daqui. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Ele toma o pulso da criança  que está fraco. Sente a sua pele seca e fria. Olha as pupilas, observa  as mucosas pálidas e examina a boca e...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;“Isto não é possível,  Senhor!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;O céu da boca não existia  mais. O palato mole havia sido devorado e, o osso côncavo e branco  podia ser visto; fervilhando de vida. A úvula e a língua estavam ausentes   e o cheiro de podridão não tardou a se espalhar pelo ambiente. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Meu Deus! Miíase! Kossi,  traga pinças e antissépticos. Não fica me olhando que nem uma tonta,  traz tudo o que você encontrar. Gaze, esparadapo, material de sutura,  larvicida. Vai, vai!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Carlos começou a retirar uma  a uma as larvas do que restou da boca da menina. Nunca vira um caso  tão avançado de miíase e também nada semelhante àquelas larvas  gordas e pálidas. Terminou de medicar a criança e  ficou observando-a  desconsolado, certo que suas chances de sobrevivência eram pequenas.  Quando estava para sair da barraca, a criança começou a ter uma convulsão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Em agonia, a menina levantou  o abdômen enquanto sua cabeça e os pés continuavam junto ao colchão.  Gemeu baixo e expirou, desabando na cama. Um som úmido e abafado de  ruptura se ouviu.  Carlos tomou o pulso e não havia batidas. Observou  os lençóis da cama e estes estavam agora vermelhos de sangue e cheios  de larvas. A criança morrera evacuando-as.&lt;br /&gt;Louis Froidevaux era o especialista em parasitologista no acampamento.  Com alguma incredulidade, escutou o relato detalhado de Carlos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Carlos, pelo que entendi,  você está afirmando que a criança morreu, dentre outras coisas, de  miíase intestinal?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Exato, Louis. Mas eu nunca  soube de um caso destes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Veja, mesmo as larvas precisam  de um mínimo de ar para respirar. A gente não observa um caso como  o que você descreveu porque elas simplesmente morreriam dentro de um  corpo vivo. Se ocorressem somente no fim do trato intestinal, talvez  fosse possível. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_Você é o especialista, Eu  sugiro que façamos uma autópsia. Contra fatos, não há argumentos.  A gente examina o corpo e vamos ver o que conseguimos descobrir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Mais tarde, numa sala improvisada,  Louis faz o corte tradicional em “Y&lt;b&gt;”&lt;/b&gt; e abre a cavidade abdominal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;As vísceras  estão completamente  consumidas. Dentro de toda cavidade, não há mais larvas. Em seu lugar,  há crisálidas amarelas e pálidas de cerca de cinco centímetros de  comprimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ O que é isto? O que são  estas coisas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_Louis, eu vi algo estranho.  Deixa eu apagar a luz...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;No escuro, as pupas amarelas  brilham suavemente como se fossem jóias incrustadas no abdômen aberto.&lt;br /&gt;Sentados no escritório de Louis os dois médicos discutem o que encontraram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Carlos,  acho que esbarramos  com algum novo tipo de inseto. Algo adaptado à condição de baixa  oxigenação e, provavelmente, que vive no escuro. Pois, animais que  vivem em lugares sem luz geralmente criam órgãos luminosos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ Mas, o que ocorreu com a  menina foi muito rápido. E entre a morte da criança e a autópsia,  mal se passaram duas horas. Não houve tempo. As larvas não poderiam  ter virado pupas. A não ser...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ A não ser, o quê,?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_ É uma idéia louca. Suponha,  que alguma criatura que viva em um ambiente semi-anaeróbico, sobreviva  porque seu metabolismo é  lento. Como se vivesse quase em hibernação.  Sem luz, quase sem ar. O que poderia acontecer se esta criatura que  vive adaptada à uma vida de fome, passasse a ter muito mais do que  está acostumada?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;_O aceleramento do metabolismo  pelo oxigênio extra? Hum, beira o inverossímel mas, faz até sentido  na verdade. Veja, precisamos cremar o corpo da menina e todas as larvas  e pupas que encontrarmos. Lençóis, roupas, tudo.  Não podemos  nos dar ao luxo de permitir que a forma adulta desta coisa esteja voando  por aí. Amanhã, quero que você e Ziro visitem à casa onde a menina  morava para ver se encontram alguma evidência sobre como ela se contaminou.&lt;br /&gt;Depois de quase duas horas sacolejando na caminhonete, aproximavam-se  agora da vila de casebres de barro e palha e ao fundo, dominando a paisagem,  via-se uma elevação brilhante e negra de aspecto ameaçador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: georgia;"&g
