A criança loira entrou no quarto escuro, com um enorme sorriso no rosto ensanguentado, os olhos azuis-escuros brilhavam, esfomeados. Acariciava finas madeixas de cabelo com uma mão, enquanto arrastava um pano de veludo pelo chão de carpete.
Andou até mais ou menos a metade do quarto negro, onde se encontrava um unico e singular espelho, a unica mobilia de todo o quarto. Sua moldura feita de ossos humanos era banhada de ouro e o vidro era liquido e sólido ao mesmo tempo. Matil sentou-se em frente dele. Ela acariciou seu reflexo, mas este cotinuou parado.
- O que trouxe dessa vez?
- Natil... - a pequena garota abriu o saco de veludo, revelando o que poderia ser um corpo humano decapitado e desfigurado, com a pele vermelha coberta de bolhas, ou um animal desconhecido. - Estou com fome.
- Não é suficiente. - vociferou o reflexo, batendo na superficie águado do espelho. - Traga mais e te deixarei comer.
- Certo.
E assim a pequena garota loira, de olhos azuis esfomeados, se levantou do chão e foi atras de mais vitimas.
Tudo o que ela queria era ver Natil, a outra menina, feliz. Sentia seu estomago roncar, mas se era isso que Naril queria, que mal teria?
E enquanto o reflexo se alimentava, Matil buscava mais corpos.
A criança havia se tornado uma escrava. E de seu própio reflexo.